Planalto evita pacote impopular no Natal

Em: 18 de dezembro de 2007
O maior problema é como embrulhar o pacote de medidas impopulares na véspera do Natal.
O maior problema é como embrulhar o pacote de medidas impopulares na véspera do Natal.

Encontrar fontes alternativas de receitas e determinar cortes de gastos para cobrir a perda de R$ 38 bilhões com o fim da CPMF, o chamado imposto do cheque, não é a única preocupação da área econômica. Para o governo, a batalha a ser ganha nos próximos dias é a da comunicação, já que, avalia-se, a falta de um discurso “unificado” e “focado” pode fazer estrago maior do que a própria ausência da CPMF.

Apesar de não terem fechado os detalhes de todos os números, os técnicos dos ministérios da Fazenda e do Planejamento já sabem que há espaço para acomodar o buraco deixado pela CPMF no Orçamento e também que não haverá como fugir da fórmula tradicional de aumento de alguns impostos e corte de despesas. O maior problema é como embrulhar o pacote de medidas impopulares na véspera do Natal.

Ontem, ao retornar de Montevidéu, o presidente Lula orientou seu ministros a priorizar os estudos de cortes de gastos no Orçamento antes de passar para a fase de aumento de alíquotas de impostos. Ele deseja que a maior parte do ajuste venha da redução de despesas, deixando apenas uma margem menor para ser compensada com a elevação de tributos.

Segundo a reportagem apurou, a avaliação era que o governo não pode passar a impressão de que Fazenda e Planejamento estão em lados opostos. O governo acredita que foi bem sucedido inicialmente na comunicação, ao reafirmar o compromisso com o equilíbrio das contas públicas e a manutenção do superávit primário (a economia que o governo faz para pagar os juros de sua dívida). Com isso, evitou maiores estragos no mercado financeiro. No entanto, é preciso entregar o que prometeu: um pacote consistente para mostrar que haverá sustentação fiscal no país, mesmo sem a CPMF. Isso é fundamental para conseguir o selo de grau de investimento das agências de classificação de risco e assegurar o ingresso de investimentos externos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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