Presidente adia votação da PEC 37

Em: 21 de junho de 2013
Henrique Eduardo Alves decidiu transferir análise da matéria que limita atuação do MP em razão dos protestos
Henrique Eduardo Alves decidiu transferir análise da matéria que limita atuação do MP em razão dos protestos

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), decidiu adiar a votação da PEC 37, inicialmente marcada pelo deputado para o próximo dia 26. De acordo com a assessoria de imprensa de Alves, ele anunciou a decisão durante viagem oficial à Rússia.
A proposta de emenda à Constiuição (PEC) 37 limita a atuação do Ministério Público e confere às polícias a exclusividade nas investigações criminais. A proposta opõe integrantes do Ministério Público e das polícias. Os primeiros são contra retirar o poder de investigação de promotores e procuradores. Policiais consideram que a Constituição delega às polícias a prerrogativa de atuar em casos relacionados a crimes.
Nos protestos organizados em diversas cidades do país nos últimos dias, uma das causas defendidas pelos manifestantes é que a PEC 37 não seja aprovada.
De acordo com a assessoria de Henrique Alves, a votação foi adiada porque o deputado havia marcado para esta semana um encontro de líderes partidários para discutir o tema, mas não houve a reunião por causa da viagem oficial à Rússia. Com isso, a conversa entre os líderes está agendada para semana que vem. A assessoria não informou se já há uma nova data para a votação da PEC 37 na Câmara.
Na quarta (19), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que faria um “apelo” para que o presidente da Câmara adiasse a votação da PEC. Cardozo deu a declaração após participar de reunião do grupo de trabalho que tenta criar um consenso entre parlamentares, membros das polícias e do Ministério Público sobre o tema. Como não houve acordo, Cardozo disse que solicitaria mais alguns dias para Alves antes de a PEC ir para votação. Como o presidente da Câmara estava em viagem para a Rússia (ele volta ao Brasil nesta quinta), a assessoria não soube informar se Alves chegou a conversar com Cardozo sobre o adiamento.
Uma das alternativas propostas no grupo de trabalho, e já negada por procuradores, é permitir ao MP atuar em situações específicas, diante de eventual inércia da polícia ou quando houver risco de perecimento das provas. Nos dois casos, a investigação do MP precisaria ser autorizada pela Justiça.

Antecipação

Em viagem à Rússia desde o último final de semana, o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), decidiu antecipar para ontem a volta ao Brasil, preocupado com as manifestações da população que continuam ocorrendo em Brasília. Inicialmente, Henrique Alves e a comitiva de deputados que foram à Rússia retornariam apenas hoje.
Na última segunda-feira (17), milhares de manifestantes ocuparam o gramado, a rampa e uma das cúpulas do prédio do Congresso Nacional. Na ocasião, o vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PR-PR) comandou as ações para impedir a invasão do Congresso pelos participantes do protesto.
Ainda segundo a assessoria do presidente da Câmara, durante o período em que esteve na Rússia, Henrique Alves manteve contato com a diretoria-geral, com o presidente em exercício, André Vargas (PT-PR), e com o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.
Além do presidente da Câmara, também retornará hoje ao Brasil o líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Os outros deputados que integram a comitiva oficial deverão regressar amanhã. Ainda permanecem na Rússia, os líderes do PMDB, Eduardo Cunha (RJ); do PPS, Rubens Bueno (PR); do DEM, Ronaldo Caiado (GO); e os deputados Bruno Araújo (PSDB-PR), Fábio Ramalho (PV-MG) e Felipe Maia (DEM-RN).
As manifestações também provocaram a antecipação do retorno ao Brasil do vice-presidente da República, Michel Temer. Ele anunciou ontem o encerramento da viagem a Israel que deveria prosseguir até essa sexta-feira (21) para acompanhar os desdobramentos das negociações sobre a onda de protestos que ocorre em várias cidades do país.

Manifestações influenciaram adiamento

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse hoje que as manifestações que vêm se espalhando pelo país tiveram papel importante no adiamento da votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) 37. A análise da medida que limita o poder de investigação do Ministério Público estava marcada para o próximo dia 26. Gurgel disse que o Ministério Público (MP) recebe a notícia com “satisfação relativa” por considerar que a proposta deveria ser excluída da pauta de deliberações do Congresso.
“Não há dúvida de que terá tido influência nisso a movimentação decorrente das manifestações ocorridas em todo o país que incluíram a PEC 37 como uma das principais pautas na luta contra a corrupção”, disse Gurgel, após lançamento da publicação Ministério Público, Um Retrato.
Gurgel disse que vê no adiamento da votação da PEC 37 o entendimento da Câmara de que é necessário analisar mais adequada e profundamente a questão sem a pressa que vinha caracterizando a intenção de votar a proposta no dia 26.
O procurador-geral da República disse que o MP continuará mobilizado contra a PEC 37. “E claro que é fundamental esse apoio da sociedade. A sociedade é que será a grande perdedora se o Ministério Público tiver retirada essa atribuição [do poder de investigação]”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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