Você, algum dia, parou para pensar em si? Na sua interioridade? Nos sentimentos que o elevam ou que o atormentam? Na empáfia que toma conta de você, vez por outra e que, a meu ver, é o motor de arranque, o cerne e a motivação para todos os tipos de preconceito?
Salvo engano, abordei, no escrito anterior a este para o Jornal do Commercio, o tema mais do que polêmico chamado preconceito. Naquela ocasião, deixei claro o meu entendimento de que, todos nós, seres humanos, somos, de uma ou de outra forma, preconceituosos, em maior ou menor grau, que precisamos estar atentos para não ultrapassar os limites do razoável e, mais ainda, nos transformarmos em déspotas e radicais.
É fundamental a vigilância permanente sobre nossas atitudes para não chegarmos à empáfia; ao orgulho exacerbado e vão; à altivez indesejada; à soberba vil, discriminatória e preconceituosa. Isto acontecendo, sem perceber, nos posicionaremos como “donos da verdade” que somente nós enxergaremos, nos limites dos nossos antolhos. Eu me encontro, neste exato momento, em plena vigília de mim. O termo preconceito cala profundo em minhas elucubrações sobre a vida, pois acredito que seu significado nos afasta da solidariedade verdadeira.
Nos últimos tempos, a sociedade sofre as ações diretas e nefastas do preconceito, em todo o universo Terra, quer seja ele racial, social ou contra as chamadas minorias e mulheres; este último, que as coloca em confronto milenar com o homem.
Consequência direta desses entendimentos, criaram-se dias comemorativos específicos para serem explorados por cada uma das partes que se julgarem alvo de discriminação. O pouco tempo de experiência de vida me permitiu aprender a perguntar, sempre que vem à baila este assunto tão polêmico: “a quem interessa fustigar e provocar”? “A quem trará benefícios a discórdia”? “Quem está se comportando verdadeiramente como preconceituoso: o acusado ou o acusador”?
Eu já vi escrito em algum lugar: “trate o seu semelhante da forma como gostaria de ser tratado por ele”. A intolerância e a solução mais fácil e politicamente correta nos transportaram às nossas conhecidas datas comemorativas: “dia da Consciência Negra”; “dia Internacional da Mulher”; a conhecida “Parada Gay” e similares; e o dia dos “Índios”, dentre tantas outras.
Por que e para que tantas “Paradas e comemorações”? Para que existem as Leis? Para serem descumpridas? Elas não são feitas para todos? O artigo quinto da Carta Magna diz que temos direitos iguais. Para que esses dias especiais? Hipocrisia. Tais recordações constituem fontes discriminatórias e preconceituosas?
Partamos do princípio que, se descuidarmos de nossa vigília, TODOS poderemos nos transformar em retrato do preconceito. Assim sendo, comecemos pelo problema racial. Afora os detalhes, historicamente é sabido que, independentemente de raça e cor, muitos povos foram escravizados por outros ao longo do tempo, posto que o ser humano se caracteriza pelo espírito desbravador, guerreiro e conquistador, citados nos textos e parábolas bíblicas.
Subjugar e escravizar. E isto, infelizmente, aconteceu no Brasil em tempos idos. A consequência óbvia é que os negros ficaram no tempo, pois a eles foi imposta a inércia cultural. Impossível fugir dessa cruel realidade. A escravidão aconteceu. A dignidade do ser humano não se perdeu.
Dizia eu a meu filho, ainda criança, que subir os degraus de uma escada ocorre degrau por degrau. Cair dela é queda rápida, todos os degraus de uma só vez, e de forma abrupta. Subir novamente a mesma escada, necessariamente, será degrau por degrau.
A evolução do ser humano é gradual, lenta na essência e demanda tempo. Não ocorre num piscar de olhos. Jamais produziremos bons frutos se combatermos o preconceito racial, do qual a geração atual não é pai nem mãe, com atitudes mais preconceituosas do que aquelas pretensamente sofridas por nós, que somente nos transportam à discórdia maior ainda, ao desentendimento e ao confronto.







