Levantamento realizado pelo Sag-Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostrou que o Brasil registrou mais greves em 2009 e 2010 do que nos anos anteriores que compõem a primeira década deste século (anos 2001 a 2010).
Os trabalhadores brasileiros fizeram 518 paralisações em 2009 e 446 em 2010. Até então, o maior número da década havia sido registrado em 2008, com 411 greves. A série histórica no período se inicia em 2004, quando o Dieese retomou os balanços anuais de paralisações.
Segundo o Dieese, o desempenho em 2009 esteve relacionado aos impactos sentidos pela crise econômica mundial. A recuperação da economia retomada no último trimestre daquele ano repercutiu na redução do número de greves ocorridas entre 2009 e 2010 e na origem dos movimentos que, em 2010, partiram,principalmente, do setor público.
Em 2010, o setor que agrupa as empresas federais, estaduais e municipais respondeu pela maior parte das ações desse tipo (60,3%), com a realização de 269 greves. No ano anterior, no entanto, as paralisações tinham sido mais frequentes na esfera privada (266 atos contra 251 da esfera pública).
Os trabalhadores de empresas privadas que mais contribuíram para a redução das greves foram os da indústria. Em 2010, foram registradas 97 mobilizações, enquanto que em 2009 foram 149.
O setor público teve aumento de 7% no número de greves de 2009 para 2010. Nas empresas federais, as paralisações subiram de 15 para 23, enquanto que no funcionalismo municipal a quantidade se elevou de 91 para 122 no mesmo período.
Hidrelétricas
O Ministério de Minas e Energia informou que as greves de trabalhadores que atuam na construção de hidrelétricas no Norte do país não vão comprometer o cronograma das obras. As paralisações, parciais, atingiram três das maiores usinas em construção hoje no país: Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, e Belo Monte, no Pará. Entre as reivindicações dos operários estão melhores salários, aumento do valor de cestas básicas, além de folgas.
De acordo com o ministério, as paralisações não preocupam o governo porque o cronograma das obras já prevê atrasos. Além disso, a construção de Jirau e de Santo Antônio, informou o MME, está adiantada.







