A atual política brasileira passa por um momento de desconstrução fomentada pela Operação Lava Jato, que foi instituída para combater a onda de corrupção que assolou o país. De acordo com o professor de marketing no curso de Administração da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Afrânio Soares Filho, a hora da reconstrução daquele conceito de orgulho político começa nas eleições, com o povo decidindo nas urnas. “A classe política está vivendo uma espécie de momento de baixa cotação. Tudo muito generalizado, sem ter adquirido fronteiras claramente definidas entre políticos da Lava Jato e outros, tudo parece ser igual”, analisou. Na bancada do Amazonas, em Brasília (DF), representantes da classe política valorizam esse sentimento de patriotismo, independente do resultado final da Lava Jato.
Quanto ao político ter orgulho de ser brasileiro, o professor explica que esse é o momento do judiciário se orgulhar e do político corrupto dar explicações, na Lava Jato. “Patriotismo fica mais para um orgulho pelo trabalho do judiciário. Especialmente do juiz Sérgio Moro. Já, sobre as eleições Soares está apreensivo com a possibilidade de haver propaganda eleitoral negativa. “Penso que a Lava Jato só será usada para atacar adversários. Isto deve ser meio que a tônica dos marketeiros de plantão”, lamentou.
Mas, quando o assunto é falar sobre o trabalho de marketing pessoal para adequar o candidato às novas regras da minirreforma eleitoral e transparecer esse lado patriota, seja no corpo a corpo com o eleitor ou pelas mídias sociais, Soares dá algumas dicas: “Existe a figura do media training que procura preparar o candidato para debates, na performance frente as câmeras e ao eleitor. Alguns têm o apoio deste profissional”, disse.
Resumindo, as campanhas melhor estruturadas conta com uma gama de profissionais de apoio, marketing, pesquisa, jurídico, estratégia e trabalho de campo, principalmente, neste momento de transição de regras e normas, visando às eleições 2016. “Quanto às regras da minirreforma o mais adequado é uma boa assessoria jurídica. Para evitar deslizes quanto a prazos, prestação de contas, o que pode ou não fazer quanto à comunicação”, concluiu.
É golpe contra a Lava Jato
Direto de Brasília (DF), a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), ratificou o avanço ao combate à corrupção no Brasil, graças à Lava Jato. “Esse é um questionamento profundo e pertinente. Não tenho dúvidas que o combate à corrupção avançou muito nos últimos anos. Há alguns anos, a Operação Lava Jato não seria possível”, ratificou.
Segundo a senadora, até então “não havia estrutura nem um arcabouço legal suficientes”, no entanto, Vanessa continua dizendo que o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, que caminha para a fase final de julgamento, é um golpe. Só que desta vez trata-se de um golpe contra a Lava Jato. “Por outro lado, é bom que se diga que o golpe parlamentar em andamento contra a presidente Dilma tem como um dos principais objetivos acabar com essa operação, isso quem disse foi o senador Romero Jucá, ex-ministro de Temer. Aliás, o que estamos vendo hoje vai justamente nessa direção. Entre os próprios promotores há o sentimento de que eles foram usados para afastar a presidente legitimamente eleita pelo voto popular”, disse.
Para concluir a senadora Vanessa mostra seu lado patriota e afirma que o povo brasileiro não tolera mais a corrupção, independente dos resultados da Operação Lava Jato. “Portanto, tenho orgulho de ser brasileira. Somos um povo vitorioso, que superou dificuldades e desigualdades nos últimos anos e que derrotou o arbítrio. Tenho orgulho de ser brasileira, pois independente dos resultados da Operação Lava Jato, nossa sociedade não aceita que a corrupção persista”, finalizou.
Na visão do deputado federal, Pauderney Avelino (DEM), a operação Lava Jato tornou-se uma esperança para milhares de brasileiros que querem ver o país livre da corrupção montada pelo PT com objetivo de se perpetuar no poder. “A Lava Jato representa a ação mais tangível por uma força-tarefa, que desarmou uma verdadeira bomba de corrupção. Estamos a poucos dias do final deste governo moribundo, mas o julgamento do Senado nos mostra o quanto precisamos evoluir na política no país”, enfatiza.
Segundo Avelino, políticos aliados a Dilma continuam apostando na teoria de que o país vive um golpe, mas que essa estratégia política é equivocada. “Senadores ligados a presidente afastada Dilma Rousseff insistem em afirmar que estamos vivendo um golpe, o que não é verdade. Todo o processo está sendo acompanhado pela Suprema Corte do país, tanto que é conduzido pelo ministro Ricardo Lewandowski. É preciso evoluir, respeitar as leis, mostrar que os poderosos não estão acima da lei e a Lava Jato nos mostrou isso”, conclui.







