As indústrias do PIM demitiram o equivalente a 65 trabalhadores por dia em 2012. Foram 22 demissões a mais em relação a média de 2011, ano em que o registro correspondeu a 43 desligamentos diários no polo.
Ao todo, segundo o balanço do Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos), entre janeiro e dezembro do ano passado, foram 24.077 mil homologações, (15.061 mil homens e 9.016 mulheres), um aumento significativo de 51,60% frente aos 15.881 demitidos no acumulado do ano anterior (10.226 mil homens e 5.655 mulheres).
Como já era esperado, em função da crise do setor de duas rodas, a Moto Honda foi a empresa que mais demitiu no ano. Foram 1.652 homologações registradas no sindicato. Em segundo lugar, a Samsung anotou 1.598 demissões, seguida da L.G com 859 desligamentos. As outras empresas que mais demitiram no ‘Ranking’ do Sindmetal foram Jabil (-739), Semp Toshiba (-659), Yamaha (-575), Elsys (-548), Digibold (-496), Digibrás (-455) e Electrolux (-450).
Considerando apenas dezembro, os resultados não foram melhores. No último mês do ano, 2.480 trabalhadores passaram pelo sindicato para homologar suas demissões, 24,74% a mais em relação ao mesmo período de 2011 e 34,92% superior no comparativo com as 1.830 demissões anotas em novembro.
No mês, quem mais dispensou funcionários foi a Samsung (-518), a Moto Honda (-192) e a Jabil (-179).
Saldo
“Vale ressaltar que esses são os números de demitidos. É preciso considerar as admissões também. Analisando de forma ampla, é possível perceber que embora o setor de duas rodas tenha passado por percalços, o segmento eletroeletrônico, por exemplo, caminhou bem e isso, de certa forma equilibra o saldo de empregos do polo”, pondera o presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), Athaydes Mariano Félix.
O vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo concorda. “Há demissões, mas há contratações. Apesar de sabermos o quanto 2012 foi duro, é preciso considerar que existem casos em que um funcionário sai de um emprego para outro, no caso de negociações com a empresa. É um número tímido, mas ele é real”, detalha.
Mesmo sem os dados fechados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) para 2012, é possível verificar que a contratação de mão de obra ‘esfriou’ na indústria. Em novembro, com os pedidos para o Natal entregues, o segmento eliminou 1.186 postos no penúltimo mês do ano contra o saldo negativo de 636 vagas no mesmo período do ano anterior.
Já no acumulado do ano, entre janeiro e novembro, a indústria anotou saldo negativo de 205 vagas. No ano passado, o segmento criou 21.326 mil postos de trabalho no mesmo intervalo.
Duas Rodas
Entre os setores, o mais afetado foi o de Duas Rodas, conforme mostram os números do sindicato. Para Mariano Félix, esses números são frutos da situação de mercado que comprometeu todo o desempenho do segmento de duas rodas durante o ano.
“A situação é essa: estoque alto nas lojas e nas fábricas, escoamento da produção prejudicado, acesso ao crédito restrito para o financiamento bancário de motocicletas. Este ano foi árduo. Trabalhamos com banco de horas, férias coletivas, expedientes menores. Fizemos de tudo para não demitir e em muitos casos não pudemos evitar”, lamentou.
Para ele, um indicador importante é o índice de investimentos industriais no Brasil que, de uma forma geral vem caindo. “Esse sim, é um dado preocupante porque significa que os investimentos estão indo para outro lugar. Algo está muito errado. Nossa carga tributária é excessiva e nossos problemas de logística não ajudam”, avaliou.
Perspectivas
O dirigente diz ainda que para 2013, a perspectiva do setor é manter o mesmo patamar de empregos. “Não podemos dizer que haverá incremento, mas se conseguirmos estancar a queda, já é um começo. A recuperação já começou, mas vai ser muito mais lenta do que esperávamos no início de toda essa crise”, adiantou.
Já para Nelson Azevedo, apesar de exigir cautela com o cenário econômico mundial ainda delicado, a perspectiva é de melhora. “Entramos em um ano pré-copa, em que o setor de serviços como hotelaria, entre outros deve registrar um incremento acentuado. Com os serviços, os nossos produtos também terão saída. Para equipar hotéis, por exemplo, é preciso de televisores, tablets, condicionadores de ar etc. para fazer a segurança, será preciso aumentar a frota de motocicletas, e por aí vai”, disse.
Para ele, como a estimativa da economia brasileira é crescer 4% em 2013 e o Amazonas geralmente cresce acima da média nacional, “a expectativa é de que 2013 não seja diferente, mesmo que o acréscimo seja pouco”, concluiu.







