Enfim, o grupo Amaggi decidiu liberar a venda de milho para os produtores rurais do Amazonas, mas surge um outro problema, que impacta desta vez diretamente no poder de compra dos agricultores. A holding, que opera o Terminal Graneleiro de Itacoatiara e do qual é proprietária, fixou em cinco toneladas a quantidade mínima do grão e de farelo de soja para venda a cada produtor.
“A decisão traz um certo alívio para a categoria, mas o problema é que a maioria dos agricultores não tem capital para comprar a partir de cinco toneladas de milho e de farelo de soja, como exige a empresa”, explica o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço.
Ele acrescenta que o valor da saca de milho de 60 quilos a R$ 49 e a tonelada de farelo de soja a R$ 1.720, como fixou a holding do setor agrário para a comercialização de seus produtores no mercado do Amazonas, não é muito atrativo. “Agora, começa uma nova batalha para tentar convencer o grupo a reduzir esses valores, que possam ter a contrapartida da maior parte dos produtores rurais”, diz o presidente da Faea.
As lideranças tentam também convencer a empresa a liberar a venda de caroço de algodão e de casquinha de soja, dois insumos também largamente utilizados pelos produtores rurais na região. “Por enquanto, o grupo só abriu a venda de milho e de farelo de soja. Agora, estamos negociando a liberação dos outros insumos, extremamente essenciais para a produção agrícola no Estado”, afirma Lourenço.
Por telefone, a direção do grupo Amaggi informou que destina a sua produção principalmente para o mercado externo por uma questão de estratégia comercial e econômica. Seus insumos são exportados para outros Estados brasileiros, mercados da Ásia e para países da Europa. E, por enquanto, só o milho e o farelo de soja estão liberados para venda no Amazonas.
A empresa não adiantou se existe possibilidade, a curto e médio prazos, da liberação da venda dos outros insumos que saem do Terminal Graneleiro de Itacoatiara. Segundo Muni Lourenço, o preço do milho e do farelo de soja pode chegar, por outro lado, a um menor preço no Amazonas com a importação dos produtos de fornecedores dos Estados de Mato Grosso e Tocantins.
“Produtores dessas regiões já se dispuseram em exportar os produtos para o Amazonas, o que deverá aumentar a competitividade e, por tabela, deverá pressionar o grupo Amaggi a reduzir os seus preços no mercado local”, prevê Muni Lourenço.
O impasse sobre a venda de milho e de farelo de soja pelo grupo Amaggi foi alvo de intensas discussões na Comissão de Geodiversidade da Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas) e se arrastava desde o ano passado. Pelo menos 300 mil agricultores do Estado reclamavam que estavam com suas atividades prejudicadas por falta de insumos para suas atividades no campo.
Por pressão de lideranças agrárias e de políticos, a empresa decidiu, então, acatar as reivindicações da categoria, intermediadas pelo governo do Amazonas e por lideranças agrárias e até da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil, seção Amazonas).
O deputado estadual Sinésio Campos (PT-AM), que preside a Comissão de Biodiversidade da Aleam, disse que o Amazonas tornou-se, na realidade, um mero corredor de exportação para os produtos do grupo Amaggi, operacionalizados no Terminal Graneleiro de Itacoatiara.
“A empresa teve apoio do governo do Amazonas para construir sua estrutura operacional no Estado. Então, estava na hora de dar a contrapartida pelos benefícios que recebeu”, protestou o deputado Sinésio Campos.
Segundo levantamento de produtores rurais, o setor agrário do Amazonas precisa de pelo menos 120 mil toneladas anuais de milho para a produção agrícola no Estado.






