As águas do rio Negro

Em: 31 de janeiro de 2022

As águas do Negro estão vindo aí, talvez numa proporção nunca vista antes. Se por um lado sua lenta chegada cria um magnífico espetáculo da natureza, por outro, prejudica o comércio de quem trabalha na frente de Manaus e principalmente o homem do interior ao destruir suas plantações e matar criações.

Ontem, dia 13, o nível do rio Negro, medido diariamente pelo Porto de Manaus, estava em 24m42cm. Na mesma data, em 2021, o nível marcava 22m71cm. Desde o dia 6 de novembro passado as águas começaram a subir, e não mais pararam, com uma média de sete a até dez centímetros por dia, com alguns dias chegando a subir doze centímetros. É bom lembrar que o pico da cheia sempre ocorre no meio do ano. O recorde da cheia de todos os tempos ocorreu ano passado, em 16 de junho de 2021, quando o Negro atingiu 30m02cm, ou seja, ainda há muita ‘água pra rolar’.

Enquanto isso, o artista plástico e marchand José Carlos Pinheiro de Lima finalmente consegue realizar a exposição ‘Cheia das artes’, com pinturas, fotografias e grafites de 20 artistas plásticos, fotógrafos e um grafiteiro.

“A exposição aconteceria ano passado, em outubro, para comemorar o aniversário de 352 anos de Manaus, com o nome de ‘Águas dos rios’. Seria aqui mesmo na Galeria Palácio das Artes, no Millennium Shopping, administrada por mim, mas aconteceram alguns entraves e a exposição não foi realizada, mas o projeto continuou”, disse. “Solicitei apoio do Tenório Telles, do Conselho de Cultura, e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, eles deram o apoio e agora as pessoas poderão admirar as obras desses artistas relacionadas à cheia do Negro”, completou José Carlos.

Visão do interior

A vernissage de ‘Cheia das artes’ será no dia 15, sábado, a partir das 15h, prosseguindo até 20h, na Casa das Artes, no Largo de São Sebastião, com entrada gratuita. A exposição continuará no mesmo horário, de terça-feira a domingo.

“A idéia original era homenagear Manaus em seu aniversário, ano passsado, destacando um acontecimento marcante, como são as grandes cheias do Negro, mas como não deu, a exposição ‘Cheia das artes’, se mantem como uma homenagem à cidade”, falou. “Nunca imaginei que a cheia do ano passado seria a maior de todos os tempos, e foi inesquecível. Em torno do Relógio Municipal surgiram personagens instantâneos, como o The Flash, o boto, a Iara e até o artista plástico Jandr Reis fez uma instalação no local, sem falar que aquela região do Centro se tornou um point dos manauaras onde todo mundo foi fazer selfies”, recordou.

Na ‘Cheia das artes’ estarão expondo 15 artistas plásticos, quatro fotógrafas e o grafiteiro Raiz. As quatro fotógrafas são Mariana Rebouças, Gisele Alfaia, Selma Carvalho e a artista plástica, mas nas horas de folga, fotógrafa, Hebe Sol.

“E ainda teremos os quadros de três artistas plásticos do interior, com a visão da cheia sob a ótica a partir de suas respectivas cidades: Clínio Roosevelt, de Tefé; Téo Braga, de Itacoatiara; e Evanil Maciel, de Parintins, ou seja, o primeiro terá visto o rio Solimões, enquanto os dois últimos terão tido a visão do rio Amazonas”, revelou.

José Carlos havia observado que os grandes acontecimentos de Manaus, vividos com intensidade pela população, não eram registrados pelos artistas plásticos, então teve a ideia de fazer algo nesse sentido. Contatou vários artistas plásticos e pediu a eles que fizessem o registro da cheia do Negro, em Manaus, e eles toparam.

“Então resolvi abranger, além dos pintores de quadros, também fotógrafos, e o grafiteiro Raiz”, contou.

Sob o olhar feminino

“Iniciei o acompanhamento fotográfico pelo Centro em 10 de maio de 2021, quando ainda estavam sendo construídas as passarelas na Manaus Moderna. Três vezes por semana, ao final da tarde, eu ia ao Centro fotografar, passando pela Manaus Moderna, Centro Histórico e Porto, e aos finais de semana alternava pela manhã e à tarde. No dia 16 de junho, quando aconteceu o nível histórico da cheia, eu estava lá no Porto. Também fotografei em Iranduba, Careiro da Várzea e Manacapuru”, relembrou a fotógrafa Selma Carvalho.

“Eu fotografei desde o Puraquequara até o Tarumã, e as comunidades rurais do Tarumã. Tenho uma coleção da cheia de 2021 com quase quatro mil fotos. Uma das minhas fotos, que está na exposição, mostra o Porto no dia 16 de junho de 2021, quando o rio Negro atingiu o nível máximo de 30m02cm”, explicou Hebe Sol.

Estarão expondo na ‘Cheia das artes’: Alfredo Araújo, Clínio Roosevelt, Edson Queiroz, Eli Bacelar, Elizabeth Grubinger, Evanil Maciel, Fernando Júnior, Francimar Barbosa, Francisco Barbosa, Gisele Alfaia, Hebe Sol, Homero Amazonas, José Stênio, Mariana Rebouças, Nailson Novato, Raiz, Sebastião Cândido, Selma Carvalho, Téo Braga e Zeca Nazaré.

Todas as obras estarão à venda.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar