A exemplo de Tapauá, na região do rio Purus, e de Boa Vista do Ramos, no médio Amazonas, a cidade de Novo Airão (a 115 km de Manaus) pode virar um barril de pólvora nas próximas semanas, depois da demissão de 528 servidores contratados por parte do prefeito Leosvaldo Roque (PSD). “O prefeito pagou o salário referente a dezembro dos contratados e depois demitiu todos os servidores, que não receberam o 13º salário e estão revoltados”, denunciou ao Jornal do Commercio o advogado Aderson Mancilha, que preside o PPS naquele município.
Em Tapauá, o delegado do 60º Distrito Integrado de Polícia, Rildo da Costa Santos, pediu a prisão preventiva do prefeito Carlos Gonçalves (PMDB), por tráfico de drogas e formação de quadrilha. Em Boa Vista do Ramos, o prefeito Elmir Mota (PSC), permanece afastado da prefeitura por decisão do desembargador Domingos Chalub, vice-presidente do TJAM (Tribunal de Justiça do Amazonas). Elmir é acusado de corrupção, tendo premiado com propina o presidente da Câmara Municipal, vereador Joaquim Teixeira (PSC).
Em Novo Airão, município situado na região do baixo rio Negro, com um histórico preocupante de violência política, a situação começa a se agravar, de acordo com Mancilha, que faz um apelo ao governador Omar Aziz. “O governador deve voltar os seus olhos para Novo Airão urgentemente, pois os últimos atos do prefeito poderão transformar nossa cidade em um barril de pólvora, o que nos preocupa por causa da violência que já provocou assassinatos e o incêndio do prédio do Cartório Eleitoral em dezembro de 2009”, adverte.
Segundo Mancilha, os servidores confirmam o atraso de seus salários durante vários meses, “além de pagamentos à base de vales”. Para ele, “o prefeito agora exagerou ao demitir todos os contratados e pagar os concursados em dezembro apenas com vales de R$ 500, uma vergonha para as famílias desses cidadãos que vão passar as festas de fim de ano em meio a tristeza e miséria”. Conforme o advogado, os servidores concursados (efetivos) percebem salário de R$ 1.300 a média.
Dispondo de uma receita estimada em R$ 1.328 milhão em 2011, somando as arrecadações provenientes do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o prefeito poderia administrar bem as obrigações do município com a folha de pagamento e investir em obras. “Mas, nada disso ocorre, infelizmente”, lamenta o denunciante.
Fundeb
Segundo Aderson Mancilha, “o governador Omar Aziz tem que saber a verdade sobre Novo Airão, a realidade sem politicagem”. Ele vai encaminhar ofício ao MEC (Ministério da Educação) e à Seduc pedindo investigações sobre o uso dos recursos do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) pela Prefeitura de Novo Airão, para verificar o fundamento de denúncias dando conta de que professores estariam sendo pagos com vales de R$ 500 por Leosvaldo Roque.
Mancilha também lamenta que a cidade, que deveria estar limpa nesta época do ano para receber turistas, “está entregue ao lixo e aos mosquitos da malária e da dengue, sem contar o absurdo que é a lixeira a céu aberto, localizada no KM 13 da AM 352, que nos liga a Manaus, essa lixeira é um crime ambiental que precisa ser denunciado e chamar a atenção do Instituto Chico Mendes, que administra os parques nacionais de Jaú e Anavilhanas”. Até o fim desta edição, o JC tentou ouvir o prefeito Leosvaldo Roque pelo número 9xxx52xx, mas o celular se encontrava desligado.







