Além conceder aumentos de até 40% e custar, segundo as primeiras projeções, R$ 500 milhões no ano que vem, o novo plano de carreira dos servidores da Câmara agora gera confusão. O plano, que afeta 3.582 servidores efetivos da Câmara e 1.315 ocupantes de cargos de natureza especial (CNEs), está dividindo a categoria. Os técnicos legislativos, funcionários de nível médio, reclamam do percentual de aumento recebido em relação a alguns analistas, os colegas de nível superior. Mais: alguns dizem que sofreram redução no salário no último contracheque, valor que pode significar R$ 1.500 a menos no orçamento.
O Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo (Sindilegis), que trabalhou pela aprovação do plano, admite que há “distorções” na lei e que o plano não é “o paraíso” (veja entrevista). O site especializado em política, Congresso em Foco, acompanhou a tensa reunião da entidade com 400 funcionários indignados.
Na reunião, o presidente do sindicato, Nilton Paixão, pediu desculpas aos representados, e disse que não era bom haver divisão entre a categoria.
A assessoria da Câmara informou que apenas três pessoas foram prejudicadas com a mudança no plano, mas nenhuma chegou a perder R$ 1.500. Disse ainda que ninguém teve o salário reduzido. Houve apenas ajuste na função comissionada (FC), um dos itens do contracheque dos funcionários.
No início da semana, 400 dos 1.800 técnicos legislativos fizeram uma reunião no auditório Nereu Ramos da Câmara para reclamar da redução da remuneração de alguns deles. Estavam presentes Paixão e representantes dos técnicos, seguranças e aposentados. “Até 30 de junho, eu era feliz. A partir do contracheque de julho, eu me senti humilhado”, discursou Vagner Padilha, um dos muitos técnicos que subiram à tribuna para se queixarem da situação.
Uma servidora com 35 anos de Casa reclamava que sua remuneração tinha diminuído em R$ 1.500. “Eu pago três faculdades, para uma filha e duas sobrinhas. Uma vai ter que parar o curso”, afirmou ela, que pediu para não ser identificada.
O tesoureiro da Astec (Associação dos Técnicos), Paulo Sérgio Santos, disse que alguns colegas perderam R$ 500 na remuneração mensal. Agora, os servidores ratificam o que o Congresso em Foco dissera quando o plano foi divulgado: que ele tramitou sem transparência. “Ninguém teve acesso ao plano. Não houve divulgação e publicidade”, afirmou ele ao site.
Não faltaram palavrões e críticas nominais aos diretores da Câmara na reunião. Os técnicos criticavam a “elite” e “os barões” da Casa. “Fiquei com saudade do Adelmar Sabino [ex-diretor-geral da Casa, afastado na gestão de Aécio Neves na presidência da Câmara e considerado superpoderoso]. Ele fazia planos faraônicos, mas pelo menos nos dava migalhas”, protestava Filon Curado.
Para muitos servidores, os aumentos de até 40% foram feitos em compensação a reduções salariais de outros. “Um plano de carreira feito para agradar uma elite da Câmara. Distorção para beneficiar um grupo pequeno”, reclamou outro, na tribuna.
Paixão completou o raciocínio do colega ao dizer que “certamente” há outras distorções a serem verificadas. Ele disse que a negociação do plano foi “profundamente difícil”.
“Me desculpem, fomos omissos. Confesso que agora é que a gente está tomando pé da situação”, afirmou o presidente do Sindilegis, que, após a aprovação, elogiava o plano de carreira.
Plano de carreira divide servidores da Câmara Federal e gera confusão
Em: 26 de agosto de 2010
Além conceder aumentos de até 40% e custar, segundo as primeiras projeções, R$ 500 milhões no ano que vem, o novo plano de carreira dos servidores da Câmara agora gera confusão
Redação
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