O PIM fechou 2021 com alta de dois dígitos no faturamento, tanto em dólares, quanto em reais. É o que revelam os dados dos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, compilados e divulgados pela Suframa. Segundo a autarquia, o resultado medido em moeda nacional foi recorde. Em que pese a desaceleração sazonal de fim de ano, dezembro também registrou alta, sendo o décimo mês consecutivo de vendas no azul. Já a média de empregos no Distrito encerrou o ano rompendo novamente a marca de 100 mil vagas, embora tenha perdido velocidade em relação a novembro.
As vendas da indústria incentivada em moeda americana desaceleram 17,80% em relação a novembro, para US$ 2.17 bilhões, mas superaram em 12,43% a marca atingida 12 meses antes (US$ 1.93 bilhões). Convertido na divisa nacional (R$ 12,09 bilhões), o resultado apontou para um decréscimo de 18,48% na variação mensal e a uma expansão de 20,18% em relação ao mesmo intervalo de 2020 (R$ 10,06 bilhões). O ano fechou positivo em ambos os casos, com uma escalada de 28,21% em dólares (US$ 29.40 bilhões) e uma decolagem de 31,90% em reais (R$ 158,62 bilhões).
O resultado superou a estimativa da Suframa, que apontava faturamento de R$ 151 bilhões ao final de 2021. A Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), por outro lado, calculou que o PIM deve fecharia o ano com faturamento em dólares (US$ 30,68 bilhões em patamar levemente superior, o que indicaria elevação mais encorpada (+34,03%) no confronto com 2020. Em divulgação anterior, a entidade empresarial informou também que a expectativa é manter o crescimento na escala de dois dígitos (+35,77%), em 2022.
Couros e têxteis
Na análise em dólares, 22 dos 26 subsetores encerraram o acumulado do ano no azul. As maiores altas proporcionais se deram nos segmentos minoritários do PIM, a exemplo de couros e similares (+107,58% e US$ 10.81 milhões), têxtil (+82,78% e US$ 52.85 milhões) e papel e papelão (+53,79% e US$ 203.06 milhões). Majoritários, os polos de bens de informática (US$ 8.22 bilhões e 27,98% do total) e eletroeletrônico (US$ 6.23 bilhões e 21,19% de participação) subiram 37,39% e 10,47%, respectivamente. Já o polo de duas rodas (US$ 3.71 bilhões) cresceu 31,53%, mantendo fatia de 12,63%.
Assim como ocorrido nos meses anteriores, os principais resultados nas linhas de produção vieram de bens de informática e eletrônicos. Os maiores aumentos proporcionais de produção vieram de microcomputadores portáteis (+526,28% e 4.216.685 unidades), tablets (+91,29% e 1.914.223), condicionadores de ar do tipo split system (+12,28% e 5.883.771), relógios de pulso e de bolso (+40,54% e 7.374.698), fornos micro-ondas (+44,69% e 4.732.095), motocicletas, motonetas e ciclomotos (+25,78% e 1.215.775) e bicicletas – inclusive elétricas (+11,85% e 743.268).
Empregos desaceleram
Os empregos do PIM seguiram acima da marca dos 100 mil, em dezembro, a despeito do cenário econômico adverso e da pandemia. O Polo Industrial de Manaus registrou média anual de 100.747 postos de trabalho, entre trabalhadores efetivos, temporários e terceirizados, no mês. Houve um virtual empate em relação a dezembro de 2020 (100.806) e redução de 4,77% ante novembro de 2021 (105.791) – em dado revisado pela Suframa. Foi o número mais baixo do ano e ficou muito aquém do pico apresentado em agosto (104.489).
A média mensal de mão obra do parque fabril da capital amazonense, no entanto, seguiu ascendente ao longo do ano. No total, foram 103.506 postos de trabalho, sendo 9,34% superior ao combalido dado do “ano cheio” de 2020 (94.663) – em dado também revisado. Foi o melhor número desde 2016 (86.161), embora ainda tenha ficado distante do patamar de 2015 (105.015) – ano inicial da crise anterior.
Levando em conta só a mão de obra efetiva, o saldo no aglutinado até dezembro de 2021 foi de 7.104 vagas, dado o predomínio das contratações (33.198) sobre os desligamentos (26.094). Também foi o melhor desempenho da série histórica fornecida pela Suframa, iniciada em 2016 (-6.123). A autarquia federal informa que as ocupações diretas em mão de obra representam em torno de 81% da geração e manutenção dos empregos na industrial geral do Estado.
“Emprego e renda”
Em texto divulgado por sua assessoria de imprensa, o titular da Suframa, Algacir Polsin, disse que recebeu a notícia do faturamento histórico do Polo Industrial de Manaus como um fato “extremamente satisfatório”, não apenas por revigorar o trabalho desempenhado pela autarquia e governo federal em prol do desenvolvimento da região abrangida pela Superintendência da Zona Franca de Manaus, mas também por chegar no momento em que o modelo ZFM completa 55 anos de existência.
“O PIM é um grande motor da economia da região e seu desempenho recorde potencializa a geração de emprego e renda em diversos pontos do território nacional. Vamos continuar atuando em todas as frentes possíveis, para que o ambiente de negócios do PIM só venha a se fortalecer. E também para que um novo recorde seja alcançado em 2022, pois isso significará melhores condições de ampliar a qualidade de vida de milhões de amazônidas e brasileiros, que são impactados pelas ações realizadas pela Suframa”, afiançou.
“Força e pujança”
Embora considere que os “inúmeros problemas” enfrentados pelo segmento industrial ao longo de um “ano desafiador” prejudiquem uma análise mais precisa, quando no comparativo com a série histórica, o presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Antonio Silva, reforçou que os números apresentados pelos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus demonstram a força e a pujança do modelo ZFM.
“O Polo Industrial de Manaus apresentou, em 2021, um faturamento 32% superior ao de 2020. Isso, para um ano de intensa crise, denota a solidez de nossas indústrias. Os R$ 158,62 bilhões faturados no último ano representam o maior faturamento na história da Zona Franca de Manaus. Esse indicador se reflete, naturalmente, na melhoria dos dados econômicos do Amazonas, seja através do acréscimo na renda da população amazonense, seja no número de postos de trabalho criados”, finalizou.







