Taxa de rotatividade de emprego no Amazonas cai em dezembro

Em: 28 de janeiro de 2020
Número de turn over registrado pelo Estado no mês passado também foi o menor em dois anos
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Número de turn over registrado pelo Estado no mês passado também foi o menor em dois anos

A taxa de rotatividade média de empregos com carteira assinada no Amazonas voltou a encolher em dezembro e chegou a 3,12 pontos percentuais, bem menor do que as marcas de novembro de 2019 (3,63 p.p.) e de dezembro de 2018 (3,34 p.p.). O número de turn over registrado pelo Estado no mês passado também foi o menor em dois anos, desde dezembro de 2017 (2,94 p.p.). 

As informações foram extraídas da base de dados mais recente do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgada na sexta (24), pelo governo federal. Quanto maior a pontuação da unidade federativa na sondagem, maior a incidência de substituição de mão de obra e menor o tempo de permanência do trabalhador na vaga celetista.

Com a nova queda, o Estado voltou a ganhar posições no ranking nacional das menores pontuações. Subiu do terceiro para o segundo lugar, ficando atrás apenas de Alagoas (3,03 p.p.). O Amazonas também se situou bem à frente das médias nacional (2,92 p.p.) e da região Norte (3,87 p.p.), que também recuaram. O maior número brasileiro e da região veio de Roraima (5,51 p.p.). 

A indústria extrativa mineral (0,60 p.p.) e a administração pública (1,19 p.p.) voltaram a liderar as menores taxas, entre os setores econômicos. A primeira vinha com bons números no ano, mas derrapou na passagem de novembro para dezembro (-1,36% e -23 empregos), embora segure estatísticas positivas no acumulado (+11,83% e 177). A segunda pontou estabilidade no mês e decréscimo no ano (-0,18% e -21).

Recuperação e ociosidade

Na terceira posição das taxas locais de turn over, a indústria de transformação caiu de 2,29 para 1,58 pontos percentuais – apesar do corte de 1.473 empregos e da variação negativa de 1,45% em seu saldo de empregos, entre novembro e dezembro. No ano, foi registrada alta de 3,27% (+3.168 vagas). Em dezembro, os melhores números vieram dos subsetores de papel e papelão (+19 empregos) e de vestuário e calcados (+10%). No ano, o destaque ficou na indústria de transporte (+8,63% e +1.290). 

O vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, ressalta que as empresas tem feito o possível para manter seus quadros, dado que os profissionais já contam com treinamento para a atividade. O dirigente considerou os números normais, em função do fim da sazonalidade das vendas para o fim do ano e do período de férias coletivas, e frisa que o momento ainda é de recuperação, dado o baixo crescimento da economia brasileira e o reduzido uso de capacidade instalada nas fábricas do PIM.

Verão e cheia

Serviços industriais de utilidade pública (2,19 p.p.) ficaram na quarta colocação, seguidos pela agropecuária (2,68 p.p.). O primeiro amargou quedas na comparação com novembro (-0,72% e -40 vagas), apesar de colher bons números no acumulado (+6,38% e 339). O setor rural, contudo, foi o que apresentou a pior variação negativa na comparação mensal (-12,55%), ao extinguir 552 vagas e também sofreu recuos no ano (-018% e -21).

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, atribui os números negativos do setor, na passagem de novembro para dezembro, ao término do período de preparo de área para agricultura e pecuária, que ocorre no verão. Lembra também que o ano registrou cheia rigorosa. “Nossa expectativa é de um bom desempenho em 2020 para a geração de empregos, principalmente no Sul do Amazonas e região metropolitana”, amenizou.

Sazonalidade e logística 

Serviços (2,77 p.p.) e comércio (5,30 p.p.) vieram na sequência, com desempenhos opostos em suas taxas – após registrar 3,87 p.p e 4,29 p.p, respectivamente, em novembro. O mesmo se deu nos saldos de empregos. O setor econômico do Amazonas que mais eliminou vagas entre novembro de dezembro foi o de serviços (-1.637), com variação negativa de 0,76%. 

O comércio também cortou ocupações, a despeito do período natalino. O setor recuou 0,05%, ao enxugar 48 empregos, tendo apresentado recuos no atacado (-0,12% e -21 postos de trabalho) e no varejo (-0,03% e -27). No acumulado, entretanto, avançou 2,18% e gerou 2.113 vagas, alavancado pelo segmento varejista (+2,76% e 2.188), mas não pelo atacadista (-0,42% e -75). 

O presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, considera que os números de serviços ocorreram em função da sazonalidade e do fato de muitas empresas locais terem adotado a terceirização do trabalho por MEIs [microempreendedores individuais]. No caso do comércio, o dirigente lembra que, em função da logística e do tempo decorrente para translado de mercadorias dos centros fornecedores para o Amazonas, o setor acaba tendo de antecipar compras, e isso se reflete também nas contratações.

Investimentos em baixa

Como de costume, a construção civil (7,10 p.p.) apresentou a maior taxa de rotatividade, embora o número também tenha ficado menor do que o de novembro (7,56 p.p.). Depois do ensaio de recuperação no mês anterior (+0,13% e 27 postos de trabalho), a atividade voltou a mergulhar entre novembro e dezembro (-0,86% e -184), a despeito de sustentar números robustos no acumulado do ano (+11,09% e +2.125).

O diretor de Relações de Trabalho do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), José Carlos Paiva, reiterou que a rotatividade é característica do setor, em função da não especialização da mão de obra e dos contratos de trabalho. Disse tamém que a redução de ritmo é normal nessa época e que o único crescimento esperado era nas vendas do mercado imobiliário – o que não ocorreu. “A construção civil ainda tem problemas de baixo investimento”, encerrou. 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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