Oferta e demanda de empregos sem sintonia no Amazonas

Em: 22 de junho de 2019
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O mercado de trabalho do Amazonas oferece poucas discrepâncias entre oferta e demanda de empregos, conforme levantamento da (Secretaria de Estado do Trabalho) junto à base de dados do Sine-AM (Sistema Nacional de Emprego – Amazonas).

No ‘top-10’ da demanda, desponta a profissão de alimentador de linhas de produção industrial, com 1.276 trabalhadores inscritos ao longo do mês anterior. Auxiliar de escritório (1.269) e vendedor de comércio varejista (1.229) seguiram de perto nas preferencias. Operador de caixa (809), faxineiro (779), assistente administrativo (734), recepcionista (687), atendente de loja e mercados (563) e promotor de vendas (365) ocuparam as posições seguintes.

A oferta das empresas amazonenses se concentra principalmente na profissão de vigilante, com 344 vagas disponibilizadas no mesmo período. Um pouco mais longe, vendedor de comércio varejista (233) desponta na segunda posição na lista de oportunidades profissionais, sendo seguida por alimentador de linha de produção (205), técnico de enfermagem (145), promotor de vendas (115), operador de caixa (94), servente de obras (80), faxineiro (76) e ladrilheiro (69).

Apenas quatro profissões comparecem em ambas as listas: vendedor de comércio varejista, alimentador de linha de produção, promotor de vendas e faxineiro. A proporção de vagas é de três para um (promotor de vendas), na melhor das hipóteses, é de dez para um (faxineiro), na pior. Profissões que exigem mais conhecimento, como técnico de enfermagem, são mais oferecidas do que procuradas.

“Tendo em vista a análise dos dados, podemos identificar que a procura e a oferta estão bem alinhadas, com diferenças de uma ou outra posição. A conclusão seria a mesma, se levássemos em conta o ranking do top 20 dos dois casos. É claro que, infelizmente, as vagas não vêm no ritmo necessário para os trabalhadores. Mas isso depende de fatores que estão fora de nossa gestão, pois dependem das condições do mercado”, ponderou o secretário executivo da Setrab, Almir Albuquerque.

Perspectivas positivas

De acordo com o dirigente, houve uma alta próxima a 70% na oferta de vagas captadas e oferecidas pelo Sine-AM ao mercado, na comparação do acumulado do ano com igual período de 2018. Em relação ao número de trabalhadores atendidos, o aumento foi de 25%. O encaminhamento de pessoas para processos seletivos, por sua vez, avançou 75%.

Ao citar dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), Albuquerque destaca que o saldo do Amazonas entre janeiro e abril é “altamente positivo” e traz boas perspectivas. Foi o terceiro levantamento seguido com dados positivos em todas as comparações e que os segmentos que mais fortes – indústria, construção civil e serviços – foram os que mais contrataram.

Em relação a março, o saldo avançou 0,37%, impulsionado pela criação de 1.643 empregos formais. Em 12 meses, a diferença entre contratações e demissões aumentou a margem, levando o Estado a abrir 8.864 vagas, com alta de 2,02% sobre o estoque anterior. Em quatro meses, o incremento foi de 2.667 postos de trabalho, gerando alta de 0,60% em relação ao estoque anterior.

“Em 2018, tínhamos um cenário bem desfavorável, com um número muito maior de desligamentos do que de admissões. O cenário de 2019 é bem melhor. E é importante destacar que o primeiro semestre é bem mais fraco em relação a contratações. Isso nos dá razão para sermos otimistas de que a tendência é de aquecimento e de aumento de vagas em comércio, indústria e serviços, nos próximos meses”, afiançou.

Vagas técnicas

Indagado sobre a ausência de profissões em setores de tecnologia – uma demanda constante no PIM – ou cargos de direção, Albuquerque explicou que os profissionais que buscam uma colocação nessas áreas geralmente não procuram o Sine porque as empresas também não disponibilizam essas vagas. O secretário executivo da Setrab avalia que, a partir do momento em que a oferta surgir, a procura deve seguir esse movimento e crescer.

“Precisamos das empresas para ofertar as vagas nessas áreas, pois a oferta de vagas atrai os profissionais que precisam de recolocação no mercado. Infelizmente, por não saberem que temos uma excelente ferramenta de intermediação de mão de obra, e que o serviço é totalmente gratuito para qualquer pessoa jurídica, acabam buscando esses profissionais diretamente ou através de RH’s privados, o que impacta em custos na contratação”, finalizou.

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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