O debate na TV precisa ser democrático

Em: 5 de agosto de 2010
Hoje, dia cinco, ocorrerá o primeiro debate entre os presidenciáveis das eleições 2010. A Rede Bandeirante de Televisão é que está promovendo esse confronto entre os presidenciáveis
Hoje, dia cinco, ocorrerá o primeiro debate entre os presidenciáveis das eleições 2010. A Rede Bandeirante de Televisão é que está promovendo esse confronto entre os presidenciáveis

Hoje, dia cinco, ocorrerá o primeiro debate entre os presidenciáveis das eleições 2010. A Rede Bandeirante de Televisão é que está promovendo esse confronto entre os presidenciáveis. Sabe-se que a sociedade brasileira é fortemente mediada pelos meios de comunicação de massa. E, embora não se possa afirmar categoricamente o quão pode ser decisiva a exposição dos candidatos num confronto desse tipo, não se pode negar que o mesmo pode provocar mudanças na intenção de votos do eleitorado.
O fato político importante a ressaltar é que quanto mais houver exposição dos candidatos sem que haja interferência de marqueteiros melhor será para o eleitorado poder tomar sua decisão em quem deve votar. E o debate possibilita que as distintas candidaturas se exponham e se confrontem, ressaltando pontos que muitas vezes são oportunamente esquecidos nas peças de marketing produzidas e que artificializam muitas candidaturas.
O debate por si mesmo é algo que deve ser requerido numa sociedade democrática em que a pluralidade das ideias deve ser não apenas respeitada, mas cultivada por todos. Nesse sentido, o debate na televisão torna-se essencial para que todos os candidatos possam se expor e expor suas propostas, seus projetos e seus pontos de vistas sobre temas tão importantes que dizem respeito à vida de cada membro da sociedade. Numa eleição isso ganha muito mais importância porque quem deve considerar, avaliar e decidir qual é a melhor e a mais qualificada entre as candidaturas é, em última instância, o eleitor.
Por isso, todos os candidatos com registros devidamente deferidos deveriam fazer parte desses debates, uma vez que os mesmos, independente de qualquer pesquisa de intenções de votos, são postulantes legítimos aos cargos que aspiram. Todos, sem exceção, em tese, podem evoluir e conquistar a consciência dos membros da sociedade. Mas, só podem fazer isso se as oportunidades forem iguais – se houver democracia nos debates.
O debate promovido pela Rede Bandeirante e outros debates de outras redes de televisão, não deveria se arvorar em decidir quem são os candidatos que devem ou não devem participar. Isso funciona, na verdade, como uma espécie de filtro, onde um grupo empresarial, privado, diz aos membros da sociedade que a sua livre escolha está, na verdade, pautada, por ele. No caso especifico desse primeiro debate presidencial, é exatamente isso que está ocorrendo. Dos nove candidatos, apenas quatro foram convidados a participar.
É frágil o argumento de que a lei não obriga ou que a lei só obriga o convite àqueles partidos que têm representação parlamentar. E, é mais inadmissível ainda o discurso de que são convidados os candidatos melhor colocados em pesquisas. Quem garante que as outras candidaturas, dependendo de seus desempenhos nos debates, não podem alterar as pesquisas de intenção de votos. Numa democracia de verdade quem decide são os membros da sociedade. Qualquer outra interferência que privilegie ou exclua antecipadamente a essa decisão soberana soa como interesses privados de classes, camadas ou grupos sociais.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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