Em pouco mais de um ano, de outubro a dezembro, a rede de supermercados Barato e Pronto inaugurou seis lojas nos bairros de Manaus (Petrópolis, Manoa, Nova Cidade, Alfredo Nascimento e conjunto Viver Melhor), a mais recente, no sábado, 22, na Compensa. A capital amazonense vem assistindo, principalmente após a forte crise econômica enfrentada pelo país entre 2015 e 2016, um boom de ‘supermercados de vizinhança’, num fenômeno nunca visto antes.
“Os nossos supermercados, ou lojas de vizinhança, têm um tamanho médio de 500 m2, com exceção da loja do Viver Melhor, que tem 2.000 m2. Cada uma delas emprega entre 12 e 15 funcionários, e a do Viver Melhor, 40”, contou Giovanne Amorim, gerente de expansão da rede Barato e Pronto, pertencente à rede de atacado Nova Era.
“Existem três tipos de consumidor nos supermercados: o abastecedor, que realiza grandes compras, para o mês inteiro; o repositor, que faz pequenas compras, de acordo com o que vai acabando na sua casa; e o de oportunidade, que é aquele que deseja fazer, por exemplo, uma macarronada, uma feijoada, um churrasco, e vai ao supermercado comprar somente aqueles produtos específicos”, contou.
“O supermercado de vizinhança busca atrair esses três tipos de consumidor oferecendo tudo o que ele pode precisar. É um consumidor exigente, que quer comodidade, praticidade e rapidez. Ele não quer sair do seu bairro, não quer pagar estacionamento num grande supermercado e não quer fazer suas compras num ambiente com muita gente”, revelou.
Clientes chamados de vizinhos
“Já o consumidor de um ‘atacarejo’, como o Nova Era, tem um perfil um pouco diferenciado. É o comerciante, que vai comprar em grande quantidade, para revender; o transformador, dono de restaurantes, lanchonetes, bares e hotéis; e o consumidor comum, que vai comprar no varejo”, disse.
“Pelo tamanho muito menor de um supermercado de vizinhança, lógico que a quantidade de itens, se comparados aos de um atacadista, é muito menor. Enquanto o Nova Era tem em suas prateleiras cerca de 12 mil itens, o Barato e Pronto tem cinco mil, mas com uma variedade que o consumidor não vai sair sem encontrar o produto que deseja”, garantiu.
“Outras características do supermercado de vizinhança é que os funcionários são todos moradores do próprio bairro onde a loja está que, por sua vez, segue um padrão de atendimento e qualidade, sem falar que praticamente todos os produtos encontrados num atacadista, também podem ser comprados lá. Ah, e os clientes são chamados de vizinhos”, revelou.
“Informações que eu tenho é que, nacionalmente, nos últimos cinco anos, o segmento de supermercados de vizinhança cresceu entre 50% e 60% nas principais capitais brasileiras, com mais força agora, após a recessão econômica do país. Quando nós, do Nova Era, percebemos que o consumidor estava indo nessa direção, resolvemos investir no segmento”, falou.
“Nos últimos 14 meses inauguramos seis lojas, três delas nos últimos 30 dias. Para 2019 já estão previstas as inaugurações de mais dez lojas, possivelmente em bairros diferentes, com a primeira a ser inaugurada já em fevereiro, no Novo Aleixo”, adiantou.
“Não estamos simplesmente instalando um negócio no bairro, mas contribuindo para o crescimento social dos moradores desse bairro”, finalizou.
Um fenômeno recente
Para o economista Osiris Silva, que foi secretário de Economia e Finanças, do município; secretário da Indústria e Comércio e secretário da Fazenda, do Estado, e é membro efetivo do Corecon/AM (Conselho Regional de Economia), “esse fenômeno do surgimento de vários empreendimentos, não só de supermercados, nos bairros, ganhou força a partir de 2017, quando a crise econômica no país começou a diminuir, depois que medidas econômicas tomadas pelo governo federal começaram a surtir efeito”.
“Se prestarmos atenção, o dinheiro mudou de mãos. Alguns bairros de Manaus são centros com uma dinâmica econômica poderosa, e isso gera demanda, uma demanda que eu diria, reprimida, e que agora começa a se liberar com a melhora da economia”, esclareceu.
“É uma micro economia dentro do bairro e que está gerando esse outro tipo de economia. Você vê pequenos negócios com uma estrutura financeira sólida”, falou.
“De onde vem esse fluxo positivo de dinheiro? Pode ser de funcionários do PIM (Polo Industrial de Manaus), que hoje emprega cerca de 85 mil pessoas; do funcionalismo público municipal, com mais de 40 mil empregados; ou do funcionalismo público estadual, com mais de 100 mil funcionários; além das milhares de pessoas que trabalham no próprio bairro. Isso gera uma imensa massa salarial com demanda por alimentos, mercadorias, medicamentos, o que resulta numa dinâmica própria gerada pela microeconomia da cada unidade suburbana”, afirmou.
“Concluo dizendo que esse é um fenômeno tão recente, que ainda precisa ser estudado mais profundamente”, finalizou.







