O Polo relojoeiro passa por um bom momento econômico. A produção de relógios de pulso e bolso em Manaus praticamente dobrou nos dois primeiros meses deste ano, no comparativo com janeiro e fevereiro de 2010.
Indicadores industriais divulgados pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) apontam um crescimento de 99,21% para o período com uma produção de 1,42 milhões de unidades contra as 715 mil fabricadas no mesmo período de 2010.
Os fabricantes do setor alcançaram um faturamento de US$ 70.96 milhões. Valor este, que se comparado aos US$ 36.13 milhões conquistados em janeiro e fevereiro do ano anterior, equivale a um crescimento de 96,41%.
Os industriários destacaram o aumento do poder aquisitivo da população e o câmbio favorável como dois dos principais fatores para o crescimento do segmento. “A baixa cotação do dólar permite que o produto final chegue a um preço mais justo para o consumidor”, explica o diretor industrial da Seculus, Mario Cenni.
Para Cenni, outro diferencial é o relógio estar se firmando, cada vez mais, como um acessório de vestuário e não como um simples medidor de horas. “As pessoas tem vontade de ter um relógio para cada ocasião. Ter um modelo esportivo, mais descolado para o dia a dia. Outro mais clássico para usar em reuniões, outro mais moderno para casamentos e festas e assim por diante”, comenta o diretor.
A Dumont, fabricante instalada em Manaus desde a década de 70, aposta no surgimento de uma nova faixa etária de consumidores como sendo outro fator de crescimento. Segundo o diretor superintendente do grupo, José Ricardo Calil, houve um aumento expressivo de consumidores entre 15 e 25 nos últimos três anos. “Levando em consideração essa parcela jovem de consumidores, nossa ideia é explorar o potencial do relógio como um acessório da moda. Olhando para o produto dessa forma, acreditamos que o polo relojoeiro ainda tenha muito mercado para explorar”, ressalta Calil.
Apesar de uma forte tendência, de acordo com os industriários, os meses de janeiro e fevereiro não são suficientes para balizar o crescimento que o setor poderá conquistar ao longo do ano. Eles frisam que no primeiro bimestre de 2010 o cenário econômico não era tão favorável como o deste ano. Para eles, somente os resultados dos meses de março, abril e maio é que irão dizer com mais clareza se o polo relojoeiro terá um crescimento expressivo. Mesmo assim, a Seculus espera obter um crescimento de 45% em 2011. “Os cerca de 90% dos primeiros meses não podem ser usados como referência para o resto do ano, mas já dão uma pista de como será o desenvolvimento do setor”, analisa Mario Cenni.
Investimentos
Para alcançar esse resultado positivo, os investimentos no setor também cresceram. Até fevereiro já haviam sido gastos US$ 102.465 milhões. Isso significa que, em apenas dois meses, os empresários injetaram mais dinheiro do que a soma do que foi investido em 2009 e 2010 (US$ 98.58 milhões). Esse investimento foi utilizado, entre outras coisas, para formação de estoque de matéria-prima e compra de novos equipamentos.
O aumento da mão de obra também foi uma das preocupações por parte dos empresários. O número de funcionários trabalhando no setor já chega a 2.225, gerando um crescimento parcial de 23,41% em relação ao ano passado.
A Seculus, que possui atualmente 380 funcionários entre fixos e temporários, prevê um crescimento de 35% até o final do ano.
O atraso na chegada de componentes em decorrência da crise no Japão foi um dos problemas enfrentados recentemente pelos fabricantes. Porém, de acordo com José Calil, as empresas que já haviam se preparado formando estoque, não foram muito afetadas. Segundo Mario Cenni, o maior problema continua sendo a mão de obra. “Nem é preciso ser qualificada, porque damos treinamento aqui, mas mesmo assim temos dificuldade na contratação”, reclama o diretor.
Outro gargalo mais antigo que continua incomodando os empresários é a pirataria. O segmento relojoeiro ainda é um dos mais afetados. “O que há é um esforço contínuo por parte tanto dos fabricantes como da Receita Federal para inibir a prática, mas ela ainda existe”, lembra Calil. O setor enfrenta ainda outros problemas. Para falar sobre o assunto, o Jornal do Commercio tentou contato com o Sirom (Sindicato das Indústrias de Relojoaria e Ourivesaria de Manaus), mas não obteve retorno.
Dos 1,27 milhões de relógios de pulso e bolso vendidos, 97,8% foram destinados para o mercado interno, que foi responsável pelo valor quase total do faturamento do período. Apenas uma pequena parcela dos produtos foi destinada à exportação que gerou um faturamento tímido de US$ 18.7 mil. Isso se deve ao fato de a exportação não ser o foco das empresas do polo relojoeiro, que concentram suas atenções direcionadas para o mercado nacional. Atualmente existem nove fábricas relojoeiras instaladas no PIM. No segundo semestre deste ano, a fabricante Touch Watches será a décima empresa do segmento a fabricar relógios em Manaus.






