O consumidor vai pagar mais caro pelo preço do tradicional pão francês. O reajuste de preço que passa a ficar de 15% a 25% mais alto, é motivado em decorrência dos sucessivos aumentos nos valores das matérias-primas. O anúncio foi feito pelo presidente do Sindpam-AM (Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Amazonas), por meio de nota, após a realização da Assembleia Geral de Associados, realizada na Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas).
A nível de comparação, produtos como a farinha de trigo saltou de 13% em 2020, para 34% em 2021 e 22% em janeiro 2022, insumos e ingredientes (18% no ano 2021), energia elétrica (24,97% até outubro de 2021), variação cambial de 8,10% em 2021, reajuste do piso nacional de salários na ordem de 10,12%, mais aumento nos custos de material de embalagens e combustíveis.
Carlos Azevedo, presidente do Sindpam, explica que ao longo de 2021, as panificadoras reavaliaram seus custos e mantiveram os preços estáveis, com exceção de algumas que estavam com valores muito defasados em relação aos custos. “Todavia os aumentos já mencionados obrigam o setor ao reajuste de preços de seus produtos, nesta semana, de acordo com os custos de cada empresa associada”.
Ele também explica que as empresas de produtos panificados não realizam reajuste de preços desde 2020, e que com a pandemia não foi possível repassar esses aumentos para o consumidor, já que as vendas diminuíram.
O diretor do Sindpam Jonas Neves, reitera que as empresas passaram ao longo desses dois anos grandes dificuldades em razão da pandemia com as atividades econômicas reduzidas.
“Infelizmente as empresas terão que repassar esses valores. Esses reajustes fazem com que a composição do preço final, principalmente do pão francês, se eleve. Eu acredito que a maioria das empresas precisam praticar esse aumento, caso contrário vão trabalhar no vermelho e não terão condição de sobreviver”.
Conforme Neves, o aumento deve passar a valer a partir da próxima semana, dependendo de cada estabelecimento. “Cada um deve fazer o cálculo em suas planilhas e repassar o valor”.
O mercado em Manaus é muito amplo. São cerca de duas mil padarias, além de supermercados, mercadinhos e outros locais que vendem o produto. “Todas as empresas vão ter que ter esse impacto e devem se adaptar aos novos preços”.
Vale lembrar que os insumos seguem constantes reajustes, em função da variação do dólar, o Brasil não é autossuficiente na produção de trigo, tendo que importar o grão, principalmente da Argentina.
Carlos Azevedo informou que o setor já vinha segurando o preço do pãozinho, porém existe empresa, que sinalizava índice negativo em suas receitas. “A pandemia, fez com que as empresas tivessem redução de até 60% em suas receitas”
Opinião
O economista e presidente do Corecon-AM Marcus Evangelista, explica que todo negócio visa o lucro e esse lucro é advindo da diferença entre o custo e o preço de venda do produto. “Dentre vários aumentos , hoje recebemos a comunicação do aumento de pão de até 25%. Observando a sequência de vários itens que compõem o produto como matéria prima , transporte , insumos , câmbio e outros fatores percebe-se que não ocorreu um aumento da margem de lucro das panificadora e sim uma reposição do preço em função da defasagem causada pelos inúmeros aumentos durante o ano de 2020 e 2021. Levando em consideração todo o período sem reajuste, o valor apresentado é entendido e compreendido como uma maneira de reposição das perdas e sobrevivência das empresas desse segmento”, avalia.
Saiba mais
O Sindpam conta hoje com 54 associados, entre eles grandes panificadoras, como Panificadora Conde do Pão, Panificadora e Confeitaria Serpan, panificadora Lindopan Casa de Pães, Cinthia e Panificadora Eliza, entre outras.







