Parcerias com institutos de tecnologia locais para o Distrito de Inovação

Em: 28 de janeiro de 2020
Parceria com institutos de tecnologia locais é a aposta para a criação do distrito de inovação de Manaus
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Parceria com institutos de tecnologia locais é a aposta para a criação do distrito de inovação de Manaus

O objetivo de revitalizar o centro histórico da cidade para atrair empresas e negócios de base tecnológica, ganhou importantes passos de evolução nos últimos dias. Com o convite da prefeitura de Manaus, ao consultor em cenários e gestão estratégica Cláudio Marinho, a ideia de criar um distrito de inovação na capital ganhou novos avanços para a concretização da meta. Os planos fazem parte do processo para a reinauguração do abandonado Hotel Cassina como Casarão de Inovação, Hub e Coworking de Manaus.

Dono de uma empresa no Porto Digital de Recife, maior parque tecnológico para empresas de TI (Tecnologia da Informação) do País, Cláudio Marinho vai assumir o projeto do Distrito de Inovação no Centro Histórico de Manaus e identificação de potenciais ocupantes, com prioridade para o Casarão da Inovação. Ele destacou, que a estratégia é firmar parceria entre setores públicos e privados com instituições especialistas nas áreas de inovação e tecnologia.

 "A nossa experiência em Recife mostrou que se faz necessário realizar articulações para uma governança público-privada, englobando atores dos ecossistemas locais para se trabalhar em conjunto no desenvolvimento tecnológico", comentou.

O trabalho da equipe de criação do “Distrito de Inovação” será de levantar e mapear potenciais usuários ocupantes dos mais de 70 prédios públicos, que podem ser reformados e usados por empresas. "O enfoque é as startups que possam ir ao centro, na localidade da ilha de São Vicente, construindo a possibilidade da área em torno da Praça Dom Pedro ser escalada em serviços como hotéis e restaurante a uma distância 'caminhável' das empresas ali instaladas", revelou Cláudio Marinho.

Nas próximas semanas, workshops para o funcionamento estratégico e escolha de segmentos priorizados devem reunir representantes de diversas áreas da sociedade civil organizada junto ao poder público. Nesse sentido, outra vertente da equipe é explorar e estimular a produção de bioeconomia e biotecnologia da região Norte, considerando o extenso percentual de preservação do território amazonense.

Fortalecimento

Segundo o presidente da FPF Tech, Luis Braga, a iniciativa de fortalecer um polo digital em Manaus abre espaço para uma economia que gera riquezas e desenvolva produtos de forma sustentável e ecologicamente correta. O objetivo de criar o distrito de inovação no centro é revitalizar a região histórica e criar atrativos de investimento de outras empresas do mundo com a finalidade de gerar emprego e renda para o estado.

“A nossa defesa de colocar esse projeto no centro é justamente para revitalizar aquela região. Incentivar as empresas de tecnologia para atuar naquela área com inserções de taxas de impostos, e em contrapartida, essas empresas tragam retorno deixando o centro mais atrativo. Fazendo isso na região você está gerando oportunidade de emprego e renda. Com mais empresas de tecnologia teremos mais profissionais para se qualificar e trabalhar nessa áreas. Essa é uma maneira de ajudar a sociedade, porque um polo desses fomenta inúmeros empregos para todas as áreas, principalmente para quem procura o primeiro emprego na área de tecnologia”, disse.

Segundo Braga, o objetivo da FPF,  é contribuir para o Amazonas se fortalecer na área de tecnologia utilizando o capital intelectual local para criar alternativas de desenvolvimento econômico para a região. “ Nosso interesse como instituição 100% do Amazonas, é que lutamos para ter um estado forte em tecnologia. Temos certeza que não adianta termos uma grande instituição de tecnologia sem que isso mire para o resto do mundo. Temos que trabalhar para empresas de outros países venham para cá. Queremos que elas vejam que aqui tem um polo de tecnologia para investimentos. Temos toda uma experiência e estamos dispostos e compartilhar com as empresas que estão alinhadas como nosso objetivos e valores, que é fortalecer a tecnologia, como também a  geração de empregos aqui”, destacou.

Parcerias

O  INDT (Instituto de Desenvolvimento Tecnológico) e a FPF Tech (Fundação Paulo Feitoza) já estão confirmadas como institutos parceiros do projeto. A escolha foi baseada na competência técnica  e experiência nas áreas de criação de novos negócios, investimentos em startups e capacitação tecnológica.

O diretor de projetos e desenvolvimento de negócios da FPF Tech, Roberto Garcia, complementou que a visita dos três arquitetos vindos de Recife, formando comitiva junto a representantes das secretarias de Trabalho, Empreendedorismo, Finanças e Cultura, serviu para colher informações das competências e estruturas da instituição para o desenvolvimento de soluções sob medida para as empresas usando tecnologia de informação.

"Ele veio colher nossa visão estratégica de estruturação do ecossistema do Polo Digital de Manaus, incluindo nosso time e áreas de negócio, como a capacitação tecnológica como ponte ao processo todo", Roberto esclareceu. A sanção de leis de incentivo fiscal para empresas e negócios de base tecnológica também é um aditivo na construção desse conceito.

De acordo com Elaine Garcia, graduada em administração pela UFAM Universidade Federal do Amazonas), especialista em administração pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), gestão de projetos pela UAM e atualmente, Gerente de Negócios no INDT e responsável pela Gestão do Programa Prioritário de Economia Digital, a participação do INDT nesse projeto se deve pelo compromisso que o instituto tem com o ecossistema inovador da região.

“Nós estamos participando desse projeto de criação do Distrito de Inovação porque somos um ator importante do ecossistema de tecnologia, empreendedorismo e inovação de Manaus, além de termos muita experiência e pioneirismo no desenvolvimento, principalmente, de novos negócios através de investimentos de startups, uma competência adquirida pelo INDT através da coordenação do Programa Prioritário, sendo assim, nossa participação se dá, essencialmente, na soma de conhecimentos e esforços para a criação desse novo Distrito de Inovação”, Elaine ressaltou.

Prazo de seis meses

A assinatura do contrato do Polo Digital ocorreu na quarta-feira (22), no Centro Cultural Palácio Rio Branco. O prazo inicial estipulado para se debater o projeto por meio de encontros com atores da região é de seis meses, seguindo as normas de reutilização de espaços urbanos tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Além disso, também se deve alinhar o projeto com a legislação de preservação urbana, integrando as diretrizes das pastas responsáveis por essas áreas do Executivo.

Analise

Na análise do economista e administrador, Farid Mendonça Júnior, todas as alternativas que forem criadas para o desenvolvimento econômico do Amazonas são sempre bem vindas, pois ajudam a diversificar e criar novas oportunidade de negócios. Apesar do ponto positivo, ele destaca, que antes de qualquer investimento ou trabalho na área de polo digital e o distrito de inovação, é necessário observar e criar soluções para consertar deficiências básicas para a eficácia do projeto.

“E essas instituições já tem um ‘know how’ inicial para contribuir com esse trabalho. Mas, eu vou além. Sempre enfatizo que não adianta apenas assinamos convênios, documentos e parceira. Precisamos fazer um olhar para dentro de nós mesmos e verificar qual o nosso potencial. Não adianta nada montarmos um centro tecnológico ou polo digital, se não temos pessoas capacitadas para mexer com isso. Muitas vezes a gente quer fazer as coisas a base da canetada e não nos damos conta das nossas fragilidades. Não estou dizendo que não exista pessoas capacitadas em Manaus, ou que não possam ser capacitadas. O que eu digo é que tem algumas áreas novas da economia, como o polo digital e tecnologias da indústria 4.0, que estão faltando ‘know how’ e treinamento de mão de obra especializada”, disse. 

Outro ponto de vista destacado pelo economistas, que precisa ser analisado e estudado é a questão do volume de capital. Ele explica, que atual situação econômica do país demonstra uma escassez de recursos para investimentos de infraestrutura de novos segmentos da economia. E reforçou, que uma das alternativas para otimizar o projetos no segmento digital, é buscar parcerias internacionais com países que possuam experiência na área.

“Sabemos que o país está passando por uma situação difícil e investimento públicos estão escassos, o que  sobraria para a iniciativa privada. Mas, precisamos analisar que as vezes, não são todos os setores da iniciativa privada que vão acreditar na ideia e vão ter recursos suficientes para isso. Por isso, que  todas as vezes que se fala em alternativas econômicas para o Amazonas, eu acho interessante estabelecer parcerias internacionais, principalmente com multinacionais e institutos de pesquisas de desenvolvimento do estrangeiro como França, ALemanha, Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha ou China. Não adianta somente arranjar o arcabouço jurídico sem termos a noção, do que a gente tá falando, da magnitude que estamos falando, e da posição de como vamos atuar no mercado”, destacou.

“Não estou dizendo que a ideia não é boa. Ela é uma ideia boa. Mas precisamos ter estudos mais profundos, uma estrutura mais interessante e uma infraestrutura física e digital que dê todo o embasamento para isso. A velocidade da internete no Amazonas é muito ruim, não temos uma constância da tecnologia do 4G no Amazonas e ainda estamos cavalgando na área 3G. IMagina nossa situação. São questões que temos que colocar muito bem”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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