Historiador e professor, um amigo íntimo apontou a este articulista da ausência de fatos novos sobre a cobiça à Amazônia, em parte do texto “Estórias da nossa História”, da lavra deste, já que ali se peca pela desatualização, questionou aquele.
Pode ser, disse-lhe. Contudo, tenha-se em conta que o assunto é de trato inquieto, atávico mesmo, tão imenso como a nossa região, além de que é o nosso porta-joias sob risco, tema-se. Mas, dos veras, coube sim o agradecimento ao aplicado mestre, a bordo de um abraço, augurando-lhe profícuas aulas. Vejamos, então.
Bem se sabe, flutua um acervo de palavras, alguns anúncios oficiais conduzindo soluções adjetivas – a postura intencional de sempre – mas longe da substantivação, nisso não podendo faltar a figura do monologismo, que também atende como solilóquio, é o que se colhe em qualquer variante que cerca essa questão pátria a palpitar temores do gênero, como consta na história dos povos, dizendo que tudo começa com abordagens quitais, antes das invasões físicas ou de outra ordem, que se seguem. Não é assim, ex ante?
As palavras, é desejável que se amparem em passos concretos a assegurar em seguida o que proclamam, ou então se quedam em meras contrapalavras ou despalavras, inaugure-se tais significados, se for o caso. Nisso, acode ao pensar os versos de Fernando Pessoa que assim viajam: ‘’Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma.’’
Acolá taxou-se monologismo, termo que também se mostrou em cena no palco desta dramaturgia, quando de certa passagem próxima ao incremento do disse-me-disse que ocorria no mundo, obrigando a que a maior autoridade brasileira se pronunciasse quanto à ameaça em curso vocal. E assim se deu, só que a tal autoridade era nada mais nada menos que o Lula. E então, em prol deste impávido colosso, acredite-se, lascou: “A Amazônia tem dono!”. Pronto. Nada mais disse, nem lhe foi perguntado. Só se sabe que por muito tempo neste vale de lágrimas não se falou mais no assunto, ora pro nobis. Daí a curiosidade de conhecer a eficácia de certas afirmações do petista, eis que aquela não foi a primeira, aliás desta feita sem agredir o vernáculo. Acresce, alguém com a indispensável disposição há de obrar as pérolas quitais luláticas. Está-se falando de obra editorial…
Assim é que, vamos lá. Monologismo, ou ato de monologar, é hábito de falar sozinho ou para si. Trata-se da qualidade dos discursos autoritários em que um único sentido sobressai, impedindo que os demais venham à tona. Na prática, percebe-se que o “diálogo” limita-se a um plano inferior de detalhamento ou esclarecimento de discursos prontos, oriundos de um único emissor, e a língua passa a ser um instrumento de reprodução do sistema de denominação vigente, ou, no caso, um frugal lu-la-lá. Concorda?
Nesta altura, há de se saudar os valiosos pronunciamentos contra a internacionalização da Amazônia, tal como há tempos disse Carlos Minc, quando ministro do Meio Ambiente e questionado sobre a atrevida ideia: “Por que não? – desde que fossem internacionalizadas também Nova York e Paris”. Na bucha, não?
A sórdida campanha estava em curso. O jornal inglês The Independent estampou editorial sustentando que a Amazônia “era importante demais para ser deixada aos brasileiros”.
Por seu turno o New York Times reascendeu antiga frase de Al Gore, ex-vice-presidente americano onde rosnava “Ao contrário do que pensam os brasileiros, a Amazônia não é propriedade deles, e sim de todos nós”. Pai d’égua! Olha aqui pra ti! (Continua).
*Bosco Jackmonth é advogado (OAB/AM 436). Contato: [email protected]







