Por que faltam aviões? A crise que trava a indústria e custa bilhões às aéreas

Em: 27 de outubro de 2026

O mundo nunca encomendou tantos aviões. Airbus e Boeing acumulam pedidos suficientes para manter suas fábricas ocupadas por mais de uma década. A Embraer, por sua vez, vem registrando sucessivos recordes em sua carteira de pedidos e avança nas entregas.

Mesmo assim, companhias aéreas enfrentam uma escassez de aeronaves que limita seus planos de expansão, aumenta os custos e dificulta a renovação das frotas.

O tamanho do problema pode ser medido em aviões que ainda não chegaram ao mercado. Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), a indústria deixou de entregar cerca de 5.300 aeronaves desde 2019, em comparação com o ritmo de produção que se esperava antes da pandemia.

A carteira global de encomendas já supera 18 mil unidades. Ao mesmo tempo, a produção permanece abaixo da capacidade necessária para atender à demanda. Em 2025, as fabricantes produziram 24% menos aviões do que em 2019, segundo a consultoria Oliver Wyman.

O desequilíbrio não surgiu de uma hora para outra. Começou antes da pandemia, agravou-se com a paralisação das fábricas e a desorganização das cadeias produtivas e se prolongou com problemas técnicos, falta de componentes e escassez de trabalhadores especializados.

Agora, mesmo com a recuperação da atividade industrial, seus efeitos continuam a se acumular.

A situação é particularmente desafiadora para as companhias aéreas, que precisam encomendar aeronaves anos antes de colocá-las em operação. Uma decisão tomada hoje pode determinar quais rotas uma empresa conseguirá operar no início da próxima década.

Na fábrica da Airbus em Toulouse, na França, Damien Sternchuss, vice-presidente de marketing de companhias aéreas da Airbus para a América Latina e o Caribe, apresentou uma dimensão dessa espera: a companhia acumula cerca de 9.300 aeronaves em sua carteira de pedidos.

Por que faltam aviões? A crise que trava a indústria e custa bilhões às aéreas - aviao fabricacao

Segundo ele, uma companhia que faça uma encomenda hoje pode esperar de seis a sete anos para receber o avião.

O prazo não corresponde necessariamente ao tempo necessário para construir uma aeronave. Reflete, principalmente, a fila de produção já comprometida com pedidos anteriores.

A Airbus afirma que está conseguindo acelerar as entregas. Em entrevista durante a visita à fábrica, Sternchuss disse que o volume acumulado até setembro estava entre 8% e 9% acima do registrado no mesmo período de 2025.

A empresa trabalhava, naquele momento, com a previsão de entregar aproximadamente 870 aviões em 2026.

Mas, para a indústria, aumentar a produção exige muito mais do que acelerar uma linha de montagem.

Uma cadeia de produção no limite

Um avião comercial reúne milhões de componentes produzidos por uma extensa rede de fornecedores. Entre motores, sistemas eletrônicos, estruturas e equipamentos de cabine, um atraso em qualquer etapa pode comprometer a entrega de uma aeronave praticamente pronta.

É justamente nessa cadeia que se encontra parte importante do problema.

“A demanda da indústria está muito forte. O que não vemos é a capacidade da cadeia de fornecedores crescendo na mesma velocidade”, afirmou Roberto Chaves, vice-presidente de Supply Chain da Embraer, durante uma apresentação acompanhada pelo InvestNews. A informação é do InvestNews.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Search