Preços do aço continuam em queda

Em: 16 de setembro de 2015
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Com a demanda global em desaceleração, usinas vêm trabalhando com margens menores

Não bastasse a desaceleração internacional do consumo de aço, que vem derrubando os preços, as siderúrgicas brasileiras ainda enfrentam a retração da demanda local. Automotivo e construção civil puxam o fraco desempenho do setor, que amarga quedas sucessivas.
“Mesmo com a valorização do dólar, as usinas brasileiras não têm conseguido repassar aumentos de preços devido ao cenário desafiador”, afirma o analista de siderurgia da Tendências Consultoria, Felipe Beraldi.
O mercado global vem sendo pressionado pela desaceleração da demanda por aço, ao mesmo tempo em que a China, maior produtora do mundo, manteve seus elevados níveis de produção, o que derrubou os preços no ano.
Segundo Beraldi, somente em agosto o preço internacional da bobina laminada a quente (BLQ) teve forte retração de 8,4% em relação a julho. Para setembro, a projeção da consultoria é que a cotação também se mantenha em patamares fracos.
A média da cotação global do BLQ, neste ano, deve apresentar um declínio de 28,8% em relação a 2014. “O arrefecimento da demanda no mundo e a queda dos preços dos insumos, como carvão metalúrgico e minério de ferro, derrubaram as cotações”, pondera o analista.
Ainda na segunda-feira (14) o grupo chinês Baosteel, considerado líder na China, informou que pretende manter os níveis de preços dos seus principais produtos para os contratos de outubro. A decisão da empresa sinaliza que a demanda deve se manter enfraquecida, já que sazonalmente a atividade da construção civil apresenta alta no período, o que poderia dar margem para reajustes.
No entanto, há alguns meses as siderúrgicas chinesas vêm mantendo os níveis de produção mesmo com a desaceleração da demanda global. A estratégia de pressionar os produtores marginais impacta diretamente os preços, que vêm caindo mês a mês.
Neste cenário, as siderúrgicas brasileiras vêm amargando quedas das receitas. No segundo trimestre deste ano, a Usiminas teve prejuízo líquido de R$ 781 milhões na comparação anual. Já a rival CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) obteve prejuízo de R$ 615 milhões no mesmo período.
A Gerdau, líder em aços longos, também sofreu com o cenário de retração. De abril a junho deste ano, a companhia reportou queda do lucro líquido de 32,6% em relação a igual período de 2014. “Mesmo os ganhos de competitividade proporcionados pelo dólar têm sido limitados pelos preços internacionais. A situação está bem complicada para as usinas brasileiras”, avalia Beraldi.
De acordo com a Tendências, a média de preços do BLQ, no Brasil, deve encerrar o ano com queda de 1,7% em relação a 2014.
Segundo analistas, o prêmio pago pelo produto nacional também deve recuar, uma vez que a demanda vem caindo no mundo inteiro, pressionando as siderúrgicas.

Produção sofre efeitos da conjuntura atual

A produção de aço também sofre com o cenário de retração da economia e de mercados demandantes como automotivo e de construção civil.
Recentemente, o IABr (Instituto Aço Brasil) revisou para baixo a projeção para o ano. Segundo a entidade, a produção de aço bruto, em 2015, deve apresentar recuo de 3,4% em relação a 2014, totalizando 32,8 milhões de toneladas.
Segundo o analista da Tendências, a queda só não será mais forte devido à produção de semiacabados, que têm sido exportados. “Se não o recuo seria certamente mais acentuado”, pontua Beraldi.
Na projeção da Tendências, a produção de aço bruto deve cair 1,5% em 2015, desempenho que só não será pior por conta do aumento das vendas de placas semiacabadas.
Já a produção de aços planos e longos deve apresentar queda ainda maior, de 9,4%, segundo a consultoria. “O enfraquecimento da economia e de setores demandantes irá pesar sobre o desempenho das usinas neste ano”, comenta.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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