Pesquisa aponta que 57% dos consumidores temem a inflação

Em: 25 de fevereiro de 2011
Uma fatia de 58% dos consumidores manauaras acreditam que a economia está melhor que no ano passado e 62% tem boa expectativa para os próximos meses, mas também com a inflação quase batendo a sua porta
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Uma fatia de 58% dos consumidores manauaras acreditam que a economia está melhor que no ano passado e 62% tem boa expectativa para os próximos meses, mas também com a inflação quase batendo a sua porta

Uma fatia de 58% dos consumidores manauaras acreditam que a economia está melhor que no ano passado e 62% tem boa expectativa para os próximos meses, mas também com a inflação quase batendo a sua porta, 57% deles demonstram o receio de comprar no próximo mês, achando que em março os preços estarão mais elevados. É o que apontou a Pesquisa de Intenção de Compra e Confiança do Consumidor para o mês de fevereiro, elaborada pela Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas) e realizada com 400 consumidores de todas a zonas da cidade.
Segundo José Fernando da Silva, assessor econômico da Fecomércio e responsável pela pesquisa, foi verificado que as oscilações ocorridas na situação financeira familiar e na empregabilidade, têm influenciado diretamente nos hábitos de consumo das famílias e na situação econômica dos amazonenses. “Esse sentimento está muito forte na cultura do consumidor de Manaus, parte também devido as notícias de inflação e restrição ao crédito”, informou Silva.
Como no caso da Maria Elizabeth Souza, 42, que passou a fazer pesquisa de preço sempre na hora de ir às compras. “Fico sempre de olho no que está mais barato, também cortei os supérfluos, como chocolate e biscoitos, optar por lugares onde eu sei que tem promoções ou é mais barato e passei a comprar produtos parecidos só que com preços mais em conta”, disse a dona de casa.
Quem também optou por buscar marcas similares, cujos preços são mais baixos foi a enfermeira Laura Carvalho, 38. “Passei a adotar outras marcas de produtos, mas confesso que tem algumas que não abro mão e acabo pagando a mais sim”, fala.
Ela conta ainda que fez a mesma coisa na hora de comprar o material escolar dos dois filhos.
“Esse ano eu me espantei muito com o preço dos itens da lista, mas como os livros são essenciais, o restante do material comprei dos mais baratos mesmo, até porque a gente não pode é exceder nos gastos e deixar de pagar outras contas ”, disse Laura.
De acordo com a pesquisa, neste mês o material escolar foi o principal item de consumo com 42,3%, seguidos do vestuário com 25,0%, calçados com 24,3%, utilidades domésticas com 6,5%, material de construção com 6,3%, móveis e decorações com 4,8%.
Segundo o assessor econômico, na análise da Fecomércio ficou evidente a concorrência dos locais para compras, principalmente os shoppings.
“O Centro da cidade continua sendo o eixo de consumo, mas os shoppings e comércios nos bairros têm crescido muito e estão ficando cada vez mais competitivos”, disse José Fernando.
Tanto que 43,2% dos entrevistados já preferem realizar suas compras nos shoppings, 12,5% no comércio local e 44,3% das pessoas que preferem realizar compras no Centro da cidade e levam em consideração variedade de lojas, produtos e principalmente o preço. E a modalidade “dinheiro ou débito automático” é a forma de pagamento mais utilizada pelos consumidores na hora de pagar suas contas com 49,3%, seguida por cartão de crédito com 48,5%, crediário com 2,0% e cheque com 0,2%.
O levantamento da Federação revelou também, que em relação à oportunidade de emprego em Manaus, comparada ao mesmo período do ano passado, 40,7% dos entrevistados relataram estar um pouco ou muito mais fácil conseguir um emprego quando comparado com o mesmo período do ano passado, no entanto, para daqui a três meses, o percentual cai para 27,4%, demonstrando o pessimismo dos entrevistados em relação aos postos de trabalho para os próximos meses.

Famílias brasileiras estão mais endividadas

O avanço da inflação no início deste ano ajudou a elevar o patamar de famílias endividadas em fevereiro, na avaliação do economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio) Bruno Fernandes. No início da semana, a CNC divulgou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor de fevereiro, que ouviu 17.800 consumidores no país – sendo que 65,3% declararam-se endividados, o maior patamar da série da pesquisa, iniciada em janeiro de 2010.
Fernandes explicou que o cenário de preços altos ajudou a elevar o custo de material escolar e de mensalidades escolares, cujas despesas são realizadas no início do ano letivo, e têm preços ajustados com base na inflação. Com os preços mais caros, isso acabou elevando o nível de endividamento do consumidor, que tem mais dificuldade de efetuar as compras. Além disso, ele lembrou que o valor do IPVA, também pago normalmente no início do ano, depende do valor do carro, que também ficou mais caro em 2011.
Outro ponto destacado pelo especialista foi o fato de que o consumidor brasileiro ainda carrega um patamar de dívidas muito elevado, referente ao ano passado. Ele lembrou que o ano de 2010 mostrou o comércio extremamente aquecido, com o varejo apresentando o melhor desempenho desde 2001 – e as compras a prazo contribuíram muito para o resultado do ano passado. “O consumidor ainda tem muitas dívidas relacionadas ao ano passado, e ainda ‘carrega’ isso este ano”, afirmou.
Porém, o especialista não acredita que o patamar de famílias endividadas continue elevado, na mesma magnitude apurada em fevereiro, ao longo de 2011. Isso porque as medidas anunciadas pelo governo de restrição à oferta de crédito, além da perspectiva de juros elevados este ano, deve diminuir o volume de compras a prazo do brasileiro. Com o provável recuo no volume de compras a prazo este ano, ante ano passado, isso deve ajudar a diminuir o patamar de famílias endividadas em 2011, na avaliação do especialista.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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