Pesquisadores avaliam situação no interior

Em: 9 de setembro de 2009
Estudo inédito visa fazer um mapeamento a respeito da situação das doenças sexualmente transmissíveis em três municípios do Alto Solimões
Estudo inédito visa fazer um mapeamento a respeito da situação das doenças sexualmente transmissíveis em três municípios do Alto Solimões

Imagine um estudo que, por meio de levantamentos e pesquisas, tenha o objetivo de fazer um verdadeiro raio-x a respeito da situação das DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) nas cidades, utilizando como ferramenta o georeferenciamento ou a identificação dos serviços de saúde e dos lugares de uso coletivo para práticas sócio-espaciais como praças, salão de beleza, bares, hotéis, motéis e boates.
Isto é o que três pesquisadores conseguiram realizar nas cidades de Atalaia do Norte (distante a 1.138 km de Manaus), Benjamin Constant (a 1.118 km)e Tabatinga (a 1.105 km), localizadas na microrregião do Alto Solimões, extremo oeste do Amazonas.
O estudo dos SIG (Sistemas de Informação Geográfica) aplicado à análise da saúde sexual no Alto Solimões inserido na pesquisa intitulada “Análise Situacional da Saúde Sexual no Alto Solimões”, em desenvolvimento há quase três anos, com apoio financeiro da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), por meio do PPOPE (Programa Amazonas de Apoio à Pesquisa em Políticas Públicas em Áreas Estratégicas), conseguiu construir mapas temáticos que identificam, entre outros dados, o circuito relacionado ao lazer das populações.
O pesquisador Isaque Sousa, do ILMD/Fiocruz Instituto Leônidas e Maria Deane/Fundação Oswaldo Cruz) da Amazônia, outro responsável pelo estudo, disse que a partir do SIG foram produzidas bases cartográficas que podem gerar mapas temáticos, sejam da simples localização de objetos geográficos mapeados à classificação das áreas de interesse que ilustram as localidades com maior concentração de atividades e práticas influenciadoras na saúde sexual da população.
“A elaboração dos mapas não é o produto final, mas suas interpretações, que podem contribuir na orientação das políticas de saúde na região de fronteira e na capacitação dos profissionais que atuam na gestão da saúde”, revelou o pesquisador. Pela primeira vez o SIG, um sistema já aplicado em outros países, foi usado no Brasil. Os dados parciais foram apresentados à comunidade científica no 18º Encontro da ISSTDR (sigla em inglês para Sociedade Internacional de Pesquisadores de Doenças Sexualmente Transmissíveis), realizado em Londres, no início de julho.

Dados devem auxiliar programas de saúde

Os maiores benefícios da pesquisa se desdobram em três vertentes: o levantamento social, a identificação georeferencial (mapas) e o levantamento epidemiológico e clínico das DSTs nas cidades onde o estudo está sendo desenvolvido, uma região de fronteira e considerada de alta vulnerabilidade, que envolve inclusive comunidades indígenas.
Entre os resultados já conseguidos está a identificação ou espacialização dos objetos mapeados, por meio da qual foi possível organizar mapas temáticos diretamente voltados para o interesse de investigação e identificação de locais elementares nas análises. Outro resultado importante foi a identificação dos lugares conforme o número de frequentadores e circulação de pessoas.
Com isso, foi possível estabelecer uma hierarquização dos lugares, demonstrando a importância de cada um, de acordo com suas categorias, para futuras ações de prevenção e promoção à saúde.

Circuito social

O resultado considerado pelos pesquisadores como mais importante foi a identificação dos lugares relevantes para promoção das ações de saúde sexual. Para isso, um mapa foi construído a fim de relacionar o papel de cada ponto, independentemente do segmento a que faz parte, de acordo com sua relevância no circuito social do “beber e do lazer”.
O mapa foi elaborado a partir de critérios que permitem identificar os pontos da cidade relacionados ao estilo de vida de seus habitantes, cujas práticas sociais permitem uma abordagem que estimule a adoção de atitudes pró-ativas relacionadas à prevenção das doenças e à promoção da saúde.
“Com o desdobramento desses avanços já foi possível realizar um contato direto com pacientes e a coleta de material para análise, em laboratórios na cidade de Manaus, com mais de 600 amostras para análise e identificação das DSTs”, revelou Adele Benzaken, que destaca ainda a participação do pesquisador Antônio Levino, além de antropólogos e técnicos, como fundamentais para a realização da pesquisa.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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