A crise que derrubou a economia do Brasil, a partir de 2015, reduziu drasticamente o número de empresas e trabalhadores da construção civil do Amazonas, nos dois anos seguintes. Os dados foram extraídos da PAIC (Pesquisa Anual da Indústria da Construção), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nesta quarta-feira (29).
A quantidade de empresas de construção ativas no Amazonas caiu 18,88% entre 2015 e 2016, e passou de 572 para 464. No ano seguinte, um novo corte diminuiu esse total para 411, gerando uma diferença de 11,42% em relação a 2016 e de 28,15% no confronto com 2015.
Como consequência, o número de pessoas ocupadas também encolheu, mas em ritmo maior. O total de postos de trabalho era de 25.220 em 2015, mas sofreu corte de 24,82% e passou para 18.959 no ano seguinte. Em 2017, o contingente já havia chegado a 17.115 trabalhadores, amargando um novo decréscimo de 9,73%. Em dois anos, as demissões limaram 32,14% do setor.
No caso da redução do número de empresas, o Amazonas acompanhou tendência nacional e obteve a décima maior queda no Brasil, quando se leva em conta o comparativo 2016/2017. O pior resultado veio de Sergipe (-20,4%), enquanto somente Pará (+15,7%) e Goiás (+3%) fecharam no azul.
A diminuição da mão de obra na construção civil amazonense também acompanha a tendência nacional. Em 2011, o contingente e trabalhadores do setor no Estado era de 31.927, subiu para 34.115 no ano seguinte e culminou em 38.717 em 2013, ano que precedeu a Copa no Brasil. Nos exercícios seguintes, recuou para 31.937 e prosseguiu ladeira abaixo.
A média nacional foi de 2.518.134 no primeiro ano da década e aumentou para 2.707.587 em 2012, até chegar ao topo no ano seguinte (2.773.953). Em 2014, ano de eleições gerais e de ensaio para a crise, o contingente já havia diminuído para 2.687.539, até submergir para 1.707.895, em 2017.
Salários e incorporações
A crise limou também, e em maior grau, os dispêndios com a remuneração dos trabalhadores da construção civil do Amazonas que conseguiram segurar o emprego. O valor total destinado para esse fim caiu de R$ 795,36 milhões para R$ 491,06 milhões entre 2015 e 2017, uma diferença de 38,26%. Em relação a 2013 (R$ 957,71 milhões) o recuo foi de 48,72%.
Em sintonia, o valor das incorporações, obras e serviços da construção no Amazonas caiu de R$ 3,89 bilhões (2015) para R$ 2,97 bilhões (2017), uma diferença de 23,65%. A quantia empregada para essa finalidade chegou a R$ 5,19 bilhões em 2013, tendo sofrido queda de 42,77% ao longo do período.
Com 21,4% de participação no bolo, o Amazonas ocupou a segunda posição em termos de incorporações, obras e serviços da construção civil nas nove unidades federativas da região Norte. Só perdeu para o Pará, que garantiu fatia de 45,07%, enquanto Roraima e Acre ficaram empatados no último lugar, com 4,1% cada.
Redução de riscos
Na análise do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, a queda em todas as variáveis da Pesquisa da Indústria da Construção 2017, é um reflexo do forte impacto sofrido pela atividade, após “os anos de bonança” que findaram em 2013.
“Após aquele ano, as construtoras sofreram forte queda em suas atividades. O mercado imobiliário regrediu e o governo está economizando investimento na área. Assim, restou às empresas diminuir os riscos, reduzindo pessoal e atividades”, explicou.
O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, avalia que os números da pesquisa são um termômetro dos efeitos da crise sobre o setor, que acompanhou a dinâmica descendente da economia nacional.
O dirigente considera que o pior já passou e se ampara em números positivos para o setor, como a alta de 12,15% no mercado imobiliário de Manaus no primeiro trimestre, e o aumento nas contratações. Os números mais recentes do Caged informam que a construção gerou 930 empregos formais nos quatro meses iniciais de 2019, com alta de 4,85% sobre o mesmo período de 2018.
“Quando a crise começou, o financiamento para quem comprava imóveis secou e os governos ficaram sem dinheiro para tocar obras públicas. Sem essa demanda, muitas empresas encerraram as atividades. Mas os números de 2019 são positivos. O segmento imobiliário cresce e o município está fazendo muitas obras, como a do Distrito. São sinais de que as coisas vão melhorar”, finalizou.







