Os preços da celulose de fibra curta, especialidade dos produtores brasileiros, poderá subir pela quinta vez no ano, diante da manutenção da escassez mundial da matéria-prima e do recente reajuste da fibra longa anunciado na Europa. Mas a trajetória de alta acelerada pode estar perto do fim. Os sucessivos aumentos -no ano, até abril, as cotações de referência mostram incremento de US$ 140 por tonelada- estão pressionando as margens das produtoras de papel e papelão ondulado que não são integradas, e que começam a repassar os custos crescentes com matéria-prima para seus produtos.
A expectativa do quinto aumento, que deve ser anunciado no próximo mês ou em junho, conforme analistas, foi alimentada pela alta de US$ 30 por tonelada, válida a partir de 1º de maio, divulgado na semana passada pela sueca Södra. Tradicionalmente, as fabricantes de fibra curta, caso das brasileiras, acompanham os movimentos de preço da fibra longa, que é largamente produzida no Hemisfério Norte. “Por mais que a produção esteja sendo retomada no Chile (após o terremoto), ainda há déficit na oferta, o que abre margem para pelo menos mais um aumento de preços no semestre. Estou receosa, porque as papeleiras não conseguirão repassar tantas altas”, avaliou a estrategista da Ativa Corretora, Mônica Araújo.
Caso acompanhem o anúncio da Södra, os preços da celulose de fibra curta (que inclui a de eucalipto, produzida por empresas como Fibria e Suzano Papel e Celulose) poderão alcançar US$ 900 por tonelada na América do Norte, US$ 870 na Europa e US$ 830 na Ásia. Na semana passada, o presidente da Suzano, Antonio Maciel Neto, avaliou que o cenário é propício a novo aumento no curtíssimo prazo.
Crise econômica
O mais recente aumento, de US$ 50 por tonelada, passou a valer desde 1º de abril e levou o preço de referência na Europa a US$ 840 por tonelada, de volta ao pico alcançado no pré-crise.
A recuperação no mercado de celulose, cujas cotações no primeiro semestre do ano passado caíram abaixo de US$ 500 por tonelada em razão da crise econômica, foi impulsionada principalmente por volumosas compras efetuadas pela China. O país asiático, que fechou uma série de fábricas da matéria-prima consideradas poluentes ao mesmo tempo em que ampliou a produção doméstica de papel, importa anualmente 8,6 milhões de toneladas de celulose, 29% das quais com origem no Brasil.
As fabricantes de chapas de papelão brasileiras já estão praticando aumento de preços de 10%, para a recuperar parte da elevação dos custos com fibras primárias e secundárias (aparas).







