Pirataria derruba vendas do polo de mídias digitais

Em: 11 de março de 2010
O setor eletroeletrônico vive duas realidades contraditórias no Amazonas
O setor eletroeletrônico vive duas realidades contraditórias no Amazonas

O setor eletroeletrônico vive duas realidades contraditórias no Amazonas. De um lado o setor avançou 13,92% em janeiro na produção de computadores e laptops destinados ao mercado interno, com perspectivas de obter mais de 20% no crescimento acumulado do primeiro semestre. No canto oposto, a produção de mídias digitais para alimentar os aparelhos despenca a olhos vistos, vítima da pirataria e da crescente perda da atratividade do consumo doméstico.
A constatação foi feita pelo presidente interino do Sindicato dos Meios Eletromagnéticos e Mídias Virgens do Estado do Amazonas, Valmir Franco, para quem essa situação sui generis por que passa o segmento é ‘via sem volta’ e está ligada diretamente a valores sociais e até a certo modismo. O executivo disse ainda que nem mesmo a produção de Blu-Ray, onde residem esperanças para deslanchar as vendas de mídia, conseguiu emplacar no mercado interno. “Sabemos que a produção de microcomputadores tem a expectativa de avançar para um recorde de dois dígitos na produção deste ano, enquanto o setor de mídias espera um declínio entre 10% a 15% este ano”, completou.
Franco citou fatos como pirataria, custo da matéria prima destinada à produção de mídias populares e o preço final do produto Blu-Ray Player, como influenciadores da atual situação. A banalização dos chamados R e RW (mídias digitais graváveis e regraváveis) e o avanço nos serviços proporcionados pelas empresas de cinema, segundo o representante das indústrias, estão tornando o consumo de DVDs cada vez mais enfraquecido. “Percebemos, através de pesquisa em nível nacional, que uma parcela da população está incorporando o hábito de ir ao cinema continuamente, enquanto outra parte considerável de consumidores prefere comprar filmes piratas ou reproduzir via computador doméstico. Ou seja, o produto perdeu espaço com as facilidades da reprodução caseira”, desabafou.
Mas, os dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) contrariam o panorama negativo apontado por Franco. Segundo a autarquia, enquanto a produção de CDs e DVDs acumulou alta de 18,66% em 2009, os micros e laptops ‘made in Amazonas’ despencaram 25,41% no mesmo período.
Em janeiro deste ano, ainda de acordo com a Suframa, a situação se inverteu. A produção de mídias caiu 5,70% em relação a igual período do ano passado, enquanto a produção de microcomputadores, inclusive portáteis, vive um momento de crescimento contínuo. O setor saiu de 16,06 mil unidades em janeiro de 2009 para atuais 18,30 mil. Com a produção em alta escala fechando com 13,92% de avanço, o faturamento veio a galope de subida, fazendo o setor obter US$ 38.98 milhões em janeiro contra US$ 11.03 milhões em igual período do ano passado.

Bens de informática devem igualar faturamento de 2008, prevê Sinaees

No clima de otimismo nas vendas, o presidente da Positivo Informática, Hélio Rotenberg, anunciou ampliação de 2,5% no market share do ano passado em relação a 2008. Por meio de sua assessoria de imprensa, o executivo afirmou que “no período mais agudo da crise, a Positivo esteve ainda mais presente nas redes varejistas, com grandes campanhas promocionais, honrando todos os compromissos com fornecedores, se aproximando dos investidores e preservando o capital humano, elemento chave para o crescimento sustentável da empresa”.
Na expectativa do presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, os bens de informática, que respondem pela maior fatia de receita do setor de eletroeletrônicos, terão faturamento estável na comparação com 2008, isto é, algo em torno de US$ 13.06 bilhões. O executivo disse ainda que a retomada do fôlego crescente em um setor sensível da indústria pode resultar em investimentos e atração de novas fábricas para o segmento no Estado. “Os números são razões mais que suficientes para se comemorar, já que o Amazonas não dispõe mais de incentivos diferenciados em relação a outras regiões do país”, ressaltou o dirigente.

Segmento ganha benefício por isenções e desonerações
tributárias

A economista Cláudia Marcília Benzecry considera que o movimento de queda no setor de informática se sustentará ainda por muito tempo, vez que boa parte da demanda por mídias pode ser suprida com a pirataria. Além disso, a especialista lembrou que o segmento foi um dos mais beneficiados por isenções e desonerações tributárias ao longo de 2008, o que resultou em impactos negativos para a produção local. “Os efeitos dos impostos menores levaram muitas empresas a produzirem em outros Estados, causando um efeito de esvaziamento produtivo”, explicou.
Por outro lado, Cláudia Benzecry lembrou que os computadores e outros itens de informática ficaram mais baratos devido à menor carga de impostos e também por contarem com itens importados em sua montagem, que com a valorização do câmbio, passaram a custar menos. “Crédito e renda continuam com desempenhos muito positivos e vão sustentar os pedidos no varejo no último quadrimestre, caso se mantenha a tendência à estabilidade econômica”, asseverou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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