Após seis meses de queda, o otimismo dos empresários do comércio de Manaus voltou a dar sinais de recuperação em setembro. A conclusão vem dos dados da pesquisa do Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio), divulgada nesta quarta (25), pela CNC (onfederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).
O indicador cravou 133,4 pontos em Manaus e subiu 1,99% em comparação com agosto (130,8). Foi o melhor resultado em quatro meses, após o período de quedas seguidas experimentado a partir de fevereiro (140,2). Em relação a setembro do ano passado (119,2), houve crescimento de 11,91%. No Brasil (119,1), as expansões foram de 1,3% e de 12,3%, respectivamente.
Apurado entre os tomadores de decisão das empresas, o levantamento avalia condições atuais, expectativas de curto prazo e intenções de investimento dos comerciantes. Pontuações abaixo de 100 representam a zona de insatisfação, enquanto acima de 100 e até 200 é considerado de satisfação. A CNC sondou aproximadamente 6.000 empresas de todas as capitais do país – 164 delas, em Manaus.
Todos os subíndices do Icec apresentaram elevação em relação ao ano passado, com destaque para “condições atuais da economia/CAE” (+37,5%). No confronto com agosto, apenas a “expectativa das empresas comerciais/EEC” (-0,6%) e a “situação atual dos estoques/SAE” (-1,2%) sofreram variações negativas. A maior pontuação veio da EEC (171,2 pontos) e a menor, da SAE (98,9) – a única a ficar na zona de insatisfação.
Especificamente sobre a situação atual da economia – o subindicador que registrou a maior alta na comparação com setembro de 2018 –, a maioria absoluta (51,3%) dos entrevistados em Manaus considerou que “melhorou um pouco”, avaliação majoritária tanto nas empresas com até 50 funcionários (51,2%) quanto nas que contam com contingente superior (53,8%). Mas, 21,7% do empresariado local avalia que a situação “piorou um pouco”, sendo que os pessimistas (36,3%) praticamente empatam com os otimistas (37,5%) no segmento comercial de produtos semiduráveis.
A avaliação do empresariado sobre o setor (115,7 pontos) avançou muito em 12 meses (92,6), saindo da zona de insatisfação para a de satisfação. A maioria acha que a situação atual “melhorou um pouco”, principalmente aqueles que estão à frente de empresas com mais de 50 funcionários (57,7%) e que comercializam bens duráveis (56,4).
Em relação às condições da empresa, 51,2% consideram que “melhorou um pouco” e a avaliação é mais positiva no grupo de estabelecimentos com menos funcionários (51,6%) e que trabalha com bens duráveis.
Empregos e investimentos
As expectativas para a economia brasileira são pouco (49,1%) e muito (45,8%) positivas para a maioria esmagadora dos empresários comerciais de Manaus. A situação é ainda melhor no que se refere às projeções para o setor (42,8% e 51,5%, respectivamente) e para o desempenho do próprio negócio (41,5% e 53,5%).
O otimismo de médio e de longo prazo se reflete nas intenções de contratar pessoal na maioria das empresas sondadas na capital amazonense: 56,1% dizem que o contingente deve “aumentar pouco” e 19,9% garantem que vai “aumentar muito”. O mesmo não pode ser dito das intenções de investimentos: 36,1% dizem que vai ser “um pouco maior”, mas 30,2% acham que será um “pouco menor”.
“Os números estão dentro das nossas previsões. A pesquisa anterior já apontava para um quadro mais positivo. Quanto aos estoques, o comércio começa a comprar antecipado para as festas de fim de ano, embora não descarto a possibilidade de que as expectativas dos empresários ainda não tenham se concretizado nas vendas”, arrematou o assessor econômico da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva.
Intenção de consumo
Em texto distribuído à imprensa, a CNC destaca que um ponto que contribuiu para o aumento da confiança no futuro foi o avanço de 0,3% na pesquisa do ICF (intenção de consumo das famílias) da mesma entidade, com crescimento mensal de 1,1% nas perspectivas de consumo. Outro ponto levantado é a alta de 0,4% no PIB do segundo trimestre de 2019.
“O estudo deste mês revela uma percepção mais otimista dos empresários, tanto em relação ao futuro quanto ao momento atual. Mesmo tímido, o crescimento da economia e do comércio, aliado ao comportamento mais positivo dos consumidores, contribuiu para esse cenário”, concluiu o presidente da CNC, José Roberto Tadros.







