Após a dificuldade do governo em aprovar a medida provisória dos Portos na Câmara, o Palácio do Planalto produziu um ranking com o grau de lealdade dos partidos durante a votação, na semana passada.
Os números -que foram apresentados à presidente Dilma Rousseff- mostram que o PMDB foi o 17º lugar na lista de fidelidade ao governo, contando os 24 partidos representados na Casa.
Segundo o levantamento concluído pela Secretaria de Relações Institucionais e encaminhado também à Casa Civil, a média de votações alinhadas com o governo na bancada peemedebista foi de 41,15% durante a votação da MP.
O PMDB foi o menos fiel dos partidos da base, atrás até dos chamados independentes, como PV (66,19%) e PSD (48,73%).
O PSB, por sua vez, é o sexto mais fiel, com 52,93% de apoio ao governo, na lista que é liderada pelo PT (80,95%) e pelo PC do B (67,03%).
A assessoria da secretaria afirmou que a elaboração destes rankings faz parte de suas atribuições e que o levantamento é o produto da consolidação dos dados oficiais disponibilizados pela Câmara dos Deputados.
Ainda segundo a secretaria, o material costuma ser distribuído à Presidência, à Casa Civil e aos ministérios envolvidos com o tema em votação.
Na votação, concluída a poucas horas de a medida perder a validade, o PMDB foi considerado pelo Planalto como o maior obstáculo. O líder do partido, Eduardo Cunha (RJ), apresentou diversas emendas, prolongando as sessões e obrigando o governo a ceder no texto final aprovado na Câmara.
Diálogo
Depois de enfrentar o governo durante a votação da medida provisória dos Portos, a bancada do PMDB se reúne nesta terça-feira e a tendência é que os deputados trabalhem para a redução da tensão com o Palácio do Planalto, sem deixar, porém, de cobrar um melhoria no relacionamento.
Deputados ouvidos pela Reuters avaliam que a atuação do líder da bancada, Eduardo Cunha (RJ), foi “muito boa” porque uniu os descontentes do partido, mas dizem que agora é hora de acalmar os ânimos, porque o recado ao governo já foi dado.
A MP dos Portos foi aprovada na Câmara depois de longas sessões que vararam a madrugada e com ampla resistência do PMDB em vários pontos do texto.
Apesar disso, o governo conseguiu aprovar o novo marco regulatório do setor portuário a poucas horas da perda da validade da medida provisória.
Durante a tramitação e mesmo depois, Cunha e integrantes do governo trocaram acusações. O líder peemedebista foi apontado como arquirrival nas votações do plenário da Câmara, e ele dizia que as dificuldades na MP dos Portos eram decorrentes da falta de articulação política do Palácio do Planalto.
O deputado Danilo Forte (PMDB-CE), que no ano passado liderou um movimento de descontentes da bancada e chegou a divulgar um manifesto contra o tratamento que os parlamentares recebiam do governo, disse que a MP dos Portos deixou “cicatrizes” na relação, e que tanto o Executivo como o PMDB tiraram ensinamentos do episódio.
“O PMDB aprendeu que precisa ceder no momento certo e que tem que ter unidade na bancada e ir à exaustão no debate”, afirmou à Reuters.







