Polo termoplástico sinaliza repassar custos

Em: 16 de maio de 2011
O consumidor deve pagar, em breve, um pouco mais caro pelas mercadorias com itens plásticos
O consumidor deve pagar, em breve, um pouco mais caro pelas mercadorias com itens plásticos

O consumidor deve pagar, em breve, um pouco mais caro pelas mercadorias com itens plásticos. De acordo com o presidente do Simplast (Sindicato das Indústrias de Plástico do Amazonas), Carlos Monteiro, o segmento deve repassar um preço de 2% a 3% mais elevado para seus produtos, em virtude do aumento da cotação do petróleo.
Embora os alimentos sejam os protagonistas da novela inflacionária no país, não são a única preocupação do mercado. Em março, o item registrou uma influência de 2,84 p.p. na alta de 6,80% do IPP (Índice de Preços do Produtor) em comparação a igual período de 2010. Contudo, o refino de petróleo e de produtos de álcool respondeu por 0,91 p.p., de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Como a resina plástica é subproduto do petróleo, já que deriva da sua refinação, a matéria-prima das indústrias termoplástica é a que mais pesa no custo final, ainda mais quando responde por 70% do processo de produção, segundo Monteiro.
Em março, o IPP apontou que 11 das 23 atividades pesquisadas apresentaram expansão de preços em relação a fevereiro, das quais o setor de refino de petróleo e produtos de álcool anotou a segunda maior variação, com 1,99%.
Em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, o coordenador do IPC (Índice de Preços do Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), Antonio Evaldo Comune, havia declarado que, dependendo de seu comportamento no decorrer do ano, o petróleo poderia impulsionar a inflação até mais que os próprios alimentos, já que o óleo é a base para a fabricação de diversos produtos.
No caso do Brasil, o dirigente do Simplast explica que a produção de petróleo está nas mãos de três grandes empresas e, por isso, não há como fugir da alta.
Entretanto, Carlos Monteiro salienta que o arrocho no custo do barril do petróleo varia por sazonalidades, principalmente em decorrência dos acontecimentos no mundo árabe. Em virtude deste fator, de acordo com Monteiro, há sempre uma espera de 30 a 40 dias para as possíveis elevações nos preços, até porque existe uma política estabilizada dos mesmos.

Dissídio e contratos

David Kermanar, diretor de negócios da Masa da Amazônia, esclarece que há duas outras grandes interferências no bolso da empresa: o dissídio coletivo, que representa 8,5% na folha salarial; e a revisão de contratos, como o de saúde, de transporte, de serviços terceirizados, entre outros. Entretanto, o mais forte continua sendo o preço do barril que, segundo ele, já passou de US$ 120.
A correção da tabela de preços também é influenciada pelos custos com energia elétrica e pela questão do dólar, que impacta a indústria em geral. Em abril, o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Abreu, já havia se encontrado com a presidenta Dilma Rousseff para que o governo adotasse medidas para conter a queda do dólar comercial.
Agora, com a elevação da moeda americana nos últimos dias, Monteiro afirma que a tendência é favorecer a produção interna do país. “O ideal é que ficasse mais alto, a nível da indústria. No nosso ponto de vista deveria permanecer na margem dos R$ 2,50. Mas no do importador, deveria estar emparelhado ao real”, avaliou.
O dólar encerrou o período útil da semana sendo negociado por R$ 1,633, o seu ponto mais alto desde o final de março, em um acréscimo de 0,6% sobre a taxa de quinta, 12, e 1% mais alto na comparação com o preço fixado ao final da semana anterior.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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