Suspeita de práticas de espionagem industrial levou a Philips da Amazônia a uma representação criminal contra a LG Electronics na Delegacia Geral de Polícia em Manaus no último fim de semana. A informação, veiculada pela revista Veja desta semana, dá conta de que um funcionário da LG poderia estar envolvido com práticas de espionagem em relação à concorrente no PIM (Pólo Industrial de Manaus).
A nota publicada pelo colunista Lauro Jardim diz que a Philips pediu abertura de inquérito policial a fim de investigar o porquê da entrada de um funcionário da LG com identidade falsa no parque fabril da Philips no último dia 18 de setembro.
Segundo o chefe de gabinete da DGPC (Delegacia Geral de Polícia Civil), delegado Carlos Antônio Tavares, a partir da representação criminal contra a LG, oficializada no último fim de semana, será instaurado um inquérito, onde serão apurados todos os fatos a partir de análise das imagens corporativas gravadas pelas câmeras da Philips
A Philips do Brasil confirmou que solicitou a instauração do inquérito policial para investigar as razões da entrada do funcionário da área de qualidade da LG, em sua fábrica localizada em Manaus. Segundo o gerente de comunicação corporativa para a América Latina da Philips, Tales Rocha, dentre os objetivos da investigação policial solicitada pela empresa, está a apuração de possíveis crimes de falsidade ideológica, falsa identidade, violação de domicílio e concorrência desleal.
“O caso está sendo analisado e não temos mais detalhes para fornecer até o fim das investigações e conclusão por parte das autoridades policiais competentes”, resumiu.
Sinees acredita em mal-entendido
Perguntado sobre o assunto, o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, disse não acreditar na possibilidade de espionagem industrial já que no Amazonas nunca ocorreu tal prática. Na opinião do dirigente, dificilmente esse tipo de prática desleal estaria acontecendo no pólo de Manaus, uma vez que inexiste algum bem produzido no PIM que não seja do conhecimento de todos.
Na opinião de Périco, tudo leva a crer que se trate de um grande mal-entendido, já que, excetuando os processadores utilizados em cada uma das empresas, os equipamentos de manufatura são praticamente commodities, as linhas de produção em todas as indústrias são similares umas às outras e os produtos e componentes em sua grande maioria são comuns a todas as fábricas.
Questão política
Por outro lado, o dirigente aventou a hipótese de ser também uma questão política, já que tempos atrás as duas empresas foram parceiras em torno de uma grande empresa de cinescópio. “Pode ser que a finalização dessa parceria esteja criando algum entrave entre elas”, lembrou Périco, acrescentando que a LG já demonstrou pura e simplesmente que veio para o Amazonas para obter os melhores resultados e que os meios utilizados para isso, não cabe especular. “Se houver algo ilícito, é a justiça que decidirá”, concluiu o presidente.
Procurada pela reportagem do Jornal do Comércio, a assessoria de comunicação da LG Electronics informou que tomou conhecimento do fato e está analisando todas as providências cabíveis para a solução do problema.







