O novo livro do economista Osiris Silva

Em: 7 de março de 2020
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O economista Osiris Silva acaba de concluir mais um livro, ‘Da Economia da Borracha à Zona Franca de Manaus’, que será lançado em breve. Em primeira mão, para o Jornal do Commercio, Osiris destaca alguns trechos de seu mais novo trabalho no qual volta a bater na mesma tecla do por que o Amazonas estando numa região abastada por riquezas naturais, não consegue encontrar um caminho para tornar boa parte de seus habitantes livres da mazela do subdesenvolvimento.

“Durante o ciclo da borracha, que durou de 1890 a 1910, a demanda internacional traçava os limites de expansão da economia, com a ampliação da oferta sendo realizada pela inclusão de novas áreas de extração, sendo baixa a produtividade do trabalho. A partir da criação do modelo Zona Franca, em 1967, a industrialização foi motriz da economia, integrando-se ao padrão nacional de ‘substituição de importações’, mas confinado à fabricação de poucos bens de consumo duráveis”, disse.

“Considerando-se esses dois ciclos econômicos, faço uma apreciação técnica de ambos, de forma independente, descompromissada no que pertine a conveniências políticas retrógradas e improdutivas, deixando bem claro que nossa história está eivada de vícios e equívocos, do que resultaram consequências devastadoras sobre a evolução e gestão dos ciclos econômicos em referência. Na verdade, as raizes de nosso atraso”, concluiu.

O sonho errado

Quem estuda história da Amazônia sabe que os ingleses surrupiaram milhares de sementes de seringueira daqui para plantar em suas colônias asiáticas, no final do século 19. O primeiro plantio deu errado. Pacientemente eles selecionaram novas sementes e por dez anos cultivaram seus seringais. Em 1911 a produção de borracha das colônias inglesas superou a da Amazônia derrubando a hegemonia mundial da região.

Por que, aqui, não se cultivou a seringueira, fazendo frente aos ingleses, mantendo-se o extrativismo?

“Talvez a resposta esteja na forma de acumulação do capital produtivo na região, concentrado nos seringais e na infraestrutura de transporte fluvial (barcos utilizados pelas casas aviadoras na comercialização de bens no interior da região e no deslocamento da borracha até o porto de exportação). Realizar o plantio significaria descartar esses bens de produção, pela tendência de o cultivo ser realizado nas proximidades dos dois principais portos de exportação: Manaus e Belém”, revelou.

Mesmo com a crise na economia extrativa dos seringais amazônicos, os seringalistas endinheirados continuaram a ignorar o plantio da seringueira, insistindo na proposição de políticas públicas para revigorar os seringais nativos.

“Durante muitos anos ‘sonharam o sonho errado’, talvez até hoje, porque a borracha natural ainda tem grande aceitação no mundo, principalmente na indústria automobilística, mas, como está a nossa produção de borracha? Pífia. As ex-colônias inglesas continuam mandando no mercado”, lamentou.

De 1911, quando a Amazônia deixou de ser uma grande produtora e exportadora de borracha para o mundo, até 1967, com a criação da Zona Franca, a economia do Amazonas se arrastou.   

“Entre 1940 e 1970, outras atividades produtivas permitiram frágil reanimação econômica, como produção de madeira compensada, curtumes, castanha-do-brasil e, principalmente, a juta. Neste período se constituiu a primeira concentração de operários industriais na cidade de Manaus, tendo absorvido diretamente em torno de oito mil pessoas nas tecelagens industriais”, lembrou.

Já passou da hora

No livro, Osiris dá um destaque especial à implantação da Refinaria de Manaus, em 1956, marco da industrialização regional. Cita ainda a criação da Spvea (Superintendência de Valorização Econômica da Amazônia), em 1953, que buscou a industrialização das matérias-primas regionais e a substituição das importações para suprimento do mercado amazônico, mas logo perderam capacidade competitiva no mercado local, devido aos similares oriundos de outras regiões do país, à proporção que eram rompidas as barreiras geográficas que as protegiam.

Agora com a Zona Franca, já se vão 53 anos, a extinção do modelo é um fantasma que sempre assombrou os amazonenses.

“A miopia da sociedade, particularmente de suas lideranças, às mudanças estruturais tem sido a causa das intempéries, no passado e na atualidade, que têm turvado a economia amazonense”, reclamou.

Para Osiris, já passou da hora de o Amazonas diversificar suas matrizes econômicas.

“Minhas análises insistem na necessidade de se promover fortes investimentos em pesquisa e desenvolvimento como pré-condição para promover a diversificação da matriz econômica, passo vital à nossa sobrevivência como polo de desenvolvimento”, afirmou.

“Para tanto, faz-se necessário investir em planejamento estratégico com perspectiva de curto, médio e longo prazo, levando em conta setores prioritários em relação aos quais o Amazonas detenha ou possa gerar vantagens competitivas. Sem isso, vamos continuar sempre, na mesma pisada”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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