Pesquisa da Ademi-AM revela que setor encostou em R$ 1,91 bilhão em vendas

Em: 8 de março de 2024

O faturamento da indústria imobiliária do Amazonas cresceu em uma escala de dois dígitos em 2023. No período, o VGV (valor geral de vendas) líquido do setor encostou em R$ 1,91 bilhão, o que representa uma decolagem de 15,06% em relação ao montante de 2022 (R$ 1,66 bilhão) – que já havia sido motivo de comemoração entre os empresários. Os dados são da sondagem dos Indicadores Imobiliários da Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), divulgados nesta quinta (7), em coletiva de imprensa. Segundo a entidade, o resultado superou as expectativas.

Mas, em ano de crise da vazante, e de demora na definição das novas regras do programa Minha Casa Minha Vida, o número de imóveis vendidos efetivamente encolheu. A quantidade de unidades líquidas vendidas caiu 7,53%, de 7.908 (2022) para 5.211 (2023). O mesmo se deu no caso dos lançamentos, que somaram 23 empreendimentos (com 6.398 unidades), 28,12% a menos do que no exercício anterior (32). Segundo a Ademi-AM, o faturamento progrediu porque a fatia de vendas de imóveis fora do “padrão econômico” avançou mais, contribuindo para um aumento no ticket médio. 

Ainda assim, a entidade se mostra otimista em relação a 2024. Embora ainda não disponha de uma projeção fechada, a Associação estima que o ano deve fechar com alta superior a 5% – mais de R$ 2 bilhões, em números nominais. O otimismo é amparado nos cortes sucessivos na taxa Selic; na inflação mais moderada e controlada dos últimos meses; e nas sinalizações de retomada econômica do país. Os programas habitacionais do governo do Estado e da Prefeitura de Manaus também animam os empresários. Mas, estes ainda se queixam de entraves burocráticos e ambientais para deslanchar seus projetos.

Concentração nas vendas

O levantamento da Ademi-AM confirma, mais uma vez, a concentração de mercado em seis localidades, que responderam por 75,8% das vendas do ano passado. O bairro Ponta Negra, na zona Oeste, voltou a encabeçar o ranking. Na sequência estão o Tarumã (também na zona Oeste); o Parque Mosaico (situado no bairro Planalto, zona Centro-Oeste); Lago Azul (zona Norte); Bairro da Paz (zona Centro-Oeste) e Parque Dez de Novembro (zona Oeste). 

Sobre os tipos de produtos imobiliários residenciais comercializados, a pesquisa do setor destaca que 39,45% foram de vendas do segmento do “padrão econômico” – que costuma ser majoritário no bolo. Classificados no âmbito do programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida, os imóveis tiveram resultados 3,46% melhores no ano passado. Os produtos “convencionais” e de valores mais elevados responderam por 60,55% das unidades vendidas, com uma escalada de 55,45% na mesma comparação. 

Na análise trimestral, o acumulado dos três últimos meses de 2023 se destacou como o melhor da série histórica para o período, conforme a Ademi-AM, com um VGV líquido de R$ 450 milhões. “O ano foi marcado por vários recordes de vendas, com todos os trimestres superando os resultados de 2022. No primeiro trimestre, as vendas atingiram R$ 421 milhões, aumentando para R$ 522 milhões no segundo. Apesar de uma leve queda no terceiro, com vendas de R$ 511 milhões, o resultado ainda foi superior ao mesmo período de 2022”, assinalou a assessoria de imprensa da Associação, em texto de divulgação da pesquisa.

Oportunidades e perspectivas

Durante a coletiva de imprensa, o presidente da Ademi-AM, Henrique Medina, ressaltou que o desempenho do setor no ao passado surpreendeu positivamente. “Estamos muito satisfeitos com os números de 2023, que foi um ano com resultados acima de nossas expectativas. Imaginávamos que o mercado ficaria pelo menos igual ao que foi em 2022, visto que era um ano de transição de governo. Algumas pessoas acabam aguardando um pouco mais para comprar o imóvel. E algumas empresas também pisam no freio”, explicou, acrescentando que os números são expressivos, levando em conta o mercado da cidade e a estagnação do setor na média nacional. 

No entendimento do dirigente, a reformulação do Minha Casa Minha Vida manteve o programa atrativo para os clientes e para as empresas. “O teto de financiamento em Manaus aumentou de R$ 209 mil para R$ 350 mil. O cliente que queria comprar um imóvel mais caro não tinha essa condição de juros mais baixos e subsídios do governo federal, mas passou a ter, a partir do segundo semestre. Sem sombra de dúvida, as vendas foram impulsionadas por isso também”, frisou.

Embora ressalve que essa cifra varia de bairro para bairro, Medina informa que o valor médio do metro quadrado de Manaus subiu para R$ 5.500, no ano passado. “O ticket médio aumentou. Em 2022, as vendas estavam muito concentradas no Minha Casa Minha Vida, e ainda sob o teto de R$ 209 mil”, reforçou. 

De acordo com o presidente da Ademi-AM, as perspectivas são boas para 2024, já que a taxa básica de juros vem caindo gradativamente e a inflação encontra-se “controlada”. Os reflexos disso já estariam sendo sentidos nas vendas do ano, que começaram bem para o setor. Embora não saiba precisar números, Medina adianta que janeiro marcou um dos melhores resultados para o mês na série histórica da Ademi-AM.  

“Tivemos um janeiro muito interessante em termos de vendas. E temos algumas oportunidades para fazer com que esse incremento seja maior em 2024, como o programa Amazonas Meu Lar, do governo do Estado. Essa iniciativa tem 1.300 unidades habitacionais credenciadas e vai dar um subsídio para imóveis faixa 1 e faixa 2, de até R$ 240 mil. O cliente desse programa vai ter um cheque de até R$ 35 mil para amortizar na entrada de seu imóvel. Isso deve acontecer nas próximas semanas, porque o governo tem trabalhado para assinar com a Caixa Econômica Federal. Acreditamos muito nessa iniciativa”, asseverou.

Licenciamento e taxas

O executivo diz que o crescimento contínuo e a resiliência do mercado imobiliário do Amazonas refletem a confiança dos consumidores e investidores no setor. E acrescenta que o desempenho positivo em 2023 sinaliza um cenário promissor para o futuro do mercado imobiliário estadual, apesar dos desafios econômicos e sociais. Conforme a fonte, os desafios perenes da atividade estão no licenciamento ambiental e custos associados, além do reduzido número de empresas atuando no mercado imobiliário local.

“Há empreendimentos que demoram até 11 meses para conseguir licenciamento ambiental. Se tivéssemos uma condição melhor e uma burocracia menor, poderíamos ter números superiores. Outro problema está nas taxas. Não faz sentido o valor cobrado para um prédio de alto padrão, no Adrianópolis, ser igual ao de um empreendimento do Minha Casa, Minha Vida, na Avenida das Flores. Esse produto acaba ficando mais caro. Estamos em tratativa com os órgãos sobre essa questão”, finalizou, acrescentando que a redução dos recursos da poupança destinados à setor imobiliário também preocupam o empresariado.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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