Presidente da Abimaq prevê quadro sombrio para o setor

Em: 29 de abril de 2009
O presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Luiz Aubert Neto, afirmou ontem, 28, que as demissões no setor após a crise econômica mundial podem somar 60 mil até setembro deste ano
O presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Luiz Aubert Neto, afirmou ontem, 28, que as demissões no setor após a crise econômica mundial podem somar 60 mil até setembro deste ano

O presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Luiz Aubert Neto, afirmou ontem, 28, que as demissões no setor após a crise econômica mundial podem somar 60 mil até setembro deste ano. Com isso, o total de empregos diretos da área ficaria abaixo de 200 mil, ante os 236 mil de março de 2009. Em outubro de 2008, mês que antecedeu o início das demissões, o número de vagas no setor era recorde, com 251 mil pessoas contratadas.
“Com uma redução mensal de 20% a 30% no faturamento das indústrias de máquinas e equipamentos, chegaríamos ao mesmo nível de receita e também de empregados registrado em março de 2007, que era abaixo de 200 mil”, disse Aubert, durante entrevista concedida na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).
Em janeiro, o faturamento do setor caiu 45%, no primeiro bimestre recuou 35% e no primeiro trimestre, 20%, sempre comparado a igual período ano de 2008.
Apesar da crise, o presidente da entidade culpa as políticas monetária e fiscal pelas possíveis demissões no setor. “O Brasil segue com a maior taxa de juros do planeta, é o único que taxa em 30% os investimentos em bens de capital e tem uma cotação de dólar que não favorece a exportação, tanto que a importação foi o único item que cresceu no nosso setor desde a crise”, relatou Aubert. “Se essa política mudasse, com a redução da carga tributária, nós conseguiríamos reverter até 70% dessas demissões previstas”, afirmou.
A Abimaq divulgou ainda dados sobre investimentos em FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) índice que é composto por 55% de investimentos no setor de máquinas e equipamentos, 38% no setor da construção civil e 7% por outros investimentos.
De acordo com levantamento da entidade, a FBCF sobre o PIB no Brasil em 2009 deve ser de 17,6% do PIB (Produto Interno Bruto), ante 19% em 2008 e 16,9% na média desde 2000. Enquanto isso, a média da FBCF/PIB na América Latina de 2000 até 2009 fica em 18,7%, no mundo é de 23,7% e nos três países restantes do BRICs – exceto o Brasil, Rússia, Índia e China –chega a 34%.
“Graças à carga tributária, ficamos atrás de Argentina, Paraguai e Uruguai na América Latina em relação a esses investimentos e longe dos nossos concorrentes diretos dos BRICs”, informou Aubert. “Temos um morcego tirando sangue da indústria”, concluiu o presidente da Abimaq.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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