Faz parte da cultura do nosso país achar bonito, ou mesmo ter pena de tudo aquilo que se apresenta de forma miserável ou em situação de dificuldade. Me parece que para o povo brasileiro, ser pobre é um dom, isto talvez em função de uma forma errada de ter sido passada uma liturgia católica ao povo colonizado. De qualquer forma esta mistura de teologia cristã deturpada e uma ideologia política completamente dirigida que se implantou posteriormente para dominar e cegar o povo, fez minar o que podemos chamar de DOGMA DA MISÉRIA.
Não é à toa que estamos passando em nosso país por um processo político e social difícil e complexo onde além da corrupção endêmica que se instalou nos corredores das casas legislativas e de gestão públicas de nosso país, nosso povo foi doutrinado a defender valores sem saber o significado dos mesmos. Nossos supostos representantes legislativos quando chamados a tomar decisões para melhorar a situação do país e do povo, recuam e mensuram antes o tamanho de seus bolsos e de seus ganhos ou perdas de interesses meramente pessoais.
Sendo bem mais direto e didático, vou citar aqui um caso que está rolando no Congresso que é o processo de privatização da Eletrobrás. Em primeiro lugar não seria mais discutível o mérito do processo de privatização em si como sendo positivo tanto para a empresa em foco como para o país, e logicamente para todo o povo brasileiro por extensão. No entanto o que se vê nesta feira de partidos do nosso sistema supostamente democrático, são políticos trabalhando contra o processo de privatização e tentando incutir em seus eleitores a falsa ideia de ser a mesma um ato contra o patrimônio público.
Na verdade quando se analisa mais detidamente os interesses destes políticos, o que se vê são velhos caciques preocupados em defender seus interesses pessoais visto que as estatais do porte da Eletrobrás estão recheadas de “amigos” indicados por eles, aqueles que ganham sem trabalhar e que em geral rendem bastante votos, quando não alguns trocados também. Neste caso, não adianta perguntar pelo interesse do povo, do eleitor, pois para este tipo de político o que menos interessa é o povo. Mais importante é manter o poder a qualquer custo e para tal a informação deturpada ao eleitor é arma fundamental.
Enquanto iniciamos o ano de 2018 com notícias de fracos desempenhos supostamente melhores em termos econômicos que o ano anterior, o povo vai esquecendo-se dos milhões de desempregados sem renda que o sistema de gestão errado e desonesto jogou na lama. As filas nos corredores dos hospitais e as escolas cada vez mais depredadas e desprezadas, sem investimentos físicos e intelectuais, tirando do povo aquilo que seria sua única forma de redenção: A educação.
Mesmo assim, o povo esquece estas mazelas e se prepara para alguns dias de folia no carnaval, fazendo milagres para tomar alguns goles de bebida tirando não se sabe de onde o pagamento. A miséria dá uma esperada por uma semana para voltar a reclamar pela comida, pelo transporte e pelos fatos que ele não conhece mas reclama. Reclama da reforma da Previdência pois os partidos da oposição ensinaram que não presta, mas não buscam entender o quanto a mesma é necessária.
Da mesma forma gritam contra a privatização da Eletrobrás ou qualquer tipo de privatização (“a Eletrobrás é nossa!”), sem entender o quanto a privatização é útil e necessária, saudável em termos econômicos, administrativos e até mesmo políticos, pois foi através do aumento da estatização que se instalou a maior rede de corrupção que este país já viu. Esta rede, distribuindo bolsas no lugar dos santinhos tradicionais, aumentou a opressão política e determinou aquilo que o povo vive sem saber, acaba aceitando mesmo sendo rui, mas não consegue reclamar, que chamo de DOGMA DA MISÉRIA.







