O mesmo, 30 anos depois

Em: 20 de setembro de 2018
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No próximo dia 27 se comemora o Dia Internacional do Turismo, e Manaus possui, além do Teatro Amazonas, alguns locais dignos de receber os mais exigentes turistas do mundo. Um desses locais é o flutuante Peixe Boi, que em janeiro passado completou 30 anos de existência no rio Tarumã, pouco conhecido da maioria dos manauaras, mas visitado nessas três décadas por várias personalidades entre artistas, jogadores de futebol, empresários e chefs internacionais.

        Tudo começou com a paulista Ana Scognamiglio, exatamente numa viagem de turismo a Manaus. “Fiquei hospedada no Tropical Hotel e um dos passeios que eles organizavam era pelo rio Tarumã. Nesse passeio vi uma casinha, dessas de caboclo, na beira do rio, e me apaixonei. Resolvi comprá-la para, nas minhas próximas férias, ficar morando nessa casinha”, lembrou.

        No ano seguinte, já acomodada na tranquilidade da casa, longe da vida agitada que tinha em São Paulo, Ana começou a receber ‘visitantes’ em lanchas querendo saber se lá vendia comida. Foi então que ela percebeu que, além de estar num local paradisíaco, ainda poderia ganhar dinheiro e nem mais voltar para São Paulo. Isso aconteceu há 30 anos e até hoje Ana continua na casinha, cuja frente foi ampliada com o flutuante que recebeu o nome de Peixe Boi.

        “Eu não sabia nada sobre comida regional e, como sou descendente de italianos, comecei a servir massas: lasanha, capeletti e pasteizinhos com massa de pizza, mas não era aquilo que as pessoas queriam. Elas pediam pacu frito (e eu nem sabia o que era pacu), tucunaré, sardinha. Eu só conhecia sardinha em lata. Então fui à comunidade aqui perto, atrás de alguém para cozinhar e encontrei a Inês Santana. Ela está comigo até hoje”, contou.

        Regras para se conquistar
        Ana seguiu uma regra básica de quem quer ser reconhecido pelos bons serviços: atender às necessidades dos clientes. “Fui vendo o que eles pediam, fazendo e servindo. Assim surgiu o tambaqui assado, que sempre foi o carro-chefe do flutuante, a sardinha frita e outros peixes menos requisitados, e o caldinho de feijão servido na recepção ao cliente. A única iguaria paulista que mantive foram os pasteizinhos com massa de pizza recheados com mussarela, tomate e orégano”, falou.

        O sucesso nacional do flutuante começou logo no primeiro ano de existência após uma reportagem para o programa TV Mulher, da TV Globo. “A partir daquela reportagem começaram a vir turistas de todo o Brasil e até do exterior, para o Peixe Boi, e tem sido assim desde então. Existem algumas regras que você precisa seguir para conquistar o cliente. No meu caso, que trabalho com comidas, é ter uma boa comida. Isso é primordial. Depois tem o atendimento. O cliente precisa se sentir querido. Você tem que dar um atendimento personalizado, conversar com ele, ver se tem alguma reclamação e se houver algum problema, resolver”, ensinou.

        “Acrescento mais um ítem. Ter uma boa equipe te ajudando. Só me mantive esses 30 anos aqui principalmente graças à minha equipe. 90% dos meus funcionários mora aqui na comunidade. A Inês, minha cozinheira, está desde o começo, e tenho dois outros funcionários que estão há 28 anos me ajudando”, contou.

        O local também ajuda bastante, uma Área de Preservação Ambiental com a floresta praticamente intocada e o rio ainda com as águas limpas. Exatamente por isso o acesso ao Peixe Boi é feito quase que somente pelas águas do Tarumã. “Por terra é meio complicado chegar até aqui”, disse.

        Visitantes ilustres
        Ana orgulha-se de ter fidelizado dezenas de clientes, “que acabaram se tornando meus amigos. Já tiveram casais, e foram vários, que começaram vindo aqui solteiros, casaram e hoje, eles e os filhos adultos continuam frequentando o Peixe Boi. Agora os netos começam a ser trazidos aqui no flutuante”, riu.

        Num painel de fotografias pregadas numa das paredes, a prova inconteste de alguns dos visitantes ilustres do local: Galvão Bueno, Armando Marques, Romário, Ivo Pitanguy, Romeu Tuma, Boni, Fagner, Alcione, Fafá de Belém (ela sempre me visita) e o mais recente, Wesley Safadão, que não deixa de ir ao Peixe Boi toda vez que vem a Manaus. “Quando aconteceu o Festival Internacional de Cinema, em Manaus, aqui vivia lotado de artistas. Na semana passada o general Mourão, o vice de Bolsonaro, esteve aqui”, completou.

        “E ainda tem os chefs internacionais: Laurent Suaudeau, Claude Troisgros e Erick Jacquin, entre os mais famosos. Eles vieram conhecer a culinária amazônica, que agora conheço muito bem”, garantiu.
        “O que fazer para se manter em evidência por 30 anos? Tudo isso que eu disse anteriormente, e não achar que tudo são flores. Há momentos difíceis. Abastecer o flutuante sempre foi difícil, porque fica no meio do rio, sem falar que na vazante o movimento reduz bastante, porque muitas lanchas deixam de circular, e ainda termos de levar o flutuante para onde tiver mais água. O resto a gente tira de letra”, afirmou.

        Quem quiser mais informações sobre o Peixe Boi pode ligar para: 9 9191-6539.

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Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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