Após alguns dias vivendo a realidade de uma zona rural no município de Manaus, ouvindo e conversando com os moradores da Comunidade São João do Tupé, revi meu pensamento sobre a necessidade daquela comunidade em ter o fornecimento de energia elétrica estabelecido. Nós, moradores da “cidade grande” acreditamos, inocentemente, que todos os moradores das zonas rurais de Manaus sentem as mesmas necessidades materiais que sentimos, como por exemplo, possuir vários aparelhos eletrônicos espalhados pela casa, como se fossem objetos de decoração e de pouco uso, uma vez que a maioria de nós chega em casa, praticamente, na hora de dormir.
Sabe-se que o programa “Luz para Todos” estabelece em seu artigo primeiro que até o ano de 2008, parcela da população do meio rural brasileiro, que ainda não possui acesso á energia elétrica, deve ser contemplada. Sabe-se ainda, que o programa não conseguiu sequer garantir sua aplicação em 30% das famílias indicadas pelo IBGE.
Estamos no último ano do programa e ao que parece Manaus espera reverter estes números, pois em solenidade realizada no dia 9 de fevereiro deste ano, o Prefeito do Município de Manaus, juntamente com o representante do Programa Luz para Todos entregaram para os representantes das Comunidades do Julião, Agrovila e Livramento, a licença ambiental dando permissão para a Manaus Energia iniciar a instalação de uma rede de abastecimento de energia elétrica naquelas comunidades, num primeiro momento.
Na ocasião, dentre vereadores, secretários, assessores e curiosos, se encontravam alguns moradores das seis comunidades da RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) do Tupé, pessoas que serão fortemente afetadas por este aparente progresso. Promessas foram feitas e os moradores agora esperam ansiosamente pela “chegada do progresso”. Concordo que a energia elétrica irá beneficar em parte aquelas comunidades, concordo também, que a energia elétrica, para alguns moradores, é questão de sobrevivência, de conservação de alimentos e bebidas, de fonte de informação e desinformação, de “inclusão” social, na medida em que se sentem integrados ao resto do mundo através dos noticiários, filmes e novelas. Porém, por detrás da prosperidade prometida com a chegada da luz, pode-se imaginar acontecimentos indesejáveis para as comunidades da Reserva, tais como, uma rápida migração de moradores de interiores do Amazonas e de Manaus para aquelas áreas. O que já ocorre em menor proporção. O temor é que a Semma não consiga conter tal migração, já que não dispõe de pessoal suficiente para o monitoramento e fiscalização de uma Reserva de quase 12.000 ha, como é a do Tupé, por mais que tenha boa vontade, funcionários capacitados e diligentes, será a luta de centenas contra dezenas.
O progresso muitas vez traz o regresso da convivência familiar é do diálogo, já que a família se reunirá na frente da televisão para ver e ouvir coisas a respeito de um mundo que nós não precisamos, coisas de um mundo irreal, ilusório e que com o passar do tempo trará a frustação, pois o progresso não é consequência da falta ou da ausência de energia, mas sim, de ações concretas, estudadas e integradas com a comunidades envolvidas. As ações precisam ser pensadas e elabororadas de acordo com cada particularidade regional, precisam nascer do centro para o todo e não de cima para baixo, e dadas para comunidades como se fossem receitas de bolo, entretanto, o que é bom para uma, pode não ser bom para as outras.
A promoção do desenvolvimento sustentável das populações que habitam a área da Reserva do Tupé, o combate á pobreza e à melhoria das suas condições de vida não se restrige a uns poucos quilômetros de fios condutores de energia elétrica instalados. O progresso é algo mais abrangente, é o melhoramento gradual das condições econômicas e culturais de uma comunidade. E infelizmente a energia elétrica, por si só, não é suficiente para este acontecimento.
Na Comunidade de São João do Tupé, há energia elétrica por quatro horas diá
Onde a falta de luz não faz falta
Em: 29 de fevereiro de 2008
Após alguns dias vivendo a realidade de uma zona rural no município de Manaus, ouvindo e conversando com os moradores da Comunidade São João do Tupé, revi meu pensamento sobre a necessidade daquela comunidade em ter o fornecimento de energia elétrica…
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Veja também

Grammy Latino 2026: Anitta, Marina Sena e Ana Castela são artistas brasileiras indicadas
16 de setembro de 2026

Lula chama Trump de ‘amigo’ e diz que o alertou para não interferir nas eleições do Brasil
16 de setembro de 2026


STF retoma sesões após suspensão de casos Moraes e Mendonça
16 de setembro de 2026

Mark Zuckerberg critica apelos para desacelerar desenvolvimento da IA
16 de setembro de 2026

Cantora Mahmundi faz show no Encruzilhada Bar neste sábado (19/09)
16 de setembro de 2026

Mercado de beleza se divide entre preços baixos e luxo
16 de setembro de 2026

90% dos brasileiros mudam hábitos de compra para economizar
16 de setembro de 2026