O custo da cesta básica de Manaus registrou aumento de 2,26% depois de seis meses consecutivos registrando queda, elevou o valor para R$ 307,39 em novembro se comparada ao mês anterior quando custava R$ 300,59. O tomate como o principal vilão, voltando a sofrer alta, desta vez, de 10,15% dentre os 12 que compõe a cesta básica da capital amazonense que passou a ocupar a 6ª colocação entre as 18 capitais mais caras do país, de acordo com pesquisa realizada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e divulgada na quinta-feira (5). Em novembro do ano passado a cesta básica custou R$ 284,85 ocorreu um aumento de 7,91% em 12 meses.
Segundo o supervisor técnico do escritório regional do Dieese no Amazonas, Inaldo Seixas, a pesquisa verificou que o custo da cesta básica para uma família manauara de quatro pessoas (1 casal e 2 crianças), foi de R$ 922,17 no mês, sendo necessário 1,36 salário mínimo de R$ 678, somente para satisfazer as necessidades do trabalhador e sua família com alimentação no período de 30 dias.
O tomate seguido pela manteiga foram os vilões do mês, com crescimento de 10,15% e 6,98% no mês. Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), as chuvas frequentes em várias regiões produtoras prejudicaram algumas lavouras que produzem durante a temporada de inverno, também afetando, a qualidade do produto. Entretanto no ano, o tomate sofre uma redução de -7,94%. Já a carne, no mês passado sofreu aumento em 15 capitais pesquisadas, devido ao período de entressafra que vem ocorrendo desde setembro, aliado ao aumento da quantidade exportado, mantendo o patamar de preços elevados no mercado interno. No ano a carne sofreu uma variação de +4,81% e +3,98% nos últimos 12 meses.
As donas de casa bem sabem, que da noite para o dia, o preço do tomate pode dobrar. Foi isso o que ocorreu no final de novembro. Nenhum outro item tem comportamento igual, com um consumo per capita de 18 quilos por ano, o produto não é exatamente insubstituível. É o segundo item com maior peso, com 16%, atrás apenas da carne, com 37%, mas não é tão essencial quanto arroz e feijão na mesa das pessoas, segundo o supervisor do Dieese. “O problema é que o tomate é o item mais perecível”, disse Seixas.
Apenas a metade da produção de tomate é comercializada in natura. Parte é processada em massa de tomate, catchup e outros derivados. Segundo Ilmar Borchardt, gerente do Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural), existe uma grande dinâmica na movimentação do tomate por causa das diferentes épocas de produção no Brasil, distâncias em relação aos centros consumidores e as mudanças próprias de mercado. “Nesta época do ano, cerca de 40% do tomate comercializado nas Ceasas (Centrais de Abastecimento S.A.). O preço do tomate varia bastante, por se tratar de produto de vida curta. Não há um comportamento sazonal nesses preços”, explicou. Em novembro do ano passado, custava R$ 30 a caixa de 20kg.
Outro problema é que a perda da fruta é grande. Pode chegar a 80%. O produto deve ser cultivado próximo dos consumidores. A produção de tomates está distribuída em todo o globo porque o produto não aguenta grandes viagens, é muito perecível e só pode ser transportado por até 700 quilômetros.
Panorama Nacional
Segundo o Dieese, 15 das 18 capitais brasileiras registraram aumento no preço da cesta básica em novembro. As maiores elevações foram registradas em Fortaleza (CE) +3,47%, Florianópolis (SC) e Belo Horizonte (MG) ambas com alta de +2,67%, e Vitória (ES) +2,43%. Houve redução no valor da cesta básica em Goiânia (GO) -3,06%, Aracaju (SE) -1,73% e em Recife (PE) -0,69%.
Mesmo com variação em relação ao mês anterior de 1,18% – menor que a registrada para nove localidades -Porto Alegre (RS) foi, pelo segundo mês consecutivo, a capital com a cesta de gêneros alimentícios de primeira necessidade mais cara ficando em R$ 328,72. Em segundo lugar vem São Paulo (SP) com R$ 325,56, seguida de Vitória (ES) R$ 321,41 e Rio de Janeiro (RJ) R$ 316,88. Os menores valores médios foram observados em Aracaju (SE) R$ 218,71, Goiânia (GO) R$ 254,44 e João Pessoa (PB) R$ 257,16.







