O segmento relojoeiro do PIM (Polo Industrial de Manaus) aproveita boa temporada e aposta no mesmo resultado para este ano, quando deve crescer de 30% a 40%, conforme projeção do Sindicato das Indústrias de Relojoaria de Manaus. Em 2010, a previsão para faturamento das empresas do setor era de US$ 376 milhões, 25% a mais em relação a 2009. Mas, de acordo com os Indicadores de Desempenho do PIM, elaborados pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), o ano superou as expectativas dos empresários e encerrou com US$ 506 milhões, um aumento de 68,12% e o melhor resultado em seis anos.
Entre 2005 e 2008, as fábricas de relógios de Manaus apresentaram um crescimento contínuo em faturamento, fechando o primeiro período com US$ 178 milhões e finalizando 2008 com US$ 305.11 milhões. Colocando os valores na balança, a taxa de crescimento foi de apenas 1,7%. Em 2009, os números sofreram retração, devido aos reflexos da crise mundial. O recuo foi de quase US$ 4 milhões em relação ao ano anterior.
Em 2010, o setor também teve recorde em produção. Foram mais de 9,08 milhões de relógios de pulso e bolso produzidos pelo PIM, o que corresponde a um acréscimo de 56,51% em relação a 2009. “Hoje, nossos maiores clientes estão nas regiões Sul e Sudeste do país. Eles correspondem a uma venda de mais de 50% do que as indústrias fabricam”, detalhou o gerente administrativo da Dumont, Álvaro Menezes.
Segundo uma empresa, que não quis ter o nome revelado, o faturamento foi um pouco superior que 2009, mas não foi com um percentual tão expressivo assim, a causa apontada pelo aumento foi a maior participação em eventos, feiras e exposições para divulgação da marca e novos lançamentos. “Em 2009, tivemos um aumento de 35% em relação a 2008. Em 2010, foi 10% acima do ano anterior”, informou.
Entretanto, para as empresas em geral, 2010 foi considerado positivo, apesar dos gargalos da indústria, mas nada que pudesse prejudicar as vendas. “As dificuldades são as mesmas de sempre. Muita burocracia, falta de infraestrutura, de mão de obra capacitada, muito relógio sendo importado com subfaturamento, entre outros”, disse o diretor do Conselho Fiscal do Sindicato das Indústrias de Relojoaria de Manaus e presidente do Cieam (Centro da Indústria do Amazonas), Maurício Loureiro.
Mas o dirigente, que também é diretor da Technos da Amazônia, mantém-se confiante no setor. Para Loureiro, se tudo der certo para o país, as fábricas poderão repetir a mesma façanha do ano passado, com um acréscimo de 30% a 40% de crescimento em faturamento. “Isto, se o governo federal minimizar a burocracia e adotar as medidas necessárias à fabricação de relógios em Manaus”, frisou.
Contrabando e subfaturamento ainda são os maiores rivais do segmento
Segundo o presidente do Cieam, vários fatores influenciaram no faturamento de 2010. Entre eles, o aumento da renda nacional, em especial do salário mínimo –que teve crescimento real ao longo dos últimos oito anos– e o lançamento de modelos de relógios com preços mais acessíveis ao consumidor. Ele cita o exemplo dos relógios que trocam pulseiras, em especial os lançados no mercado a partir de 2009.
“Outro aspecto de relevância é que o relógio de pulso não é somente um produto para se ver as horas. Hoje, esse produto, faz parte do nosso guarda roupa. Ou seja, podemos dizer que os relógios de pulso viraram acessórios de moda. Desta forma, imagina-se que o consumidor fica tentado a ter vários relógios que combinem com o vestuário do seu dia a dia”, salientou Loureiro.
Outro fator que contribui para o crescimento é o aumento dos investimentos do setor, que chegou a US$ 53.72 milhões em 2010, ficando atrás apenas de 2008 (US$ 71.38 milhões).
No ano passado, o Brasil importou mais de 20 milhões de relógios de pulso pela mesma NCM’s (Nomenclatura Comercial de Mercadorias) que a ZFM (Zona Franca de Manaus) produziu. Isto, com valores subfaturados da China e da Ásia de um modo geral. “Imaginem que pudéssemos fazer com que pelo menos 50% destes 20 milhões, ou seja, 10 milhões de relógios, pudessem ser fabricados na ZFM. Poderíamos gerar no mínimo cerca de 2.000 trabalhadores empregados, geraríamos mais impostos e, obviamente, mais investimentos”, destacou Loureiro.
De acordo com o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), o relógio de pulso foi o 100º produto mais exportado em 2010 pelo Amazonas, mas passou por uma queda. Foram US$ 282.459 o ano passado (o equivalente a 0,03% do total da pauta do Estado), enquanto em 2009 era de US$ 358.258 (0,04%).






