Entre 2006 e 2009, 44% dos brasileiros acima de 16 anos consumiram algum produto pirata, segundo estudo da Fecomércio-RJ (Federação do Comércio do Rio de Janeiro) e da Ipsos (empresa de pesquisas). Destes, em média, 83% compraram pelo menos um CD falsificado ao longo do ano e 56%, algum DVD pirata. Considerando o padrão das embalagens, todos esses produtos juntos preencheriam uma distância suficiente para dar a volta na Terra, e ainda sobrariam 7,3 mil km. Isso mesmo partindo do princípio que cada consumidor tenha adquirido apenas uma unidade do produto a cada ano.
Na comparação entre os anos, em agosto de 2006 e 2007, o percentual de brasileiros que consumiram algum produto pirata era de 42%, parcela que passou a 47% no mesmo mês de 2008, ficando relativamente estável na passagem para 2009, com a marca de 46%.
Facilidade de reprodução
A expansão do mercado de aparelhos de mp3 no Brasil –via ipods e celulares– e a maior disseminação do uso da internet –que ampliou a prática de se baixar músicas pelo computador, especialmente entre o público consumidor de produtos piratas– contribuíram para que a compra de CDs falsificados, apesar de permanecer à frente no ranking, recuasse em relação a 2008. Em agosto do ano passado, 83% dos brasileiros consumidores de piratas haviam adquirido algum CD falsificado no período, percentual que passou a 78% em igual mês de 2009.
A facilidade com que hoje os falsificadores podem reproduzir essas mídias, pelos avanços e disseminação da informática, conjugada à elevada carga tributária que incide sobre CDs e DVDs, são fatores que ajudam a compreender o quadro, aponta a Fecomércio, em texto distribuído à imprensa. A alíquota que recai diretamente sobre os produtos chega a 43,25% no país. A estimativa ainda não considera outros impostos indiretos que incidem sobre a comercialização desse tipo de produto, como aqueles relacionados ao estabelecimento em si e ao quadro de pessoal.
Preços mais baixos superam escrúpulo na hora da compra
A principal justificativa dada pelo consumidor para a compra de produtos piratas permanece a mesma desde o início do levantamento: o preço mais em conta, opção citada por 94% dos entrevistados, em 2009, mesma média para os quatro anos da pesquisa. Para ser levado a comprar o produto final, o consumidor considera que o preço deveria cair pela metade. No quesito embalagem, 89% afirmam que, se esta fosse simplificada ao ponto de garantir um menor preço do produto legal, optariam por este.
Brinquedo falsificado
Além do caso de CDs e DVDs, outra evolução que chama atenção diz respeito a brinquedos. Em agosto de 2006, 5% dos consumidores de piratas adquiriram algum brinquedo falsificado no ano, percentual que chegou a 9%, em 2007. A partir daí, a fiscalização mais rígida para o controle de qualidade destes itens e a repercussão na mídia de casos envolvendo danos à saúde de crianças pelo uso de brinquedos falsificados corroboraram para o recuo do consumo: 5%, em 2008 e 1% neste ano.
No geral, o brasileiro afirma estar ciente dos riscos que corre ao adquirir o produto pirata: 66% dizem que o uso desse produtos pode trazer consequências negativas. Para a população, esse consumo aumenta o desemprego (63%), alimenta o crime organizado (69%) e a sonegação de impostos (82%), prejudica o faturamento do comércio (78%) e prejudica o fabricante ou o artista (85%).
Ainda assim, conforme mostram os dados da pesquisa, o preço mais em conta acaba prevalecendo. “Ao que parece, o brasileiro sabe dos riscos que ele e a sociedade correm pelo consumo de produtos piratas, mas o ganho aparente que julga levar com a compra, em função do preço mais baixo, mais do que compensa os prejuízos por trás da transação”, ponderou a entidade no texto distribuído à imprensa.
A normatização e a fiscalização no caso de brinquedos servem como referência para a eficiente repressão a esse mercado, prossegue a entidade. “Campanhas de conscientização, como as veiculadas em DVDs e na TV também são fundamentais para a compreensão por parte da população da amplitude dessa contravenção. Não menos importante são medidas por parte do governo com vistas à desoneração tributária, como indicado pelo levantamento”, finalizou a Fecomércio-RJ.







