O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu anunciar na sexta-feira um programa de ajuda de US$ 1.5 bilhão a mutuários nos cinco Estados do país mais afetados pela crise imobiliária – Califórnia, Arizona, Nevada, Flórida e Michigan.
A ajuda deve ser anunciada durante evento a que Obama vai comparecer em Nevada (oeste); o Estado é o que tem a maior taxa de mutuários com dificuldades para pagar suas hipotecas – 65% – e a segunda maior taxa de desemprego do país, 13% (a taxa nacional está atualmente em 9,7%).
Os recursos devem ser destinados a agências dos governos locais dos cinco Estados para financiar programas de ajuda a fim de evitar despejos de pessoas que estejam desempregadas ou cujas dívidas hipotecárias ultrapassem o valor do próprio imóvel em que moram. Os programas estaduais terão de ser aprovados pelo Departamento do Tesouro.
O dinheiro deve ser tirado do Tarp (Programa de Socorro a Ativos Depreciados, na sigla em inglês), programa aprovado pelo Congresso americano em outubro de 2008, na administração Bush (2001-2009), para resgatar os bancos, cujo item de maior destaque é um pacote de US$ 700 bilhões.
Um fonte ouvida pela rede americana de TV CNN disse que o novo programa é mais um instrumento à disposição da Casa Branca para lidar com a crise imobiliária, e não uma solução final para os problemas de quem esteja desempregado ou com dificuldades para pagar suas hipotecas.
No Estado do Arizona, a taxa de mutuários cujas dívidas superam o valor das casas é de 48%; a taxa de desemprego local é de 9,1%. Na Flórida, 45% dos mutuários devem mais do que as casas em que moram valem, e a taxa de desemprego no Estado é de 11,8%. No Estado de Michigan a taxa de mutuários com dívidas hipotecárias superiores ao valor dos imóveis é de 37%, e o desemprego atinge 14,6% da população economicamente ativa. Na Califórnia os mutuários com problemas de endividamento hipotecário superior ao valor do imóvel são 35% do total, e a taxa de desemprego local está em 12,4%.
Decisão do FED
As Bolsas americanas operaram em leve baixa na sexta-feira, afetadas pelo anúncio do aumento na taxa de redesconto do FED (Federal Reserve, o BC americano). Com o movimento na taxa, os investidores preveem que o banco possa vir a mexer nos próximos meses na taxa básica de juros.
O FED justificou a decisão alegando uma melhora nas condições do mercado financeiro. “Como o encerramento de uma série de programas extraordinários de crédito no início deste mês, essas mudanças objetivam mais normalização dos instrumentos de empréstimo do FED”, disse o BC americano em comunicado.
“Não se espera que as modificações levem a um aperto nas condições financeiras para famílias e empresas, e elas não sinalizam nenhuma mudança na perspectiva para a economia ou para a política monetária” . Os dados sobre preços ao consumidor dão suporte á ideia de que um aumento nos juros básicos não esteja no futuro próximo: o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) subiu 0,2% em janeiro; foi o quinto mês consecutivo em que a inflação registra a mesma variação de alta.







