PIM – Indústria demite mais neste ano

Em: 4 de janeiro de 2013
Balanço divulgado pelo Sindmetal aponta crescimento no número de desligamentos em relação ao ano anterior
Balanço divulgado pelo Sindmetal aponta crescimento no número de desligamentos em relação ao ano anterior

As indústrias do PIM demitiram o equivalente a 65 trabalhadores por dia em 2012. Foram 22 demissões a mais em relação a média de 2011, ano em que o registro correspondeu a 43 desligamentos diários no polo.
Ao todo, segundo o balanço do Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos), entre janeiro e dezembro do ano passado, foram 24.077 mil homologações, (15.061 mil homens e 9.016 mulheres), um aumento significativo de 51,60% frente aos 15.881 demitidos no acumulado do ano anterior (10.226 mil homens e 5.655 mulheres).
Como já era esperado, em função da crise do setor de duas rodas, a Moto Honda foi a empresa que mais demitiu no ano. Foram 1.652 homologações registradas no sindicato. Em segundo lugar, a Samsung anotou 1.598 demissões, seguida da L.G com 859 desligamentos. As outras empresas que mais demitiram no ‘Ranking’ do Sindmetal foram Jabil (-739), Semp Toshiba (-659), Yamaha (-575), Elsys (-548), Digibold (-496), Digibrás (-455) e Electrolux (-450).
Considerando apenas dezembro, os resultados não foram melhores. No último mês do ano, 2.480 trabalhadores passaram pelo sindicato para homologar suas demissões, 24,74% a mais em relação ao mesmo período de 2011 e 34,92% superior no comparativo com as 1.830 demissões anotas em novembro.
No mês, quem mais dispensou funcionários foi a Samsung (-518), a Moto Honda (-192) e a Jabil (-179).

Saldo

“Vale ressaltar que esses são os números de demitidos. É preciso considerar as admissões também. Analisando de forma ampla, é possível perceber que embora o setor de duas rodas tenha passado por percalços, o segmento eletroeletrônico, por exemplo, caminhou bem e isso, de certa forma equilibra o saldo de empregos do polo”, pondera o presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), Athaydes Mariano Félix.
O vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo concorda. “Há demissões, mas há contratações. Apesar de sabermos o quanto 2012 foi duro, é preciso considerar que existem casos em que um funcionário sai de um emprego para outro, no caso de negociações com a empresa. É um número tímido, mas ele é real”, detalha.
Mesmo sem os dados fechados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) para 2012, é possível verificar que a contratação de mão de obra ‘esfriou’ na indústria. Em novembro, com os pedidos para o Natal entregues, o segmento eliminou 1.186 postos no penúltimo mês do ano contra o saldo negativo de 636 vagas no mesmo período do ano anterior.
Já no acumulado do ano, entre janeiro e novembro, a indústria anotou saldo negativo de 205 vagas. No ano passado, o segmento criou 21.326 mil postos de trabalho no mesmo intervalo.

Duas Rodas

Entre os setores, o mais afetado foi o de Duas Rodas, conforme mostram os números do sindicato. Para Mariano Félix, esses números são frutos da situação de mercado que comprometeu todo o desempenho do segmento de duas rodas durante o ano.
“A situação é essa: estoque alto nas lojas e nas fábricas, escoamento da produção prejudicado, acesso ao crédito restrito para o financiamento bancário de motocicletas. Este ano foi árduo. Trabalhamos com banco de horas, férias coletivas, expedientes menores. Fizemos de tudo para não demitir e em muitos casos não pudemos evitar”, lamentou.
Para ele, um indicador importante é o índice de investimentos industriais no Brasil que, de uma forma geral vem caindo. “Esse sim, é um dado preocupante porque significa que os investimentos estão indo para outro lugar. Algo está muito errado. Nossa carga tributária é excessiva e nossos problemas de logística não ajudam”, avaliou.

Perspectivas

O dirigente diz ainda que para 2013, a perspectiva do setor é manter o mesmo patamar de empregos. “Não podemos dizer que haverá incremento, mas se conseguirmos estancar a queda, já é um começo. A recuperação já começou, mas vai ser muito mais lenta do que esperávamos no início de toda essa crise”, adiantou.
Já para Nelson Azevedo, apesar de exigir cautela com o cenário econômico mundial ainda delicado, a perspectiva é de melhora. “Entramos em um ano pré-copa, em que o setor de serviços como hotelaria, entre outros deve registrar um incremento acentuado. Com os serviços, os nossos produtos também terão saída. Para equipar hotéis, por exemplo, é preciso de televisores, tablets, condicionadores de ar etc. para fazer a segurança, será preciso aumentar a frota de motocicletas, e por aí vai”, disse.
Para ele, como a estimativa da economia brasileira é crescer 4% em 2013 e o Amazonas geralmente cresce acima da média nacional, “a expectativa é de que 2013 não seja diferente, mesmo que o acréscimo seja pouco”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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