A alta dos preços do aço no mercado interno poderá impactar na indústria de eletroeletrônicos e do pólo de duas rodas sobre os fabricantes de linha branca e eletroeletrônicos portáteis. O alerta foi dado pelo Sinmem (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Manaus), que planeja negociações junto a Suframa para ampliar a cota de insumos importados, caso o reajuste na commodity seja concretizado.
O presidente do Sinmem, Athaydes Félix Mariano, afirmou que o último reajuste no preço da indústria metalúrgica foi com uma visão inferior de aumento do minério de ferro e do carvão. Esse fator, segundo o executivo, obrigou a maioria das empresas do setor a elevarem em 11,5% o preço dos produtos laminados a quente e em 9% as chapas grossas, laminados a frio e a linha galvanizada durante o mês de março. “Como o minério de ferro sofreu um reajuste de 65% a 71% e o preço do carvão deverá subir em mais de 100%, os custos ainda não foram totalmente repassados. No mercado internacional, o cenário também é de alta, embora os insumos chineses estejam mais em conta”, assegurou o dirigente.
Mariano apontou para um possível pedido de ampliação de cotas de importação dos insumos junto a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), comentando que, desde o início do ano, os fornecedores de aço do Sul e Sudeste solicitaram reajustes à indústria metalúrgica local, cuja soma varia oscila entre 14% e 25% de acordo com o tipo de aço. Segundo o executivo, os fabricantes de eletroeletrônicos e do pólo de duas rodas, principais clientes do setor metalúrgico do Estado, já absorveram parte desse aumento, por isso um novo aumento pode influenciar em possíveis quebras de contrato.
“Nossa preocupação é que um novo ajuste de preço na commodity não seja suportado e acabe interferindo no cancelamento de contratos. Em março, por conta dessa alta no aço, fez os custos finais da indústria de eletroeletrônicos, por exemplo, subirem entre 4% e 6%”, asseverou Mariano.
Mas o presidente da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), Lourival Kiçula, se mostrou determinado a não aceitar tão facilmente a possibilidade de um novo aumento no setor, que poderia impactar no preço final ao consumidor. “Se a indústria de eletroeletrônicos tiver que absorver reajustes dessa magnitude, o impacto em termos de competitividade dos nossos produtos será inevitável”, advertiu.
Eletroeletrônicos importados têm preço menor
Kiçula afirmou que, uma vez concretizado o reajuste nos preços praticados pela indústria metalúrgica, os eletroeletrônicos importados chegarão ao mercado brasileiro a um custo menor do que os fabricados no PIM (Pólo Industrial de Manaus), que pagam tributos muito maiores, tanto nos insumos, como o aço metalúrgico, quanto no produto final. O executivo foi contundente ao afirmar que o interesse dos siderúrgicos não justifica os reajustes no minério de ferro no mercado interno, já que os preços superam em muito a inflação no acumulado do ano, podendo alimentar a pressão inflacionária, motivo de preocupação tanto na indústria quanto para os consumidores.
As palavras de Kiçula encontram eco junto ao titular do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, que ressaltou a necessidade de políticas industriais voltadas para a reavaliação da carga tributária cobrada junto às indústrias de bens intermediários.
Na opinião do executivo, para manter a demanda do pólo eletroeletrônico é importante que se mantenha um ciclo produtivo virtuoso assegurado pela estabilidade econômica e em políticas industriais consolidadoras de um quadro de liquidez no mercado financeiro.
“O alto custo das matérias-primas, a carga tributária e o câmbio são extremamente nocivos para as indústrias de transformação. As companhias siderúrgicas têm de lucrar, porém sem matar os outros setores que dependem dela”, argumentou Périco, acrescentando que há de se ter critérios claros e disposiçõe







