“Portugal pode ser a porta de entrada para o Brasil conseguir novas oportunidades de negócios junto a União Europeia”, essa foi a afirmação feita pelo advogado português, Miguel Reis, em palestra realizada na última quinta-feira, 5, no Salão Nobre da Beneficente Portuguesa. Com o tema, “Portugal: uma visão da modernidade, da crise e das oportunidades”, o evento foi uma realização do Jornal do Commercio e do Consulado de Portugal.
Reis veio ao Brasil, a convite do JC, para falar das novas oportunidades que a conjuntura atual abre às empresas brasileiras. O advogado ainda fez um panorama da situação em que se encontra a União Europeia com relação à crise que se instalou naquele continente.
“Diante das dificuldades há momentos de grandes oportunidades, mas para que isso aconteça é preciso que haja conhecimento”, frisou.
A discussão tratou basicamente da problemática das crises econômicas e das oportunidades que esse período traz para o empresário, levando em consideração as evoluções do passado e o que pode ser feito hoje.
Segundo o advogado, Portugal é a plataforma natural para a entrada das empresas brasileiras no Continente Europeu por ter tecnologias que o Brasil conhece, mas não tem conhecimento para usufruir, como por exemplo, as de telefonia. Outra maneira apontada pelo português para facilitar as relações empresariais com a União Europeia é trabalhar o estreitamento com as lideranças portuguesas.
“Acredito que deve haver mais aproximação entre os dois países para estreitar as relações comerciais existentes. Já que o Brasil é um dos países que mais tem evoluído no mundo”, enfatiza.
Reis acredita que os dois países possuem semelhanças que contribui para a sua aproximação. “Por se falar a mesma língua, e por sermos muito parecidos na forma de governar nossas casas, os brasileiros se sentem como se estivessem em seu lar quando visitam Portugal. É como se estivessem em outro Estado brasileiro”, explicou.
Perguntado sobre quais as vantagens econômicas que os dois países poderiam tirar diante da crise que a Europa enfrenta, Reis foi taxativo. “Esta crise não é econômica, o que há é uma crise financeira que foi importada dos Estados Unidos, contaminando todo o sistema financeiro. O que se observa, no momento, é que se fala muito da dívida da Grécia, de Portugal, mas não se houve falar da dívida dos Estados Unidos nem da Inglaterra”.
Convidados ilustres
A palestra contou com as presenças do presidente do Jornal do Commercio, Guilherme Aluízio, do vice-presidente, Sócrates Bomfim Neto e do Cônsul de Portugal no Amazonas, José Azevedo.
O presidente do Jornal do Commercio, Guilherme Aluízio, ressaltou a importância do tema abordado pelo advogado Miguel Reis.
“A temática colocada em questão é de suma importância para a realidade do que vivenciam os dois países. Estreitar as relações comerciais seria um grande avanço”, enfatizou.
Depois da palestra, o cônsul de Portugal se emocionou ao recordar da sua infância pobre, ao lado de seus pais, e do convívio com grandes dificuldades. Ao chegar ao Amazonas, ele trabalhou arduamente na agricultura, e hoje é conhecido como um dos grandes empresários do Estado. “Naquele tempo tudo era muito difícil, tínhamos que botar a mão na terra, acordar cedo, dormir tarde, não havia tecnologia para ajudar, não era nada fácil”, recordou emocionado.







