Preços sinalizam subir pela quinta vez no ano

Em: 16 de abril de 2010
Os preços da celulose de fibra curta, especialidade dos produtores brasileiros, poderá subir pela quinta vez no ano, diante da manutenção da escassez mundial da matéria-prima e do recente reajuste da fibra longa anunciado na Europa
Os preços da celulose de fibra curta, especialidade dos produtores brasileiros, poderá subir pela quinta vez no ano, diante da manutenção da escassez mundial da matéria-prima e do recente reajuste da fibra longa anunciado na Europa

Os preços da celulose de fibra curta, especialidade dos produtores brasileiros, poderá subir pela quinta vez no ano, diante da manutenção da escassez mundial da matéria-prima e do recente reajuste da fibra longa anunciado na Europa. Mas a trajetória de alta acelerada pode estar perto do fim. Os sucessivos aumentos -no ano, até abril, as cotações de referência mostram incremento de US$ 140 por tonelada- estão pressionando as margens das produtoras de papel e papelão ondulado que não são integradas, e que começam a repassar os custos crescentes com matéria-prima para seus produtos.
A expectativa do quinto aumento, que deve ser anunciado no próximo mês ou em junho, conforme analistas, foi alimentada pela alta de US$ 30 por tonelada, válida a partir de 1º de maio, divulgado na semana passada pela sueca Södra. Tradicionalmente, as fabricantes de fibra curta, caso das brasileiras, acompanham os movimentos de preço da fibra longa, que é largamente produzida no Hemisfério Norte. “Por mais que a produção esteja sendo retomada no Chile (após o terremoto), ainda há déficit na oferta, o que abre margem para pelo menos mais um aumento de preços no semestre. Estou receosa, porque as papeleiras não conseguirão repassar tantas altas”, avaliou a estrategista da Ativa Corretora, Mônica Araújo.
Caso acompanhem o anúncio da Södra, os preços da celulose de fibra curta (que inclui a de eucalipto, produzida por empresas como Fibria e Suzano Papel e Celulose) poderão alcançar US$ 900 por tonelada na América do Norte, US$ 870 na Europa e US$ 830 na Ásia. Na semana passada, o presidente da Suzano, Antonio Maciel Neto, avaliou que o cenário é propício a novo aumento no curtíssimo prazo.

Crise econômica

O mais recente aumento, de US$ 50 por tonelada, passou a valer desde 1º de abril e levou o preço de referência na Europa a US$ 840 por tonelada, de volta ao pico alcançado no pré-crise.
A recuperação no mercado de celulose, cujas cotações no primeiro semestre do ano passado caíram abaixo de US$ 500 por tonelada em razão da crise econômica, foi impulsionada principalmente por volumosas compras efetuadas pela China. O país asiático, que fechou uma série de fábricas da matéria-prima consideradas poluentes ao mesmo tempo em que ampliou a produção doméstica de papel, importa anualmente 8,6 milhões de toneladas de celulose, 29% das quais com origem no Brasil.
As fabricantes de chapas de papelão brasileiras já estão praticando aumento de preços de 10%, para a recuperar parte da elevação dos custos com fibras primárias e secundárias (aparas).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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