O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse na terça-feira que o governo estuda formas para garantir que a Petrobras não seja prejudicada nas futuras licitações de blocos do pré-sal.
De acordo com o ministro, está em estudo a criação de um mecanismo que possa garantir de alguma forma que, mesmo se a estatal não tiver sucesso nos leilões, ela seja contemplada de alguma forma. “Busca-se uma forma para que a Petrobras não seja prejudicada, e nem privilegiada. Temos que fazer com que de algum modo ela seja contemplada, mas acho até que isso não será necessário”, afirmou.
Lobão não explicou como isso será feito, mas disse que não se trata de reserva de mercado. Para reforçar o discurso de que o governo defende a empresa, enquanto a oposição quer prejudicá-la, as novas normas devem autorizar que a futura estatal do setor escolha a Petrobras como sua “parceira preferencial”.
Havia críticas no governo, principalmente do Ministério da Fazenda, a esse tipo de mecanismo, sob o argumento de que ele poderia gerar irregularidades nessa escolha.
Para driblar essa resistência, que ainda persiste, a exceção valeria apenas para a Petrobras. Inicialmente, a ideia é que a futura estatal pudesse ter essa liberdade para escolher quem ela quisesse como parceira preferencial, sem passar pelo processo de licitação.
Segundo um auxiliar presidencial, a definição de que apenas a Petrobras possa ser a escolhida praticamente acaba com o risco de corrupção nesse processo. A palavra final será dada por Luiz Inácio.
No início dos estudos, o Palácio do Planalto tinha uma posição crítica em relação à Petrobras. Auxiliares de Lula diziam que a estatal não iria ganhar tudo que defendia na definição das regras. Agora, dentro do governo, a empresa é lembrada como a ‘madrugadora’ do pré-sal e um ‘símbolo do crescimento brasileiro’, a ser preservado e fortalecido.
Ao ser escolhida como parceira preferencial, a Petrobras teria de seguir os parâmetros definidos pela nova estatal do setor -como a parcela da produção que ela teria de transferir para o governo federal. Caso contrário, o campo irá a leilão. Ainda dentro do discurso para se contrapor às críticas da oposição, o governo definiu que a futura estatal será apenas uma administradora das reservas, com um ‘estrutura mínima e enxuta’, com a criação de salvaguardas para evitar seu ‘uso político’.
Barril mantém nível de US$ 68
O petróleo fechou próximo da estabilidade na terça-feira, em Nova York, e manteve o patamar de US$ 68 pelo segundo dia consecutivo. Na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), os contratos de petróleo cru para entrega em julho registraram recuo de 0,04%, aos US$ 68.5, em relação ao fechamento anterior, quando atingiu o preço mais alto registrado neste ano.
O barril do petróleo iniciou a sessão com queda de até 3% e chegou a cair até os US$ 66.48, mas se recuperou, motivado na maior parte por dados positivos que foram divulgadas sobre as vendas de casas nos Estados Unidos.
Segundo a entidade privada National Association of Realtors (Associação Nacional de Corretores de Imóveis), as vendas pendentes de casas nos EUA cresceram 6,7% em abril, em sua maior taxa desde outubro de 2001.
Números como esse ajudaram a aumentar a confiança dos mercados a respeito de uma possível recuperação da economia, que resultaria em um aumento na demanda por energia.
Na Europa, o preço do petróleo Brent fechou em alta no mercado de Londres, cotado a US$ 68.17. Em relação a segunda-feira, o barril da commodity para entrega no mês de julho, negociado na Bolsa Intercontinental de Futuros (ICE Futures, na sigla em inglês), subiu 0,29%.
A alta verificada na terça-feira foi mais suave que a registrada em sessões anteriores, já que investidores tiveram acesso a informações de que a produção de petróleo está aumentando, apesar de Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) sustentar o contrário.







