Otimista dá adeus ao governo

Em: 10 de setembro de 2014
Mantega vai deixar pasta da Fazenda, mas entra para história da economia brasileira
https://www.jcam.com.br/FOTO_10092014 A8.jpg
Mantega vai deixar pasta da Fazenda, mas entra para história da economia brasileira

A presidente Dilma Rousseff confirmou na última segunda-feira que, após mais de oito anos no cargo, o ministro da Fazendo, Guido Mantega, deixará a pasta em um eventual segundo governo “por questões pessoais”.
“Eu vi depois que falei ‘equipe nova e governo novo’ que as pessoas fizeram várias ilações sobre o Guido Mantega. Ele comunicou que não tem como ficar no governo no segundo mandato por questões pessoais e eu peço para vocês respeitarem”, afirmou Dilma, em sabatina realizada pelo jornal O Estado de São Paulo no Palácio da Alvorada, em Brasília.
Na semana retrasada, Dilma indicou que manteria Mantega à frente da pasta ao ser questionada sobre a permanência do ministro.
Mas, na última quinta-feira, durante evento de campanha em Fortaleza, ela deu sinais que iam na direção contrária: “Eleição nova, governo novo, equipe nova”, afirmou ela.
As declarações foram feitas uma semana depois da notícia de que o Brasil tinha entrado na chamada “recessão técnica” (dois trimestres seguidos de crescimento negativo) e em meio a pesquisas eleitorais que indicam empate técnico entre Dilma e a candidata Marina Silva, do PSB, no primeiro turno.
Mas não é de hoje que Dilma vem sendo pressionada por alguns setores a demitir Mantega. Há alguns anos, o ministro caiu em desgraça aos olhos dos mercados, investidores e alguns empresários.
Em dezembro de 2012, a revista britânica The Economist chegou sugerir que Dilma demitisse o ministro com vistas à reeleição: “Quebra de confiança: Se quer mesmo um segundo mandato, Dilma Rousseff tem de mudar a equipe econômica”, defendeu a publicação.
Na ocasião, a presidente veio a público para defender Mantega. “Em hipótese alguma o governo brasileiro, eleito pelo voto direto e secreto dos brasileiros, vai ser influenciado por uma opinião de uma revista que não seja brasileira”, afirmou.
Hoje, ao lembrar o episódio, Michael Reid, editor para as Américas da Economist, e autor de Brasil: A Ascensão Turbulenta de uma Potência Global, diz que os dados indicando “baixo crescimento, inflação refratária e investimentos em queda” falam “por si só”.

Desenvolvimentista
Identificado com a corrente dos economistas desenvolvimentistas, Mantega é o ministro da Fazenda que ficou mais tempo no cargo.
Ele foi nomeado ministro do Planejamento no primeiro governo Lula, em 2003, quando ajudou a impulsionar o projeto das PPPs (Parcerias Público Privadas).
Em 2004, passou para a presidência do BNDES. A entrada na Fazenda ocorreu em março de 2006, após a saída de Antônio Palocci -em meio ao escândalo envolvendo a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa.
A atuação de Guido Mantega à frente da economia não tem sido somente alvo de críticas. O ministro foi elogiado por ter, segundo alguns economistas, evitado que o Brasil sofresse os efeitos da crise mundial.
Em 2008, Mantega foi um dos arquitetos da política anticíclica que ajudou a reduzir os efeitos da crise internacional sobre o Brasil. Dentro dessa estratégia, o governo expandiu seus gastos e investimentos e ampliou o crédito dos bancos públicos, estimulando o consumo.
Para o economista André Biancarelli, da Unicamp, “esse pode ser considerado um dos grandes acertos de Mantega”.
“Hoje existe certo consenso de que essa estratégia ajudou a impedir que o país fosse arrastado pela crise”, diz.

Por dentro

Dados Pessoais

3 65 anos
3 Economista, ministro da Fazenda
3 Graduado em Economia pela USP, com doutorado em Economia pela mesma universidade
3 Nasceu em Gênova (Itália)
3 Casado, pai de 3 filhos

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar