Paralisações preocupam empresários

Em: 16 de abril de 2012
Depois de duas paralisações seguidas dos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil e uma greve surpresa dos rodoviários, indústria e comércio temem que novas interrupções possam prejudicar ainda mais os setores em Manaus
Depois de duas paralisações seguidas dos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil e uma greve surpresa dos rodoviários, indústria e comércio temem que novas interrupções possam prejudicar ainda mais os setores em Manaus

Depois de duas paralisações seguidas dos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil e uma greve surpresa dos rodoviários, indústria e comércio temem que novas interrupções possam prejudicar ainda mais os setores em Manaus. Em uma época em que ambos os segmentos se encontram instáveis, movimentos como esses enfraquecem a tentativa de fortalecer a economia do Estado.
O presidente da FCDL-AM (Federeção das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas) Ralph Assayag, mostra preocupação ao tomar conhecimento sobre a hipótese de o transporte coletivo e a liberação de produtos na Alfândega pararem mais uma vez. “Em um momento crítico para as vendas, outras suspensões atrapalhariam a tentativa de reerguer o mercado ainda no primeiro semestre”, lamenta.
A Fecomércio/AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), CDL Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus) e Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) se manifestam negativamente em relação à possibilidade de novas paralisações nos dois setores. O vice-presidente do Cieam, Maurício Loreiro, garante compreender as reivindicações das classes, mas não concorda que as penalidades atinjam outros segmentos. “O que pudermos fazer para colaborar, faremos! Já nos colocamos à disposição para contribuir com a nossa força sindical”, destaca. Para ele, o importante é que a produção não pare.
Na última terça-feira (10), 500 mil pessoas ficaram sem ônibus na capital amazonense. Para as empresas, isso representa menos produtividade e perda significativa nas vendas. De acordo com Assayag, cada vez que um setor ao qual a sociedade tem dependência para, isso reflete diretamente no mercado. “O colaborador não consegue chegar ao trabalho; os que conseguem, pagam caro pelo transporte”, exemplifica. “Sem contar com o cliente, que não vai às compras diante de um caos instalado”.
Levando em consideração apenas os empresários do setor de transportes coletivos, houve perda de R$ 1 milhão devido à paralisação que durou aproximadamente sete horas. Para o comércio, o resultado foi de 30% de vendas perdidas.
No entanto, um dos líderes do movimento dos rodoviários, o motorista Anderson Lobato, demonstra mais revolta do que preocupação com os empresários. “Nada vai diminuir o que passamos diariamente. Agora veremos que tem mais prejuízo, se a classe ou a economia da cidade”, questiona.
O presidente da Junta Governativa do STTRM (Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus), Francisco Bezerra, ameniza a situação. Para ele, uma possível greve reflete muito mais o momento político do que a reivindicação de melhorias para os rodoviários. “Os trabalhadores envolvidos nesse processo estão sendo irresponsáveis, já que a diretoria do sindicato está em negociação sobre os reajustes salariais”, explica.

Momento delicado para o comércio tem campanha

As vendas normalmente enfraquecem no primeiro trimestre. Para isso, a FCDL-AM incentivou os lojistas a participarem do Liquida Manaus, que já está em sua 6ª edição na capital amazonense. O presidente da federação explica que a campanha –que começou na última quinzena de março e termina neste domingo (15)– visa amenizar os prejuízos da estação. Segundo Assayag, “essa é a maneira de reduzir as demissões e ‘alavancar’ as vendas”.
O segundo trimestre representa, para o comércio, um momento de instabilidade e grandes transformações. “É a partir de abril que começamos a sentir uma melhora no setor e a cada vez que há uma interrupção, somos os primeiros a sentir o impacto”, diz. Sobre a possibilidade de novas paralisações, Assayag torce para que os rodoviários encontrem uma outra maneira de reivindicarem. “Uma greve, nesse momento, seria um desastre!”, enfatiza.

Novas paralisações podem vir

O vice-presidente do Sindfisco (Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Amazonas), Marcos José Souza Neto, destaca que não existe interesse em prejudicar a indústria e o comércio. No entanto, garante que a paralisação realizada na última quinta-feira (12) foi a primeira de uma série de ações da categoria com o propósito de mostrar para o governo a união e força dos auditores em prol de suas demandas.
Na próxima quarta-feira (18), a diretoria do Sindfisco Amazonas se reúne novamente com membros do Cieam e da Fieam para conversarem sobre a possibilidade de novas operações-padrão em Manaus e no Brasil. “Infelizmente, essa é a maneira que temos para sermos ouvidos e, dessa vez, não vamos desistir”, garante.
O principal objetivo do sindicato é sensibilizar o governo sobre as reivindicações de melhorias salariais aprovadas em Assembleia Nacional em março deste ano. O reajuste seria de 30,19% no salário final. Atualmente, o Amazonas conta com cerca de 270 auditores-fiscais (entre ativos, inativos e pensionistas) e atuam em três unidades na capital. Alfândega do Aeroporto Eduardo Gomes, Alfândega do Porto de Manaus e a delegacia –que trata apenas de assuntos internos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar