Com as denúncias de pedofilia ganhando nova força na
mídia nacional e envolvendo o deputado estadual,
Fausto Souza (PSD), o assunto volta a repercutir na
Aleam (Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas).
Autor e coautor do pedido de CPI da Pedofilia, o
deputado Luiz Castro (PPS) José Ricardo (PT) pretendem
pedir nova votação para que a CPI seja realizada antes
das eleições. Além disso, parlamentares cobram um
posicionamento da mesa diretora da Casa sobre o
possível envolvimento do deputado.
Matéria divulgada pelo programa Fantástico, da Rede
Globo, mostra gravações em que supostamente o deputado
Fausto Souza aparece contratando menores para a
realização de favores sexuais. O deputado acusado
divulgou nota onde alegou ser inocente e informou que
já apresentou sua defesa sobre o caso, que corre em
segredo de justiça.
“Quero esclarecer a minha versão sobre os pretensos
fatos (simulados), onde meu nome aparece como
envolvido em rede de prostituição infanto-juvenil no
Amazonas. Primeiro quero me desculpar com minha
família, parentes, amigos e dizer que o processo corre
em segredo de justiça, onde já apresentei minha defesa
para provar a não participação no caso. Já fui ouvido
pela CPI da Pedofilia da Câmara Federal, e também
posso ressaltar que assinei a abertura da CPI da
Pedofilia da Aleam. Estou apresentando minha defesa no
caso”, diz a nota.
Para o deputado Luiz Castro, autor do pedido de CPI da
Pedofilia, a mesa diretora deve solicitar
imediatamente todo processo da operação Estocolmo e se
manifestar sobre o ocorrido. “A Aleam precisa estar
assenhoreada de todas as informações do processo e a
Comissão de Ética e Corregedoria tem que promover sua
própria investigação. Também vamos propor a
rediscussão de instalação da CPI de imediato”, conta.
O Jornal do Commercio tentou entrar em contato com o
corregedor da Casa, deputado Ricardo Nicolau (PSD),
mas sua assessoria informou que ele estava em viagem
pelo interior e só se manifestaria após o retorno. O
presidente da Comissão da Ética da Aleam, deputado
Vicente Lopes (PMDB) também não foi encontrado pela
reportagem.
O deputado José Ricardo, defende que ainda há tempo
para que a CPI se inicie antes das eleições. “Não é um
projeto. Todos deputados assinaram concordando. O
pedido foi apresentado e recebido. Setor jurídico
considerou correto e legal. Iremos insistir, para que
nova votação seja feita, para que a CPI comece já”,
destaca.
Para cientista político, pedofilia é a nova corrupção
Denúncias de pedofilia em vésperas de período
eleitoral são comuns no Amazonas. Nas eleições de 2010
o assunto também ganhou grande repercussão na mídia e
nos debates políticos. Na época a justiça chegou a
proibir que algumas propagandas eleitorais fossem
vinculadas sobre o tema e várias pessoas chegaram a
ser presas em virtudes de denúncias de abuso sexual de
menores.
Para o cientista político, Breno Rodrigo Messias
Leite, a pedofilia tomou o lugar da corrupção nos
debates pré-eleitorais. “Pedofilia é sempre um
instrumento de repercussão eleitoral muito forte.
Algum tempo atrás era a corrupção um tema muito
recorrente em época de eleição. Hoje em dia a
sociedade tem a visão que todo mundo tem mais ou menos
a ‘mão suja’ esse tema perdeu importância”, comenta.
Para o especialista, com o descrédito que a sociedade
apresenta em relação ao trabalho dos políticos,
recorrem a assuntos pertinentes a questões morais da
sociedade são as novas estratégias traçadas pelos
políticos. “Pedofilia, prostituição, consumo de
drogas. Esses temas têm aparecido muito mais nas
pautas eleitorais estaduais e municipais. Esses temas
morais que atingem o íntimo das pessoas tem se tornado
uma regra. Foram levantados na ultima eleição, estão
sendo nessa e serão nas próximas por um bom tempo”,
comenta.
Bruno explica que há um processo de ‘americanização’
no país que atinge inclusive as eleições. “Essas
questões morais são muito fortes nas eleições norte
americanas. Por exemplo, o Bill Clinton, ia perder o
mandato por que tinha transado com a secretária. Como
aqui no Brasil isso não causaria tanto impacto, temas
como pedofilia ganham as manchetes nesse período. O
que, na verdade, deveria ocorrer todo ano”.
O especialista também se coloca a favor da decisão da
Aleam, que adiou por 12 votos a 9 a CPI da pedofilia
no início do mês. “Analisando o viés político foi a
decisão mais acertada. Nessa época nenhum parlamentar
está produzindo e acompanhando CPI, estão em campanha.
Seria um desperdício de recursos públicos se ter uma
CPI agora. Resultados seriam comprometidos. Decisão do
ponto de vista política e orçamentário é bem mais
prudente. Mas claro que a sociedade quer uma
resposta”, ressalta.
Para o deputado Luiz Castro, a questão não influencia
na necessidade de se investigar os crimes e na
participação da assembléia. ‘Investigar tem que ser
sempre, não interessa e época. Não pode estabelecer
tempo para se investigar e não se investigar. É
possível conciliar. Se houver vontade política as
eleições não inviabilizam. Nosso dever ta acima desse
incomodo.
Sobre os impactos que as denúncias podem ter nessas
eleições, Bruno afirma que é difícil prever, pois
historicamente a justiça acaba por não realizar os
julgamentos há tempo e acabam gerando dúvidas sobre
quem é o culpado e quem se utiliza do artifício para
praticar calunia. “A população encara da seguinte
forma: Teve a denúncia, mas não foi condenado, veem
como tramóia política. Quando há a condenação
explícita o efeito é muito melhor. Aqui fica no boca a
boca. Se sabe que há políticos e empresários
envolvidos, mas cai em descrédito em função da nossa
justiça. População acaba de certa forma sendo
conduzida por essa desinformação”, conclui.







