“Operação Lava Jato vai interferir nas eleições”

Em: 26 de agosto de 2016

Dando sequência à série de entrevistas com os prefeituráveis de Manaus, o Jornal do Commercio, conversou com o candidato Henrique Oliveira do partido Solidariedade – 77. O atual vice-governador do Amazonas entra na disputa a prefeito de Manaus com a coligação “Para Manaus Vencer” formada por três partidos: SD-PRTB-PMB, tendo como seu vice, o jovem Alessandro Bronze, quase “marinheiro de primeira viagem”.
Oliveira soltou o verbo, diz como funciona os bastidores do poder. Segundo ele, com as novas regras da minirreforma eleitoral, “quem vai ganhar é quem cometer menos erros e quem tiver próximo ao povo”. Sobre a operação Lava Jato interferir, ainda, no resultado das eleições 2016, Oliveira é categórico em dizer que se depender dele, sim vai interferir no processo eleitoral, em Manaus.
Jornal do Commercio: Por que o vice-governador entrou Na disputa para prefeito de Manaus e, ainda sendo adversário do candidato que tem o apoio do governador do Estado?
Henrique Oliveira: Nós temos uma decisão do Solidariedade, de nível nacional, de fortalecimento do partido, que talvez, só perca para a Rede, para o Novo em relação aos registros dentro do TSE. Além dessa intensão de fortalecimento do partido, em que eu sou presidente regional, nós sabemos da necessidade de novos quadros na política regional, não tem como estarmos satisfeitos com o processo político vendo que se não entrarmos no processo corre o risco do Arthur Neto ser reeleito.

JC: Como o senhor pretende mudar a cidade se for eleito?
HO: Então, eu sou acima de tudo, cidadão que vivo aqui na cidade. A intensão é de entrar no processo e convidar as pessoas para participarem conosco, estando neste processo ativamente e não passivamente esperando o aumento da passagem, esperando que essas pessoas que estão aí consigam resolver os problemas que até hoje não conseguiram. Arthur Neto foi prefeito lá atrás, o Serafim já foi prefeito lá atrás e agora eles tentam novamente e tem que ter um basta nisso tudo. Não tem como deixar que aventureiros ou que pessoas que nitidamente já foram reprovadas pelo voto popular voltem a tentar vender essa falsa ilusão de que vão conseguir resolver os problemas da cidade.

JC: Em Manaus já virou tradição não reeleger os seus prefeitos. Como o senhor avalia esse fato e a questão da continuidade no poder?
HO: Isso é salutar em outras capitais como, por exemplo, em Porto Alegre (RS). Existe a mesma tradição de não reeleger. Nós vemos lá as mudanças sendo feitas de quatro em quatro anos porque existe um rigor muito grande na prestação de contas do que foi prometido, do que foi cumprido ou se não foi cumprido. Não adianta o estadista, ou o majoritário, ou ainda o administrador público chegar ao final dos três anos e meio, por exemplo, e querer dizer você precisa me reeleger porque eu preciso de mais tempo para poder mostrar serviço. Na verdade isso aconteceu com o Serafim, que foi o único prefeito das capitais brasileiras que não conseguiu se reeleger. O Amazonino teve que inventar uma doença para poder desistir do pleito. O Arthur amarga péssimos níveis de popularidade, muito pouca gordura para poder levar adiante, chegar ao segundo turno e ganhar. Mas o que mostra é um desconforto total da cidade que, além de quente e que proporciona esse desconforto térmico para todos nós, somos obrigados a sentir na pele, principalmente, quem depende do serviço público. A população não se conforma, e cabe a ela avaliar e decidir na urna.

JC: Dentro desse cenário de nove candidatos disputando a prefeitura de Manaus, o senhor aposta no segundo turno?
HO: Esse desconforto favorece a todos os candidatos. Hoje com o advento da internet, com o desgaste da classe política quem tiver menos rejeição tem uma grande possibilidade de chegar ao segundo turno. Manaus é cidade-estado, mas conseguimos percorrer toda a cidade e também reverberar pelos meios de comunicação ou através de uma caminhada, de um debate se consegue atingir a cidade inteira. E até o dia 2 de outubro quem tiver menos desgaste, menor rejeição e tiver a ficha limpa, o passado limpo, demonstrar vigor e disposição para atender os anseios da população terá maior chance. Resumindo: Quem vai ganhar é quem cometer menos erros e quem tiver próximo ao povo.

JC: Neste ano, com a minirreforma eleitoral já em vigor, a propaganda negativa e a difamação estão sendo amplamente combatidas para que seja uma campanha limpa. Qual a sua expectativa para o próximo debate em setembro?
HO: Nós não vamos poupar os nossos adversários de mostrar e de propagar os seus erros. Isso aí é pedir demais. Lógico que não vamos baixar o nível, mas nós vamos fazer de maneira espirituosa, de forma elegante, engraçada, lúdica. Porém, precisamos abrir os olhos da população, sacolejar alguns segmentos que às vezes estão adormecidos dizendo: você merece muito mais do que isso que está aí. É preciso fazer um comparativo com o resto do país, com cidades que com muito menos fazem muito mais pela população.

JC: Como o senhor vê os desdobramentos do processo de cassação do mandato do governador José Melo, no qual o senhor figura como sendo o vice na chapa?
HO: Essa é uma coisa que me acompanha desde o primeiro momento em que fui candidato eleito com 35 mil votos, sendo o candidato eleito, proporcionalmente, mais votado do país. Eu até brinco que as pessoas tentam me cassar com dois esses, mas na verdade eu sou caçado sempre com cê-cedilha, porque ninguém se conforma com as minhas votações cada vez maiores. Nessa situação a que você se refere ao governador, houve uma cassação no TRE-AM, vai ser julgado pelo TSE e ainda tem o STF que pode julgar tudo isso. O julgamento não foi concluído, mas vamos pensar no pior que a coisa tenha realmente um desfecho desfavorável para a chapa, vamos perder o mandato. O Melo perde o mandato, consequentemente, eu perco o meu mandato de vice-governador, mas já existe a jurisprudência e a leitura clara de que se houve o crime, no momento lá atrás ou pelo governador na captação do sufrágio, eu não fazia parte do grupo, eu era deputado federal. Eu não faço parte do inquérito e a minha elegibilidade é intocável.

JC: É comum durante o processo eleitoral surgir a figura de um candidato apenas para descentralizar a disputa, e levar a decisão para o segundo turno. O senhor acredita nessa hipótese nas chapas adversárias?
HO: Olha, o Marcelo foi escolhido pelo ex-governador, hoje senador Omar Aziz como opção de substituição após o rompimento com o Arthur. Ele tinha a opção de nos apoiar, eu acredito até que a opção primeira seria o nosso apoio. Tinha também a candidatura do Silas Câmara que faz parte do mesmo grupo, mas ele optou pelo Marcelo e eu respeito a posição do senador. Não acho tão ruim, sinceramente, não acho porque não macula a minha candidatura de ser totalmente isento, de não ter grandes grupos nos apoiando.
Nós não temos tempo de televisão, infelizmente, nosso tempo é muito reduzido, nós temos 25 segundos por dia, três inserções num dia e quatro no outro. Mas é normal que as forças do poder tenham um magnetismo muito grande: a prefeitura, o governo do Estado e o Senado. Um ex-governador como o Omar tem um poder de magnetização partidária muito grande e eles atraíram para si.
O Arthur conseguiu os partidos porque na prefeitura existe um cabide de emprego que é distribuído para os líderes partidários, não tem nem dúvida, é distribuído. Têm partidos que recebem uma cota de servidores de gabinete para que na época da eleição isso seja dado o troco, porque tempo de televisão é ouro para os candidatos. Principalmente, para candidatos que estão no poder, como o Arthur.
Eu estou te contando com transparência a questão da política, porque não adianta esconder isso. Pode ser que eu tenha esse mesmo magnetismo daqui a pouco, não vou agir da mesma forma distribuindo os cargos, mas eu preciso dos partidos para que possamos ter base para trabalhar. É fundamental que as pessoas me ajudem e os cargos comissionados que a prefeitura tiver, vão ser ‘escolhidos a dedo’ para que sejam pessoas, realmente, competentes e que trabalhem, verdadeiramente.

JC: E, a operação Lava Jato pode interferir, ainda, no resultado das eleições?
HO: Vai interferir. Se depender de mim vai interferir, porque nós vamos mostrar, com clareza, quem é quem nesse processo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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