Os dados referentes ao PIB (Produto Interno Bruto) de 2009, divulgados na quinta-feira, 11, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelaram que o consumo das famílias teve crescimento, tanto no quarto trimestre –na comparação com os três meses anteriores– como no fechamento do ano –no confronto com os resultados de 2008. “Isso demonstra a força que as classes C, D e E tem dentro da economia do país, já que são elas as responsáveis por 60,4% da massa de renda movimentada no país”, apontou o sócio-diretor do instituto de pesquisas Data Popular, Renato Meirelles.
No quarto trimestre, o consumo familiar registrou aumento de 1,9%. Já na relação 2008/2009 a evolução foi de 4,1%. O crescimento do ano passado representa a sexta alta anual consecutiva. “Foi exatamente esse fator que segurou uma queda mais acentuada do PIB”, destacou Meirelles, referindo-se aos gastos das famílias com produtos e serviços.
De acordo com o dirigente, a análise dos hábitos de consumo do brasileiro permite afirmar que a demanda interna continuará aquecida a ponto de continuar sendo decisiva para os principais indicadores econômicos. O estudo “Tendências da Maioria” – Data Popular/Data Folha mostra que as famílias das classes C e D estão dispostas a continuar gastando nos próximos meses.
Como exemplo de intenção de compras, o estudo aponta que, de cada cem pessoas que pretendem comprar geladeira nos próximos meses, 48 e 40 estão entre as famílias de classes C e D, respectivamente. Entre as classes A e B, o produto é alvo apenas de 12% das intenções.
O potencial de consumo também é alto para itens como computadores. Do total de novos aparelhos que poderão entrar nas casas dos brasileiros, 47% serão utilizados por lares da classe C e 39% pelos da classe D. Nas classes A/B a intenção de compra do mesmo produto cai para 14%.
Na avaliação de Meirelles, todos esses números refletem os resultados das políticas públicas de fomento ao consumo, desde a instalação da crise dos mercados mundiais. “Enquanto no cenário mundial a palavra de ordem era economizar, o Brasil seguia o caminho inverso”, afirma.
Oferta de crédito
O sócio-diretor do Data Popular considera que a tendência de consumo do mercado emergente deverá se manter. Ele cita alguns fatores preponderantes para a geração de consumo da classe média (renda familiar até dez salários mínimos) e da base da pirâmide socioeconômica (entre um e três mínimos): os programas de expansão de renda, o aumento da oferta de crédito e os reajustes salariais, geralmente superiores aos índices de inflação e a participação mais ativa de jovens e mulheres nas atividades econômicas.
Meirelles também não deixa de lado o aspecto psicológico que envolve a ascensão social dos estratos mais pobres da população. “Ninguém quer dar um passo para trás. Quem conseguiu subir na escala social quer manter o status e isso estimula o chamado ciclo virtuoso da economia”, argumenta Meirelles.
Empresa é especialista em pesquisas e análises
Criado em 2002, o Data Popular surgiu para produzir conhecimento sobre o mercado popular no Brasil. A empresa é especialista no desenvolvimento de pesquisas e análises para entender como funciona o mercado de baixa renda. Seus estudos avaliam a relação deste público com produtos e marcas para apontar melhores formas de comunicação das empresas e esses consumidores. Entre os clientes atendidos estão Associação Comercial de São Paulo, Alpargatas, Aon Affinity, Banco IBI, Bovespa, Camargo Correa, Dia%, Faber-Castell, Grupo Pão de Açúcar, Grupo Silvio Santos, Intel, Marabraz, Microsoft, Ministério do Turismo, Natura, Nestlé, Pernambucanas, Procter & Gamble, Sadia, SBT, Schering-Plough, Telefônica, Wal-Mart, entre outras organizações.







