Os produtores e a farinha nossa de cada dia

Em: 15 de abril de 2013
O editorial de ontem deste JC foi muito bem recebido por produtores do interior, que se apressaram em procurar o jornal para detalhar o sofrimento que enfrentam no dia a dia.
O editorial de ontem deste JC foi muito bem recebido por produtores do interior, que se apressaram em procurar o jornal para detalhar o sofrimento que enfrentam no dia a dia.

O editorial de ontem deste JC foi muito bem recebido por produtores do interior, que se apressaram em procurar o jornal para detalhar o sofrimento que enfrentam no dia a dia.
Eles dizem claramente que são dois os problemas mais urgentes: a falta de sementes e, principalmente, a logística.
Estariam aí nesses dois gargalos a explicação para a explosão do preço da farinha nossa de cada dia. A enchente, segundo eles, prejudica a plantação da maniva, matéria prima para a fabricação do produto. Como não existem sementes em estoque, para continuar produzindo eles têm que pagar frete para busca-las no Baixo Amazonas, única região do Estado onde ainda se encontra esse tipo de insumo. E não sai barato.
Por outro lado, não existe incentivo para o escoamento da produção, que muitas vezes se estraga porque as embarcações que passam pelas comunidades, em número reduzidíssimo, já vêm lotadas.
Seria o caso, portanto, do governo pensar em abrir linhas de crédito especiais para a aquisição de sementes e acelerar o processo de instalação do polo naval, de forma a garantir que mais embarcações singrem nossos rios recolhendo a produção, que acaba se estragando.
Pior ainda: desmotivados pela falta de logística e de sementes, estes mesmos produtores estão migrando para uma atividade que, se crescente, pode colocar em risco nossa cobertura vegetal: a pecuária.
Com o gado, não existe desperdício e o lucro é mais do que certo. O problema é que, para cria-lo, faz-se necessário abrir pastos. E é aí que mora o perigo. As plantações estão dando lugar aos gramados. E as árvores também.
Se não houver uma reação imediata do setor produtivo, logo, logo os organismos internacionais vão perceber a mudança de cultura e aí até a Zona Franca de Manaus pode ser colocada em risco, já que o principal argumento da sua manutenção é a preservação ambiental que ela proporciona.
É preciso abrir o olho.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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