Polo de papel e papelão ainda sofre efeito da crise

Em: 10 de março de 2011
As empresas do subsetor de papel, papelão e celulose do PIM (Polo Industrial de Manaus) apresentaram leve quadro positivo de empregos no fechamento de 2010 depois de uma sequência de dois anos com saldos negativos no ano de pré-crise e da crise econômica
As empresas do subsetor de papel, papelão e celulose do PIM (Polo Industrial de Manaus) apresentaram leve quadro positivo de empregos no fechamento de 2010 depois de uma sequência de dois anos com saldos negativos no ano de pré-crise e da crise econômica

As empresas do subsetor de papel, papelão e celulose do PIM (Polo Industrial de Manaus) apresentaram leve quadro positivo de empregos no fechamento de 2010 depois de uma sequência de dois anos com saldos negativos no ano de pré-crise e da crise econômica mundial. E assim como a oferta de empregos superou a do ano anterior, os resultados do faturamento atingiram cifras crescentes, com US$ 184.36 milhões, equivalente a 29,36% a mais que em 2009 (US$ 142.52 milhões). Os números são da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus)
Mas, os resultados não são tão otimistas, já que se posicionam inferiores ao melhor desempenho de 2008, quando chegou a US$ 188.34 milhões. Já as perspectivas para os próximos anos parecem promissoras, caso as empresas do polo acompanhem as expectativas nacionais de papel e celulose. Segundo dados divulgados pela Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel), as empresas poderão produzir mais para atender demandas crescentes do mercado internacional.

Corte de empregos

No ano passado, foram ao todo 2.103 pessoas vinculadas em empresas do polo para atender as vagas de mão de obra efetiva, terceirizadas e temporárias. O quantitativo ficou em 4,89% a mais que em 2009, quando eram 2.005 os empregados pelo subsetor, conforme os indicadores de desempenho do PIM formulados pela autarquia.
Ainda que seja positivo o resultado de 2010, ele fica atrás do melhor número de postos alcançado em 2007, com 2.326 empregos. Assim como fica abaixo das 2.183 pessoas vinculadas em 2008, sendo considerada a análise dos últimos cinco anos.
De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Papel, Papelão e Celulose, Herbert Brandão, a fusão de duas empresas do subsetor acarretou em boa parte das demissões. “Foram cerca de 170 pessoas demitidas. As outras empresas que também sofreram com a crise optaram por dar férias coletivas em 2009. Mas, em 2010, elas fizeram redução de funcionários para adequação às atividades da empresa”, pontuou Brandão.
Na empresa PCE – Papel, Caixas e Embalagens, houve pequeno acréscimo na contratação de mão de obra em 2010, contou o gerente administrativo Iram Pimentel Marques. A empresa depende do aquecimento da venda de televisores e bens de informática do PIM, que teve desempenho aquecido em 2010. A ligação com as outras fábricas está na quase totalidade da fabricação de papel, caixas e embalagens ser direcionada às empresas do polo e apenas algo inferior a 1% ser direcionado ao mercado nacional, conforme contou Pimentel.

Indústrias reduzem compra de insumos importados

Na contramão do PIM, a variação da percentagem dos insumos oriundos do exterior tem a menor participação no subsetor, com apenas 13,28% em 2010. A marca tem pouca oscilação nos últimos anos.
Já os insumos nacionais vêm aumentando a participação desde 2006, partindo de 44,01% para os atuais 62,44%. Esta foi a maior percentagem dos últimos cinco anos. O restante dos insumos das empresas do subsetor são os regionais, que responderam em 24,28% da demanda.
Ao todo, os insumos no acumulado do ano de 2010 totalizaram o custo de US$ 75.53milhões. Abaixo de 2007 (US$ 99.67 milhões) e 2008 (US$ 94.07 milhões), os gastos no ano passado ultrapassaram os de 2009, quando foram de US$ 66.97milhões.
Segundo o gerente do PCE, a empresa é essencialmente abastecida por matéria local. Com a compra de aparas de papelão das empresas do PIM e coletas do material nas ruas.
As 13 empresas do setor registraram o maior investimento dos últimos cinco anos com os US$121.56 milhões frente a US$ 107.77 de 2009.
Para algumas empresas apoiadas em outros subsetores do PIM, o ano de 2010 foi de êxito, como conta a diretora administrativa da empresa Labelpress Indústria e Comércio da Amazônia, Tatiana de Ângelo. A produção de etiquetas para especificação de aparelhos eletroeletrônicos e embalagens em 2010 foi superior ao ano de 2009 em 25%. Ela atribui o desempenho na produção “ao aquecimento do Distrito [Industrial] depois do ano da crise, beneficiado pela Copa do Mundo. Com isso, as empresas faturaram muito e como precisaram de etiquetas, a nossa acompanha o resultado”, destacou.
A diretora estima que os números de 2011 devem acompanhar o bom andamento dos negócios em 2010. “Antes do término de fevereiro, os dois primeiros meses do ano batem os resultados do ano passado. Justamente este período até março costuma ser mais fraco e só ganha força depois do Carnaval. Este ano está atípico. Já estamos trabalhando com ritmo forte. Queremos dobrar o faturamento em 2011, aproveitando que o mercado está aquecido”, salientou.
O otimismo não é unânime no subsetor, já que segundo dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento indústria e Comércio Exterior) o artigo cartas de jogar ocupa a 45ª posição entre as principais exportações do Amazonas, com o valor de US$ 1.78 milhões em exportação em 2010, contra os US$ 2.08 milhões em 2009. A variação negativa ficou em 14,49%. De acordo com os dados da Suframa, foram produzidas 105.676 dúzias do jogo em 2010, e há apenas uma empresa produtora do artigo. Sobre a redução no volume, a reportagem não obteve respostas da Copag da Amazônia até o fechamento da edição.

Perspectivas otimistas

As perspectivas para o setor de celulose e papel no país nos próximos anos são otimistas, baseadas na expectativa do aumento de consumo de papel e maior dinamismo econômico de mercados emergentes –China, Índia, Rússia, Leste Europeu e América Latina.
As projeções pra 2011 são de expansão do setor, para aumento de 57% na produção de celulose e 30% de papel. Os investimentos devem dobrar, em dez anos, a receita de exportações, chegando a US$ 13 bilhões, segundo informações da Bracelpa.
O setor de celulose e papel registrou pequeno crescimento no volume de produção no país, ao passo que a exportação teve elevação de 35,4%, com os US$ 6.8 bilhões. O saldo da balança comercial atingiu US$ 4.9 bilhões, o que marcou 33% a mais que o resultado de 2009.
Mais da metade das exportações de celulose foram direcionadas à América do Norte e Europa. A maioria das exportações dos papéis tiveram a América Latina como destino.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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